Clique ao lado para visualizar o sumário da nova CONTINENTE.

Curtas

Nos pés do tempo

A cantora e compositora Aura apresenta espetáculo inspirado nas suas pesquisas sobre música, dramaturgia e temporalidade

TEXTO João Rêgo

23 de Abril de 2021

O espetáculo foi registrado no sítio de Aura, localizado na Travessa de São Francisco, em Olinda

O espetáculo foi registrado no sítio de Aura, localizado na Travessa de São Francisco, em Olinda

Foto Divulgação

[conteúdo exclusivo Continente Online]

Em 2018, a cantora e compositora Aura reuniu os artistas Beto e Thulio da Xambá para apresentações musicais no Sebo Casa Azul. O projeto Terreiro de vó preenchia o palco de improvisos e experimentações influenciadas pelas suas pesquisas com as mestras Vó Cici, do Griô baiano, Dona Benedita, de Tacaimbó, e o mestre Assis Calixto, integrante do Coco Raízes de Arcoverde. Por causa das dificuldades na época, infelizmente, o espetáculo não gerou registros sonoros para a posterioridade.

Três anos depois, isso não será mais um problema. Nesta sexta, 23 de abril, Aura apresenta Nos pés do tempo, o seu primeiro projeto solo. O álbum será lançado em formato de show no canal do Youtube da artista, mas também ficará disponível no Instagram (@o_canto_de_aura).

Segundo ela, Nos pés do tempo nasce do seu anseio de “se ver em cena de uma forma autoral”, depois de construir uma trajetória com trabalhos em grupos. Paralelamente, o título foi concebido a partir das suas pesquisas sobre o orixá Iroko, o mestre do tempo. Durante as investigações, a chegada da pandemia terminou evidenciando ainda mais a centralidade do tema sobre os seus processos artísticos e o próprio caminhar da vida.

Para dar vazão a esses sentimentos, Aura imergiu na temporalidade particular de Olinda, cidade onde mora há sete anos. Dentro do seu sítio, na Travessa de São Francisco, a artista se uniu ao músico e arranjador Guilherme Eira para transformar as ideias em sonoridades. No caminho, a percussionista Aishá Lorenço também foi convidada para ampliar o corpo sonoro do projeto.


No espetáculo, Aura busca evidenciar seu corpo teatral enquanto interpreta as canções. Foto: Divulgação.

Os encontros deram origem às sete músicas que serão apresentadas no espetáculo. Seis delas são da autoria de Aura, que também realizou uma interpretação de Minha missão, composição de João Nogueira e Paulo César Pinheiro.

É importante ressaltar que Nos pés do tempo não se resume à sua musicalidade. A concepção nasceu também das investigações de Aura sobre como expandir a música unindo novas formas de fazer e pensar a arte. O show, por exemplo, é uma apresentação que atiça o visual por meio da presença da artista no palco. “Em um processo autoral de música existe um corpo cênico. A música traz uma dramaturgia, um corpo teatral. E o projeto busca entender o que o corpo quer falar através das músicas. A gente não consegue cantar sem expressar. Naturalmente, o corpo expressa o que a música quer dizer”, explica Aura.

Essas ideações são frutos da pesquisa A teatralidade na música - um corpo sonoro, desenvolvida pela artista a partir do espetáculo. Para orienta-la, Aura contou com a ajuda de nomes importantes do teatro, como sua professora e atriz Naná Sodré, uma das fundadoras do grupo O Poste Soluções Luminosas, o ator Dinho Lima Flor, da Companhia do Tijolo-SP, além da cantora Anastácia Rodrigues.

Todas as influências partiram de uma busca da artista de trafegar pela sua ancestralidade. Ela explica que sua estadia em Pernambuco durante quase uma década foi fundamental nesse processo. "Foram sete anos somando experiências com mestres da cultura popular, como o Côco Raiz de Arcoverde, Maracatu Estrela Brilhante, Mestre Zezinho de Casa Amaraela, e muitos outros. Eles foram como sementes para o projeto surgir a partir dessas vivências", relata.

O show de Nos pés do tempo foi registrado na própria casa de Aura. A cantora se apresenta ao lado dos músicos Guilherme Eira e Aishá Lourenço. O projeto tem apoio da Lei Aldir Blanc.

JOÃO RÊGO é jornalista em formação pela Unicap e repórter estagiário da Continente

Publicidade

veja também

Alvorada

Nordeste ficção

Gilú Amaral celebra 25 anos de carreira