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Edição #168

Dezembro 14

Nesta edição

Humor Web

“Foi uma das primeiras vezes em que vi isso: a chamada Geração da Zoeira envergando um luto respeitoso — e por um humorista!”. A observação, feita pelo quadrinista Arnaldo Branco, em artigo publicado n’O Globo, no começo de agosto, referia-se à repercussão, nas redes sociais, da morte de Fausto Fanti, comediante e roteirista, mais conhecido como o Renato do programa televisivo Hermes & Renato. A frase de Branco parece comprovar uma análise de Henri Bergson: a de que, para haver humor, é necessário um distanciamento emocional, mesmo que temporário, do objeto do riso. “O cômico exige algo como certa anestesia momentânea do coração para produzir todo o seu efeito”, sentenciara o fi lósofo francês, em O riso - ensaio sobre a significação do cômico (1899).

A surpresa com relação ao “luto respeitoso” se deveu ao fato de que vivemos numa época em que nada escapa ao humor, seja para o bem ou para o mal. Se, por um lado, as inovações tecnológicas vêm permitindo que amadores produzam e reproduzam conteúdo humorístico, tirando o cômico da redoma à qual, até então, estava confi nado, por outro, há uma ausência de parâmetros por parte desses novos humoristas pós-internet.

Nada nem ninguém mais passa incólume à comicidade. Nem as crianças. Muitas têm seus rostos estampados em memes que são multiplicados à exaustão em posts nas redes sociais. Portanto, deve haver mesmo uma “anestesia do coração” generalizada e generalizante que faz esquecer até que são menores de idade.

Essa explosão humorística na web, tão marcante nestes tempos em que estamos atados a computadores e smartphones, tornou-se tema da nossa matéria de capa. Fomos em busca da opinião de profi ssionais da área e de especialistas no assunto para discutir os desdobramentos e consequências do humor na era da internet, principalmente aquele que é produzido de forma anônima e que pode deixar vítimas pelo meio do caminho, sejam celebridades ou pessoas comuns, como o garoto judeu cujo vídeo caseiro se tornou um dos maiores virais da rede.

Na sua mais famosa máxima, Andy Warhol previu que, no futuro, todos teriam seus 15 minutos de fama. Só não supôs que essa projeção em massa da imagem poderia se dar através de um elemento chamado meme e que ser famoso pode não ser algo tão excitante como ele considerava.

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