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Edição #221

Maio 19

Nesta edição

Um fim antevisto

No fechamento desta edição, nos dias em que dávamos acabamento ao tema “fim do mundo”, sobre o qual já vínhamos trabalhando desde o início do ano, açoitadas pelo incessante bestiário nacional, surge nas nossas telas mais uma labareda deste inferno, dessa vez, as chamas que atingiram a Catedral Notre Dame de Paris. 

Talvez, se pudéssemos colocar dois acontecimentos tão terríveis em par de grandeza, o incêndio da Notre Dame – embora irreparável pelo que destrói de um tempo já vivido – parece a nós, brasileiros, algo menos irremediável que aquele ao qual assistimos em 2 de setembro de 2018, quando o Museu Nacional, do Rio de Janeiro, foi arrasado pelo fogo. 

Isso porque, às vésperas da eleição presidencial que viria confirmar mais um “fim dos tempos” no país, o Museu Nacional já penava anos de maus-tratos, corte de verbas e pedidos de ajuda ignorados, portanto, estava diante da morte iminente, enquanto que a Catedral de Notre Dame passava agora por uma obra de restauro e, diante do incêndio, o presidente Emmanuel Macron tratou de declarar que o país reerguerá o patrimônio religioso. 

De acordo com o Escritório de Turismo e de Congressos de Paris, a Notre Dame foi o monumento que mais atraiu turistas ao país nos últimos três anos (12 milhões de visitantes), seguido da Basílica do Sacré Coeur de Montmartre (10 milhões) e do Museu do Louvre (8 milhões). 

Cada um com sua dose de apocalipse, tristemente constatamos diante de uma comparação esdrúxula dessas.

E é justamente imbuída pelo contexto das más notícias que nos assolam – desde a política, aos sinistros e as tragédias ambientais – que esta edição da Continente revisita os conceitos de fim de mundo, apocalipse e narrativas do gênero, que estão no imaginário mundial desde os tempos mais remotos, indicando que, muito provavelmente, a humanidade nunca acreditou firmemente na sua perenidade. Ou que as várias experiências traumáticas de guerras e destruições, somadas ao medo do insondável, às descobertas científicas e à consciência da ganância sem limites da espécie, tenham nos levado intermitentemente à sensação de que um dia esse lugar que conhecemos desaparecerá. E, hoje, qual nossa ideia de fim de mundo? Essa é a pergunta que orienta nossa reportagem especial, que você confere a seguir.

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