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Edição #133

Janeiro 12

Nesta edição

Indígenas

Quando pensamos na realização de uma matéria sobre literatura indígena, lembramonos imediatamente de Isabelle Câmara. Hoje, especializada em Direitos da Criança e do Adolescente (USP) e diretora de Comunicação do TRF5, no início de sua carreira, ela trabalhou aqui, na revista, e, desde aquela época, já apresentava interesse pelas questões indígenas, algo que se desenvolveu e tornouse parte de sua vida. Sabíamos que sua abordagem passaria também pelo coração, o que era importante para nós. Claro que ela aceitou fazer a reportagem e o resultado foi criterioso como esperávamos.

Outra presença importante nesta edição – essa, insuspeita para nós – é a de Maurício Negro. Na pesquisa de imagens para ilustrar a matéria de capa, deparamo-nos com seu belo e profundo trabalho. Diante do que vimos em vários dos livros por ele ilustrados, percebemos que seu interesse – assim como o de Isabelle – transcendia o profissional; havia ali uma identificação genuína entre artista e tema.

Por conta disso, convidamos o artista para desenvolver as ilustrações de capa e da abertura da matéria. Embora alegasse estar cheio de tarefas, ele aderiu à pauta, e as trocas que mantivemos só confirmaram o compromisso do ilustrador com a questão indígena, que o fez não apenas ter o cuidado de nos explicar cada um dos elementos que escolheu para as ilustrações, mas também de ter lido atentamente o texto de Isabelle que enviamos para ele, a ponto de sugerir algumas alterações, que acatamos. Experiências assim, de verdadeira colaboração, dignificam o trabalho de todos, sobretudo o nosso.

Para não deixar que as referências de Maurício Negro fiquem apenas entre nós, reproduzimos algumas delas: “Para a capa, prestei um tributo ao povo Kambiwá, que vive ainda no sertão de Pernambuco (Ibimirim, Inajá, Floresta). Vestido de fibra de caroá, da cabeça aos pés, e de maracás nas mãos, um índio participa do ritual do praiá. Do diadema circular sobre a cabeça, em vez de penas, saem de uma boca línguas diversas de diferentes famílias linguísticas indígenas. Na ilustração de miolo, fiz duas licocós (bonecas de argila) do povo Carajá. Uma delas lê um livro, enquanto a outra digita em seu laptop. Remeto assim tanto à tradição quanto às transformações contemporâneas, tendo em vista a convivência entre oralidade e literatura (escrita)”.

Esperamos que, como nossos colaboradores, os leitores sejam tocados pelo rico universo cultural – cada vez mais expresso em literatura – dos povos indígenas do Brasil.

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