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Edição #220

Abril 19

Nesta edição

O reggae como patrimônio cultural

No dia 18 de abril de 1980, o Zimbábue assistia ao seu primeiro grande show em 15 anos. Era um concerto de Bob Marley. O cantor usou dinheiro do próprio bolso para bancar o equipamento de som e de iluminação para o concerto que aconteceria no Rufaro Stadium, na Cerimônia de Independência do Zimbábue, que marcaria a libertação da antiga Rodésia, após uma longa guerra civil. O artista ficou decepcionado ao saber que a apresentação seria destinada apenas a membros do novo governo e de convidados. Do lado de fora, 80 mil pessoas tentavam entrar para assistir ao espetáculo. Instalou-se uma confusão, com bombas de gás lacrimogêneo. No dia seguinte, o cantor anunciou que realizaria outro show gratuito para as pessoas que não conseguiram entrar.

A presença de Bob Marley era simbólica para o país. Suas músicas, como Get up, stand up (feita em parceria com Peter Tosh) eram ouvidas pelos combatentes da libertação como inspiração para continuar na luta. Enquanto o lugar estava em conflito, na Jamaica havia protestos em favor da independência, dos quais participou ativamente Tosh. Devido à sua influência em persos países, o reggae recebeu, em novembro de 2018, no seu cinquentenário, o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco.

A partir dessa honraria e dos 40 anos de sua popularização no Brasil, esta edição da Continente resgata, em reportagem de Débora Nascimento, a história desse gênero e de seus principais ícones, destacando a sua importância como música que mais estimulou a noção de africanidade, liberdade e justiça social. Um momento oportuno para a gente ouvir essa playlist com letras de protesto e ritmo semelhante ao das batidas do nosso coração em calmaria.

Nesta edição, outro elemento que trafega com calma por estas páginas são imagens das casas-barco que circulam pelos canais londrinos, em ensaio realizado por Ricardo Moura, colaborador que viveu em Londres e teve contato com pessoas que optaram por morar nos barcos, na maioria dos casos, fugindo dos altos preços de aluguéis da cidade.

Entre as outras leituras que oferecemos nesta edição, destaque para o artigo da professora Véronique Donard, sobre a aceleração do presente pelo uso das Tecnologias da Informação e da Comunicação, e o perfil da pintora Tereza Costa Rêgo, que neste mês comemora seus 90 anos, por Bruno Albertim.

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