Edição #140

Agosto 12

Nesta edição

Nelson Rodrigues

Um jornalismo inclinado a observações quase assépticas sobre a realidade, que reproduz depoimentos em vez de interpretá-los, que relegou a voz pessoal dos jornalistas a espaços exíguos, e que perdeu o costume de ouvir as duas partes de uma contenda. Seria insensato e forçoso atribuir esse quadro como um todo ao jornalismo praticado atualmente, mas, em separado, aqueles vícios foram surgindo gradualmente nas redações enquanto alguns dos mais brilhantes cronistas e repórteres das redações de outrora chegavam ao ocaso da carreira. Um deles está sendo celebrado este mês por seu centenário de nascimento. Na contramão da objetividade absoluta pregada pelo jornalismo norteamericano, Nelson Rodrigues defendia que o tino e a bagagem intelectual do repórter é que construíam a notícia e conquistavam o leitor.

O dramaturgo, escritor, cronista e redator nascido no Recife e radicado no Rio de Janeiro, como amplamente difundido, manifestouse de forma contundente contra aquelas mudanças de paradigmas – não porque fosse averso ao novo e, sim, pelo que intuía como mediocridade ou falta de maturidade no exercício do labor jornalístico. Sem se alinhar a nenhuma corrente de pensamento e sem o falso prazer de buscar a polêmica por ela mesma, Nelson também se pronunciava sobre tudo na política e na cultura nacional, para não falar do futebol (paixão herdada de seu irmão, igualmente habilidoso com as palavras, Mário Filho). Para além disso, a obra literária e teatral rodriguiana, criticada pelo linguajar e pela crueza que carregava, era igualmente dotada de mérito dramático e poético. Mas é no jornalista Nelson Rodrigues que nos centramos aqui.

É possível que você leia esta edição da Continente quando não estiver assistindo a uma de suas séries televisivas favoritas: Game of thrones, The e walking dead, qualquer que seja... Pela quantidade e qualidade atual desses produtos, paramos diante da TV e procuramos verifi car a partir de quando as emissoras passaram a investir orçamentos comparados ao da indústria do cinema no intuito de conquistar audiência e quais são as mais bem-sucedidas séries do gênero.

Não dizem que agosto é o mês dos ventos? Então, fomos verifi car a veracidade da afi rmativa e encontramos, no caminho, pessoas que têm ótimas histórias para contar de sua relação com esse elemento da natureza.

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