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Edição #154

Outubro 13

Nesta edição

A dor

“Tristeza, por favor vá embora. Minha alma que chora está vendo o meu fim. Fez do meu coração a sua moradia. Já é demais o meu penar. Quero voltar àquela vida de alegria. Quero de novo cantar.” Quem já passou uns dias cabisbaixo sabe bem a que a canção popular se refere. Por mais que esse estado seja indesejável, sabemos que ele vai ocorrer em alguns momentos da nossa vida. Vivê-lo é também superá-lo, compreendê-lo. Mas, e quando ele se torna intenso e propaga-se por mais e mais pessoas, subindo nas estatísticas das doenças mundiais e popularizando-se como um mal-estar conhecido como depressão?

A matéria de capa desta edição indaga sobre os transtornos psíquicos que caracterizam a sociedade atual e que vêm sendo largamente discutidos pela mídia, sobretudo sob o ângulo da difusão científica com o objetivo de ajudar os indivíduos a encontrarem a cura, ou, ao menos, caminhos de cura. Como sabemos que a tristeza não é exclusiva do nosso tempo – basta procurar sinais dela na arte –, queríamos entender por que cresce o diagnóstico desse tipo de transtorno e o que ocasiona tal estado patológico.

Algumas respostas foram encontradas e a síntese está nas pressões exercidas sobre o indivíduo. “O caso da depressão, bem como de outras doenças mentais em voga, a exemplo dos transtornos de ansiedade, é emblemático para compreendermos a singularidade da cultura contemporânea, que valoriza a felicidade como um ideal individual quase inatingível, especialmente pela via do consumo de bens materiais e/ou simbólicos”, escreve o jornalista Marcelo Robalinho, que, para a execução da reportagem, ouviu pessoas diagnosticadas com depressão e especialistas no assunto.

Ao lado da ideia de felicidade vinculada ao consumo, somos coagidos a nos fazer perfeitos de corpo e alma, a não envelhecer, a não fracassar. Ou seja, ao projeto impossível, que, quando não adoece, leva ao sofrimento e à frustração. Nem todos aguentam a pressão, que pode ser mais intensa em momentos de fragilidade, e é por isso que, hoje, a depressão vitima 20% da população mundial. São 1,4 bilhões de pessoas, um bocado de gente sofrendo porque não está dentro de padrões sociais inventados, completamente discutíveis e dispensáveis.

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