Centro de Referência do Audiovisual é inaugurado no Cinema São Luiz
No novo ambiente, há uma área voltada à pesquisa e uma mostra permanente de peças do acervo do Mispe
TEXTO Cleide Alves
03 de Julho de 2026
O São Luiz faz parte de uma lista de 12 equipamentos culturais do Estado
Fotos Sila Cadengue/Fudarpe
O mês de julho traz duas novidades para os frequentadores do São Luiz, no Centro do Recife: a ampliação do funcionamento do cinema e a inauguração do Centro de Referência do Audiovisual Pernambucano (Cena). Instalado no segundo andar do cinema, no Edifício Duarte Coelho, o Cena reúne parte do acervo do Museu da Imagem e do Som de Pernambuco (Mispe) e foi apresentado ao público em cerimônia na noite desta sexta-feira (03). O São Luiz volta a exibir filmes de quarta a domingo, a partir do próximo dia 8.
Desde a reabertura da sala, em novembro de 2024, as projeções estavam restritas aos sábados e domingos, para permitir a finalização da obra de restauração, de segunda a sexta. “Vamos fazer uma sessão especial na quarta-feira (08/7), às 19h, para marcar essa nova fase, e da quinta em diante teremos horários à tarde e à noite”, avisa Pedro Severien, curador e programador do cinema. Serão exibidas três películas por dia, a partir das 14h. O São Luiz é um equipamento mantido e gerenciado pelo governo do Estado.

Quem for assistir aos filmes, pode prolongar o passeio e visitar o Cena, uma área de 120 metros quadrados para exposição permanente de fotografias, filmes, discos, partituras (com destaque para o maestro Nélson Ferreira), câmeras, editor de filme, projetor, gravador, cordéis e entrevistas com personalidades da cultura. Uma linha do tempo e uma videoinstalação em três telas registram a história da indústria cinematográfica de Pernambuco, num resgate do Ciclo do Recife, do Ciclo do Super-8 e da Retomada do Cinema.
Pesquisadores também poderão acessar, mediante agendamento, filmes, cartazes, entrevistas, cordéis e outros documentos já digitalizados pelo Mispe. Entre os materiais disponíveis estão registros e depoimentos de personalidades fundamentais para a cultura brasileira, como o poeta João Cabral de Melo Neto, o pintor Cícero Dias, o diretor e ator Ary Severo e a carnavalesca Badia. “De 2023 até agora, conseguimos digitalizar mais de 850 minutos de filmes, a missão do Cena é guardar e transmitir a memória do audiovisual produzido no Estado”, afirma a presidente da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), Renata Borba.

Cada tela da videoinstalação, intitulada O gesto contínuo de invenção de um cinema pernambucano, tem 3 minutos de duração, uma dialogando com a outra, diz Pedro Severien, que assina a curadoria com Simone Jubert. São 30 anos de história resgatados em trechos de 60 filmes lançados de 1996 até 2026. O ponto de partida é a retomada do cinema brasileiro com o Baile Perfumado, drama dirigido por Lírio Ferreira e Paulo Caldas, em 1996.
A seleção evidencia a diversidade estética e a narrativa de obras produzidas no Sertão, Agreste, Zona da Mata, Litoral e centros urbanos, com o suporte das políticas públicas, destacam os curadores. O Cena ocupa o antigo lugar de programação e gestão do cinema. Na época de Luiz Severiano Ribeiro, o empresário fundador do São Luiz, era a sala dos representantes de distribuidoras. “Aqui, estudantes e o público em geral podem entender a trajetória do audiovisual”, ressalta Pedro Severien.

Outra novidade do projeto de restauro conduzido pela Fundarpe é a sala dedicada aos cinemas de rua, no mezanino, aproveitando um espaço vazio criado pela arquitetura do prédio. Nela, o visitante vai encontrar uma videoinstalação em três telas, com a memória visual das salas de exibição do Centro ao interior. Há imagens de cines de rua em atividade (São Luiz, Guarany de Triunfo, São José de Afogados da Ingazeira), em ruínas e de prédios com potencial para serem reabertos e novamente apropriados pela sociedade.
O espaço recebeu o nome de Geraldo Pinho, programador do São Luiz, falecido em 2021, que costumava se referir ao local onde hoje funciona essa sala imersiva como “as entranhas do cinema”. Os novos atrativos, idealizados por técnicos da Fundarpe, possibilitam outra vivência à sala de exibição, inaugurada em 1952 e tombada pelo Estado em 2008. ‘É uma experiência expandida da tela de cinema”, diz Pedro Severien. “Trouxemos novas funções para um lugar que já se consolida como o ninho do audiovisual”, observa Renata Borba.

A inauguração do Cena foi elogiada pela cineasta Kátia Mesel. “Um lugar como esse, para a gente se ver, se rever e se reconhecer, é fundamental. Estou muito contente com essa forma de preservação da memória de Pernambuco, a iniciativa honra Geraldo Pinho, que sempre batalhou por isso”, afirma Kátia Mesel.
Nos dois últimos anos, o São Luiz passou por obras para recuperação do sistema de esgotamento de águas pluviais, restauro do forro de gesso decorado e aquisição de equipamentos de projeção e sonorização. "É um cinema que significa muito para a nossa identidade de recifense e de pernambucano, diz muito do que a gente foi, é e continuará sendo", afirma a vice-governadora Priscila Krause.
Serviço
Cinema São Luiz
Rua da Aurora, 175, Boa Vista, Centro do Recife
Funcionamento: Quarta a domingo, a partir das 14h
Ingresso: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia)
Centro de Referência do Audiovisual Pernambucano - Cena
Segundo piso do Cinema São Luiz
Funcionamento: 10h às 17h (terça a sexta) e 13h às 17h (sábado)
Acesso: gratuito