Nas selvas do Brazyl chega ao Teatro Luiz Mendonça
Com idealização de Gustavo Gasparani, dramaturgia de Pedro Kosovski, direção de Daniel Herz, e no elenco Gustavo Gasparani e Isio Ghelman, espetáculo faz duas únicas apresentações no Recife, nos dias 2 e 3 de maio
30 de Abril de 2026
Gustavo Gasparani e Isio Ghelman em Nas Selvas do Brasil, foto Nil Caniné_R4A0171
Foto Nil Canindé/Divulgação
Através da histórica expedição realizada por dois homens emblemáticos do início do século XX, a peça Nas selvas do Brazyl busca uma nova forma de compreender as relações entre humanos e natureza, e a origem do povo brasileiro. A peça convida o público a uma reflexão sobre temas urgentes como mudanças climáticas, diversidade e ancestralidade. A peça fará duas únicas apresentações no Teatro Luiz Mendonça, no Recife, nos dias 2 e 3 de maio de 2026.
As figuras históricas de Theodore Roosevelt Jr. (1858-1919) e do marechal Cândido Mariano da Silva Rondon (1865-1958) personificam dois arquétipos: o do homem branco estrangeiro colonizador e a do homem militar pacifista engajado na construção de uma ideia de nação, tendo descoberto e nomeado rios, montanhas, vales e lagos, além de implantar mais de cinco mil quilômetros de linhas telegráficas nas florestas brasileiras.
A partir das memórias desta expedição, a peça imagina tudo aquilo que não foi dito entre Roosevelt e Rondon - o acerto de contas entre um ex-presidente estadunidense e um conhecido sertanista brasileiro, militante na defesa dos direitos indígenas e na exploração responsável do território brasileiro.
“Nas selvas do Brazyl retoma um acontecimento histórico para o nosso país, o encontro do presidente Theodore Roosevelt com o Marechal Cândido Rondon. O que me chama atenção nesse encontro é que ele é um encontro pouco falado, pouco narrado e pouco conhecido. Nesse sentido, a dramaturgia investe num exercício de imaginar, especular o que teria acontecido entre os dois. A dramaturgia também pensa que há nesse encontro uma síntese de processos históricos importantes, feridas históricas importantes para o nosso país como, por exemplo, a ideologia do progresso e do desenvolvimento, todo processo de colonização, de subalternização do Brasil, dependência do Brasil em relação aos Estados Unidos - processos que hoje cobram o seu preço e se pronunciam em nossas vidas de modo muito visível e avassalador”, explica Pedro Kosovski, dramaturgo.
Temas como o etnocentrismo, a postura colonizadora do homem branco em relação à floresta e seus povos, a hegemonia geopolítica dos EUA sobre Brasil, são abordados pelos personagens em um diálogo aberto e franco. “Estamos cada vez mais desabrigados. O palco é suficiente para nos salvar? Não sei, mas sempre acreditei, e continuo acreditando que o teatro é uma possibilidade de transformação da experiência da existência. Assim vamos nos agregando com nossos pares, da cena e de fora da cena, e sustentando a ilusão de que há potência de construção de uma outra possibilidade diferente daquela do deserto provocado pela voracidade humana. Talvez não seja uma ilusão!”, reflete o diretor Daniel Herz.
Dois atores embarcam no desafio de encenar a célebre expedição do Marechal Rondon e do ex-presidente dos EUA Theodore Roosevelt pelo mítico Rio da Dúvida, no início do século XX. À medida que a narrativa avança, os limites entre atores e personagens se dissolvem, arrastando-os para dentro da própria selva. Entre especulações sobre a expedição histórica e os anseios do presente, a floresta revela seus riscos e os sinais das mudanças climáticas que ameaçam o futuro de todas as espécies.
Ao recriar esse encontro histórico de Roosevelt e Rondon, Nas selvas do Brazyl tem como protagonista a floresta amazônica. A dramaturgia de Pedro Kosovski, baseada em pesquisa histórica, resgata as biografias dos dois personagens e, sobretudo, uma imagem de um país: o Brasil da Velha República expandindo as fronteiras do progresso e seus “expedicionários” colonizando a desconhecida selva. O olhar retrospectivo permite vislumbrar os efeitos nocivos que o modelo colonizador imprimiu sobre o meio ambiente e os povos originários.
O projeto promove debates ao final das sessões, mediado por pessoas que ajudem a elucidar questões levantadas pela peça, como lideranças indígenas e especialistas nas políticas indigenistas lideradas por Rondon, historiadores e ambientalistas que falem sobre o real perigo da savanização da Floresta Amazônica e sobre os perigos das mudanças climáticas.
AUTOR
Dramaturgo, diretor teatral e professor de artes cênicas da PUC-RIO e do Teatro O Tablado, Pedro Kosovski tem mais de vinte peças encenadas no Brasil, apresentou suas criações na América do Sul e Europa. Recebeu indicações e foi vencedor dos mais importantes prêmios do teatro brasileiro, entre os quais, Shell, APCA, Cesgranrio, APTR, Questão de Crítica. Três de suas peças que formam a “trilogia da carioca” (“Cara de Cavalo”, “Caranguejo Overdrive”, “Guanabara Canibal”) estão publicadas pela editora Cobogó.
DIRETOR
Diretor, professor, ator e autor, Daniel Herz tem cinco livros publicados. Desde 1992 é diretor artístico da Cia Atores de Laura, desde 1988 dá aulas de teatro na Casa de Cultura Laura Alvim e desde 2023 dá aulas na CAL/Casa das Artes de Laranjeiras. Recebeu indicações e foi vencedor dos mais importantes prêmios do teatro brasileiro, como Shell, APTR, Cesgranrio, FITA, Cepetin, CBTIJ. Dirigiu sete musicais, entre eles “Geraldo Pereira, Um Escurinho Brasileiro”, “Otelo da Mangueira”, “Tom e Vinícius”, “O Barbeiro de Ervilha”; e três óperas, entre elas “Mozart e Salieri”, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro e “Piedade”, na Sala Cecília Meireles.
Fora da cia, dirigiu 16 espetáculos adultos, entre eles “Cálculo Ilógico”; “A Importância de Ser Perfeito”; “A Vida de Galileu”; “Ubu Rei”, com Marco Nanini, Rosi Campos e os Atores de Laura. Junto aos Atores de Laura, dirigiu 22 espetáculos, entre eles "Decote"; "As Artimanhas de Scapino"; “O Filho Eterno”; “A Palavra Que Resta”. Dirigiu cinco espetáculos infantis e mais de quinze trabalhos em audiovisual, entre TV e cinema. Fez a preparação de elenco da minissérie “Pablo e Luisão”, de Paulo Vieira, na Rede Globo.
SERVIÇO
Nas selvas do Brazyl
Onde: Teatro Luiz Mendonça - Av. Boa Viagem, S/N - Boa Viagem, Recife - PE, 51030-000
Quando: Dias 2 e 3 de maio de 2026. Horários: sab às 20h e dom às 19h / Ingressos: R$ 120 e R$ 60 (meia), na bilheteria do teatro, aberta apenas em dia de espetáculo, duas horas antes de cada sessão ou no site
Capacidade: 586 lugares
Duração: 70 min
Classificação indicativa: 14 anos