Reportagem

Lilás é a cor da prevenção e do acolhimento

Programa “Antes que aconteça” articula ações para oferecer proteção antecipada e surgiu com a finalidade de destinar recursos para estruturar políticas transversais efetivas de combate à violência contra a mulher

TEXTO Danielle Romani

01 de Abril de 2026

Foto Divulgação

A senadora paraibana Daniella Ribeiro (PP) vem, desde 2023, desenvolvendo o programa “Antes que aconteça”. A ação pretende evitar que as mulheres sejam mortas ou agredidas. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 demonstram que a violência contra a mulher entrou numa escalada ascendente. Em 2024, foram registrados 1.492 feminicídios cometidos no Brasil. Uma média de quatro mulheres mortas, diariamente. Muitas vezes, por não concordarem ou não quererem permanecer com seus companheiros.

A tipificação do feminicídio – quando uma mulher é morta pelo fato de ser mulher – foi estabelecida, oficialmente, no país, em 2015 (Lei n. 13.104, publicada em 9 de março de 2015).

Daniella Ribeiro, definitivamente, trabalha para que frases como as ditas pelos personagens do dramaturgo, escritor e jornalista pernambucano Nelson Rodrigues sejam excluídas do vocabulário nacional. Os textos publicados por ele eram recheados de situações misóginas e tragédias.

No caso específico da historieta “O espancador” – parte da série A vida como ela é –  que foi publicada em capítulos no jornal Última Hora, em 1958, há uma das afirmações mais agressivas. No texto, o marido Aristóteles é cobrado pela esposa a deixar de ser “frouxo”, a ter mais “pulso” na relação. Ao procurar o sogro, indignado, ouve dele a seguinte frase: “... Uma coisa te digo: — a mulher normal, sadia, equilibrada, gosta de apanhar… As neuróticas é que reagem. Mas crê no que te digo: — a mulher, realmente feminina, gosta de apanhar.”

Aristóteles segue a recomendação, dá uma surra na mulher e arranca suspiros de amor dela. O episódio é um dos exemplos de como o machismo foi incorporado, década após década, à sociedade brasileira. Não só pelo homem, mas pelas próprias mulheres. Hoje, certamente, a frase de Nelson Rodrigues seria alvo de repúdio e ações por parte de diversos setores da sociedade. A violência, antes “tolerada” e “minimizada”, no passado, não é mais aceita atualmente. Pelo menos na teoria.

No âmbito do Congresso Nacional, foi lançado em 2023 o programa “Antes que aconteça”.  Nasceu com a finalidade de estruturar políticas efetivas de combate à violência contra a mulher, destinando recursos e articulando ações de acolhimento, prevenção, capacitação e empreendedorismo feminino em estados e municípios. Desde então, vem sendo implantado por meio de parcerias com o Judiciário, governos locais e sociedade civil, com o objetivo de instituir uma rede de apoio às mulheres em situação de vulnerabilidade. Entre seus parceiros públicos está o Ministério da Justiça.

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