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Edição #193

Janeiro 17

Nesta edição

100 Anos Samba

Em janeiro de 1917 foi lançada no Brasil uma composição que contrastava com o clima bélico vivido por um globo em plena 1ª Guerra Mundial, Pelo telefone, considerada a primeira gravação registrada como “samba”. A história assinala dois autores: o sambista Donga e o jornalista Mauro de Almeida. Mas nem a sua primazia na história do samba nem esta dupla autoria são consensos. Alguns pesquisadores apontam “sambas” anteriores, outros dizem que Pelo telefone é fruto de criação coletiva, para a qual contribuíram João da Mata, Hilário Jovino Ferreira, João da Baiana, Pixinguinha e Tia Ciata, mãe de santo que reunia no seu terreiro memoráveis rodas de samba.

Polêmicas à parte, Pelo telefone, sucesso do Carnaval daquele ano, foi um marco ao estabelecer o samba como gênero, que, a partir dali, passaria por diversas transformações: samba de roda, samba de partido-alto, sambaenredo, samba-canção, samba-exaltação, de breque, de gafieira, bossa nova, samba rock, pagode… Essas mudanças e criações de subgêneros, ao longo de seus 100 anos de existência, envolveram acontecimentos políticos e sociais, que foram abordados na reportagem de capa desta edição.

Nascido dos batuques africanos, com o lundu e, depois, com o maxixe, nos terreiros de candomblé, o samba sofreu preconceito - porque era feito por negros, na recente abolição da escravidão - e duras perseguições policiais. Porém, acabou se tornando uma das principais manifestações culturais do Brasil, símbolo nacional e um negócio que gera críticas, mas também empregos diretos e indiretos nas áreas de entretenimento e turismo.

Embora haja empresários lucrando com o gênero, desde que o samba é samba, é assim: o garfo ritmando no prato de João da Baiana, a disputa entre Noel e Wilson Batista, o ritmo de Geraldo Pereira, Cartola de verde e rosa, o ziriguidum da bateria na quadra da escola, o sacundin de Jorge Ben, o bim bom de João Gilberto, a alegria da Marrom, Clara Nunes, Clementina de Jesus, Dona Ivone Lara, a caixa de fósforo de Adoniran, o violão de Nelson Cavaquinho, a elegância de Paulinho da Viola, o equilíbrio do mestre-sala, o braço erguido de Beth Carvalho, a voz do morro, o rei do terreiro, a tristeza que balança, o manto azul e branco da Portela desfilando triunfal sobre o altar do Carnaval.

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