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Edição #201

Setembro 17

Nesta edição

Cultura popular, hoje

São muitas as temporalidades do agora. Enquanto pessoas ao redor do planeta se transportam de trem-bala ou mesmo sem sair do lugar, via mensagens de internet, outras se deslocam a pé ou em transportes que só operam algumas horas do dia. E isso não deveria colocar ninguém em inferioridade ou superioridade em relação ao outro, apenas se tratar de uma realidade sobre a qual nem sempre pensamos.

Na pequena Ilha do Massangano, no sertão do São Francisco, os moradores têm 12 horas por dia para entrar e sair do lugar, pois este é o tempo de funcionamento da balsa que os transporta desde o continente. Na ilha, circulam a pé em ruas de barro, mantêm hortas domésticas e contam para si histórias dos seus antepassados. Uma dessas histórias é vivida – na verdade, dançada – pela comunidade local há, pelo menos, um século, o samba de véio, uma das manifestações da tradição que foi visitada pela repórter da Continente Luciana Veras e pela fotógrafa Hélia Scheppa.

Já nas primeiras conversas na Redação sobre essa pauta de “cultura popular”, tínhamos interesse em ouvir os mais variados brincantes de Pernambuco e saber deles como realizavam suas festas e brincadeiras numa sociedade que coloca em privilégio palavras como tecnologia, desenvolvimento, conectividade, virtualidade. Como mantinham, custeavam e atraíam a comunidade e o público para suas atividades e criações. Sim, porque sabíamos de várias dificuldades enfrentadas pelos grupos artísticos de matriz popular, ainda que encontrem apreço pelo que produzem.

Uma fala da antropóloga da UFPE Lady Selma Albernaz, também ouvida pela reportagem, sintetiza a força das manifestações populares que resistem, ao afirmar que elas se mantêm tanto tempo e a despeito das mudanças porque expressam quem são essas pessoas, ainda muito antes de elas existirem, porque elas fazem parte de comunidades que preservam valores, moralidade e um lugar no mundo. Numa palavra: têm identidade.

Isso é bastante coisa, e o resultado da nossa investida em campo nos trouxe um painel diversificado e rico de como esses artistas populares estão equilibrando tradição e contemporaneidade. Esperamos que você, leitor, seja mobilizado pelo que dizem essas vozes da cultura tradicional que lhe oferecemos nas páginas a seguir.

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