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Edição #166

Outubro 14

Nesta edição

Palhaço

Quando estávamos na reunião de pauta discutindo sobre que assunto levaríamos à capa da Continente em outubro, buscamos associações com o Dia das Crianças. “O palhaço” – assim, como uma chave geral – foi o tema escolhido, porque achávamos que essa figura ambígua estava presente no imaginário infantil, um personagem que transcende territórios, classes, épocas. Qualificamos de “ambíguo” o palhaço porque observamos que ele pode ser tão divertido quanto assustador, tão engraçado quanto trágico, tão ingênuo quanto astuto. Então fomos atrás de subsídios que estruturassem a nossa matéria.

O jornalista Fernando Athayde apresenta a sucessão histórica de personagens que se fizeram presentes em civilizações ocidentais e orientais sob a persona do cômico que expõe o ridículo de todos nós e de si mesmo, e aqui podemos nos referir ao bufão e ao bobo da corte. Também pontua quando surge a figura desengonçada, que usa roupas e sapatos que não se ajustam à sua silhueta e que estampa a máscara (do riso, do choro, do escárnio) e o emblemático nariz vermelho.

A dicotomia a que nos referimos há pouco está evidenciada em dois textos que abordam o lado maléfico do palhaço, em obras sobretudo relacionadas à cultura pop, e o seu lado mais terno e inocente, como ficou eternizada a figura de Carlitos, criada por Charles Chaplin.

Certamente uma abordagem que supera as interpretações cênicas mais recorrentes – sejam as de picadeiro, palco ou asfalto – é a que associa o palhaço ao xamã, desenvolvida pela canadense Sue Morrison, e aqui apresentada em artigo escrito pela pesquisadora Marianne Consentino. Por essa leitura do personagem, ele passa a operar dentro de uma comunidade como o sábio das tribos indígenas, que é responsável por fazer ver aquilo que nem sempre se mostra. Essa função iguala os polos “engraçado”/ “triste” do palhaço e revela todo o seu potencial de sabedoria.

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