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Edição #135

Março 12

Nesta edição

Bendita Preguiça

“Acorda, Maria Bonita/ Levanta, vai fazer café/ Que o dia já vem raiando e a polícia já está de pé”. Ao contrário do que faz supor o começo da marchinha de 1932, a companheira de Lampião não teria o perfil clássico da dona de casa, muito menos seria subserviente no relacionamento amoroso. Estudos indicam uma posição igualitária da sertaneja Maria Gomes de Oliveira na relação com Virgolino Ferreira.

O comportamento da jovem que, aos 19 anos, largou marido, família, casa e a submissa vida doméstica para viver entre os cangaceiros, em plena década de 1930, antecipou em alguns anos o que viriam a ser as práticas feministas no nordeste do Brasil. É o que defendem os pesquisadores consultados na matéria sobre o assunto, publicada na Continente deste mês e assinada pela repórter Danielle Romani, que fez o levantamento de informações em antigas e novas publicações sobre o cangaço, com ênfase na presença de mulheres nos bandos e destaque para Maria Bonita, Dadá e Sila.

Além de rever a presença das mulheres no cangaço, a revista também dá relevo a um comportamento vivenciado por todos, ainda que nem sempre com orgulho: a preguiça.

O sétimo pecado capital é tema abordado pelo jornalista Gilson Oliveira, que foi em busca dos porquês históricos de nos envergonharmos de sentir aquela moleza, uma vontade de não fazer nada... Observando como o ócio tem sido encarado pela sociedade ao longo do tempo, ele aponta que, hoje, a “danada” da preguiça pode ser muito “bem-vinda”, desde que filósofos, economistas, sociólogos e a prática profissional vêm demonstrando o quanto “dar um tempo” e “praticar o nada” podem ser saudáveis, vantajosos e necessários.

Dando suporte à argumentação do jornalista, reunimos à discussão do tema uma entrevista bastante elucidativa com a filósofa Olgária Matos, um artigo do professor Manoel Ricardo de Lima sobre o caráter nacional, associado ao preguiçoso Macunaíma, uma crônica bem indolente do escritor Pedro Salgueiro e uma reportagem sobre como algumas empresas têm levado o ócio a sério, a ponto de criar salas de cochilo em suas dependências. Como afirmou o filósofo Gerd Bornheim: “A revolução que se avizinha, a grande revolução ocidental, depois da Revolução Industrial, é a Revolução do Ócio”.

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