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Edição #196

Abril 17

Nesta edição

Indígenas

Em 20 de abril de 1997, o índio Galdino Jesus dos Santos dormia em uma parada de ônibus da capital federal, 24 horas depois de ter participado das manifestações do Dia do Índio, quando quatro rapazes brancos decidiram queimá-lo vivo. Passaram-se 20 anos desse ato cruel, e os povos indígenas no Brasil seguem sendo vítimas das mais diversas violências – uma situação que perdura desde a chegada dos colonizadores a terras brasileiras. Neste mês, nossa reportagem de capa lança seu olhar sobre a situação dessa população, que se distribui em cerca de 305 povos distintos em todo território nacional.

Já nas primeiras conversas, tínhamos convicção de que não gostaríamos de tomar o lugar de fala dos indígenas, que buscaríamos trazê-los como colaboradores para dentro da revista. Ao avançar nas pesquisas, encontramos eco em algumas leituras e na fala de alguns pesquisadores. O antropólogo Eduardo Viveiros de Casto, no prefácio que escreveu para o livro A queda do céu, do xamã Yanomami Davi Kopenawa e de Bruce Albert, dizia: “Recusar aos índios uma interlocução estética e filosófica radicalmente ‘horizontal’ com nossa sociedade, relegando-os ao papel de objetos de assistencialismo terceirizado, de clientes de um ativismo branco esclarecido, ou de vítimas de um denuncismo desesperado, é recusar a eles a sua contemporaneidade absoluta. Nosso tempo é o tempo do outro, para glosarmos, e invertermos, a bandeira que Johannes Fabian agitava em 1983. Pois os tempos são outros. E o outro, mais ainda”.

Não queríamos recusar aos indígenas essa “contemporaneidade absoluta”, por isso, ainda que o especial traga textos de apoio escritos por não índios, era uma prerrogativa fundamental – sem ela, a matéria não seria publicada – que tivéssemos o depoimento e a voz de indígenas em nossas páginas como protagonistas das suas narrativas. Nessa busca, encontramos Ailton Krenak, Dorinha Pankará, Naine Terena e Vera Tupã Popygua Timotéo da Silva, indígenas de etnias distintas, de regiões variadas, que nos contam um pouco da saga dos seus povos e de como é ser, hoje, um indígena no Brasil.

Além desse tema tão urgente, não era possível deixar passar em branco os 80 anos do poeta, cineasta e crítico cultural Jomard Muniz de Britto, comemorados neste mês de abril. O perfil, assinado por Aristides Oliveira, nos conta um pouco da sua trajetória, marcada pelo inconformismo e pela iconoclastia. Nessa celebração, presenteamos você, leitor, com o documentário-ensaio JMB, o famigerado (2011), da cineasta Luci Alcantâra, que segue encartado nesta edição.

Leia

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Sumário

Berinjela

Ingrediente controverso, condenado por alguns e amado por outros, é elemento de várias receitas

Joaquim

Em seu novo filme, Marcelo Gomes desconstrói o mito de Tiradentes

Joaquim

O cineasta Marcelo Gomes fala das motivações de seu filme mais recente, "Joaquim"

Ronaldo Correia de Brito

Recife eclético, conversinha fiada

José Cláudio

De Atahualpa a Petribú

Iggy Pop

Por Zenival

João Moreira Salles

Cineasta fala sobre seu filme "No intenso agora" e sobre sua incursão no jornalismo

Indígenas

Lideranças falam da situação de seu povo no Brasil

Depoimento: Ailton Krenak

Lideranças indígenas falam da situação de seu povo no Brasil

Depoimento: Dorinha Pankará

Lideranças indígenas falam da situação de seu povo no Brasil

Depoimento: Naine Terena

Lideranças indígenas falam da situação de seu povo no Brasil

Depoimento: Verá Tupã Popygua Timóteo da Silva

Lideranças indígenas falam da situação de seu povo no Brasil

Resistência e representatividade

Lideranças indígenas falam da situação de seu povo no Brasil

As línguas, os índios e os direitos linguísticos

O Fulni-ô (PE) são o único povo indígena do Nordeste que conseguiu preservar língua materna

Allen Ginsberg

Há duas décadas, morria um dos ícones da beat generation

Trilha sonora

Nem sempre percebida pelo público, é um signo importante para a narrativa cênica

Jomard Muniz de Britto

Artista completa 80 anos com a mesma verve transgressora e iconoclasta

Ieve Holthausen

Artista gaúcha cria imagens sobre o divino, sagrado e a integração das pessoas com a natureza

Ella Fitzgerald

Há 100 anos nascia a intérprete que influenciou gerações

Pesquisa

Professora Jane Pinheiro documenta a cena artística contemporânea do Recife nos anos 1990

Arte pública

Obras artísticas espalhadas pelo Recife são alvo de projeto de identificação e catalogação