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Edição #185

Maio 16

Nesta edição

Nise da Silveira

Em tempos de luta antimanicomial no Brasil, o legado de Nise da Silveira (1905-1999) segue não só vivo, como imprescindível para pensar o cuidado com os transtornos psiquiátricos neste mundo. Não estamos diante apenas de um problema individual a ser tratado cientificamente, mas de uma questão social, cultural e emocional com a qual temos que lidar. Por isso, a chegada agora de filmes, livros e peças teatrais sobre o trabalho da psiquiatra alagoana que não parou de sonhar diz respeito a todos nós, e é nossa reportagem de capa, assinada pelo jornalista Marcelo Robalinho.

Com a atriz Glória Pires no papel principal, o longa Nise – O coração da loucura, de Roberto Berliner, é certamente a obra de maior alcance neste cenário, em cartaz no circuito comercial desde abril, depois de rodar festivais. A arte e Nise, aliás, têm tudo a ver. Foi através da criação artística que ela desviou o destino dos internos do Centro Psiquiátrico Dom Pedro II, no Rio de Janeiro, ao dar-lhe outras possibilidades que não tratamentos severos como a lobotomia e o eletrochoque, comuns à sua época. Nise era rebelde e passava sua rebeldia adiante em prol da saúde de seus pacientes, sobretudo esquizofrênicos. De forma intuitiva, ela seguiu contra a maré, criando, no Pedro II de 1946, um espaço de vanguarda para atividades terapêuticas e trabalhos manuais, como pintura, desenho, modelagem, jardinagem, marcenaria etc.

O que havia nela faltava em seu entorno: afeto, sensibilidade, amor ao próximo, elementos tão importantes quando lembramos a dimensão do sofrimento da mente. “A terapêutica ocupacional que procurei adotar era de atividades expressivas que pudessem dizer algo sobre o interior do indivíduo e, ao mesmo tempo, falar das relações deste com o meio”, disse ela ao jornal O Estado de S. Paulo em 1987. Para Glória Pires, que concedeu entrevista exclusiva à Continente, Nise foi “a personagem mais completa” que já interpretou. E é interessante notar que o legado de Nise não foi apenas para a medicina ou a psicologia, mas para a própria arte. Boa leitura!

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