"Há um movimento natural de intensificação da presença feminina na ABM"
Primeira mulher eleita para a presidência da Academia Brasileira de Música, Ilza Nogueira avalia ações em andamento e divulga projetos da instituição a médio prazo, incluindo os que destacam efemérides do fundador da casa, Villa-Lobos
TEXTO Carlos Eduardo Amaral
05 de Março de 2026
Foto Cássio Nogueira /Divulgação
Organizada e inicialmente liderada por Heitor Villa-Lobos (1887-1959), a Academia Brasileira de Música (ABM) teve, ao longo de seus 80 anos de história, dois presidentes nascidos na região Nordeste: o compositor e pianista pernambucano Marlos Nobre (1939-2024), de 1986 a 1991, e o violonista maranhense Turíbio Santos, de 2010 a 2013.
O terceiro nordestino e primeira mulher será a musicóloga, pianista e compositora Ilza Nogueira. Soteropolitana radicada em João Pessoa desde 1978, Ilza ingressou na ABM em 2003 como ocupante da cadeira n° 27, que tivera como titular o musicólogo padre Jaime Diniz (1924-1989).
Graduada em Piano pela UFBA, Ilza especializou-se em Composição em Colônia (Alemanha) e cursou mestrado e doutorado em Buffalo (Estados Unidos), na mesma área. Pela Yale University (também nos Estados Unidos), concluiu ainda um pós-doutorado em Teoria Musical.
Eleita em meados de novembro para o comando da ABM, a professora aposentada pela Universidade Federal da Paraíba tomará posse no dia 5 de março (Dia Nacional da Música Clássica e data de aniversário de Villa-Lobos), com mandato previsto de dois anos.
Em entrevista concedida por e-mail, devido ao calendário comprometido com a preparação de conferências, a acadêmica faz um balanço das ações implantadas pela ABM desde a pandemia, e dos projetos traçados até o final da década, que abrangem as efemérides de nascimento e morte de Villa-Lobos.
Esses projetos também levam em conta a queda dos direitos autorais do compositor carioca em domínio público, a partir de 1° de janeiro de 2030. Como 100% dessa arrecadação atualmente vai para a ABM, a preparação de medidas de sustentabilidade econômica diversificadas tem sido um ponto central dos planos de gestão da entidade.
Ademais, nas últimas décadas, Ilza empreendeu um longo trabalho de catalogação da obra de diversos conterrâneos pertencentes ao Grupo de Compositores da Bahia – missão sobre a qual ela comenta ao final da entrevista, pontuando também sua própria atuação no campo da produção composicional.
CONTINENTE Qual o balanço que você faz da atual gestão da ABM?
ILZA NOGUEIRA A ABM tem tido excelentes gestões, desde que eu a observo de perto, como membro efetivo; ou seja, desde 2003. Entrei na segunda presidência de Edino Krieger (1928-2022), um experiente administrador, além de um compositor expoente da música brasileira, crítico musical perspicaz (atuante no Jornal do Brasil nos anos 1960 e 1970) e um produtor musical que deixou legados importantíssimos como a Bienal de Música Brasileira Contemporânea, que, em novembro de 2025, completou meio século de vitalidade. Depois dele, tivemos o compositor Ricardo Tacuchian, o violonista maranhense Turíbio Santos, o maestro André Cardoso, o compositor João Guilherme Ripper – cuja gestão, nos dois últimos anos, foi coincidente com o início da pandemia – e, finalmente, a segunda gestão de André Cardoso, na qual ainda estou atuando como vice-presidente.
Esta tem sido uma gestão proativa no que diz respeito à sustentabilidade financeira da ABM para o futuro próximo, quando, em 2030, perderemos nossa principal fonte de recursos: os direitos autorais de Villa-Lobos. Nossa gestão também foi reconstrutiva do modus operandi da ABM, em consonância com a transfiguração do mundo como efeito da pandemia. A virtualidade das comunicações requereu a adaptação e a otimização dos recursos tecnológicos para atender ao novo formato das nossas ações rotineiras (como as reuniões plenárias, por exemplo); isso teve um lado muito positivo, inspirando atividades culturais que, a partir de então, puderam atingir um público muito mais amplo do que quando atuávamos presencialmente.
Os “Encontros ABM”, por exemplo, série de debates mensais virtuais iniciados em 2021 sob minha coordenação, transmitidos ao vivo e depois disponibilizados em nosso canal no YouTube, ampliaram significativamente a relação da ABM com a ampla comunidade da música e das artes em todo o Brasil. Nossos convidados sempre foram não acadêmicos, e apesar da grande maioria serem músicos, também tivemos literatos, cenógrafos, figurinistas, produtores e gestores culturais nesses eventos, que muitas vezes foram conduzidos por jornalistas e críticos musicais.
CONTINENTE Quais avanços a ABM concretizou na atual gestão e quais os que ainda estão em andamento?
ILZA NOGUEIRA Eu diria que as ações desta gestão requerem continuidade, pois a “concretização” deve ser contínua e crescente: tanto na preocupação da sustentabilidade financeira e cultural, quanto na ampliação das ações da ABM para fora de seu nicho. O fortalecimento do reconhecimento internacional da ABM é outra ação iniciada no final deste ano, para ter continuidade na próxima gestão. Há muito tempo, nosso quadro de membros correspondentes – que já teve nomes expoentes como os pianistas Arthur Rubinstein (1887-1982), Marguerite Long (1874-1966), Mieczyslaw Horszowski (1892-1993) e o compositor Alberto Ginastera (1916-1983) – estava, até há pouco, como um imponente “memorial”. Iniciamos sua reativação em outubro de 2025 com seis novos membros de Portugal, da França e da Finlândia, todos musicólogos.
Isso precisa ter continuidade em outros países da Europa, da América do Norte e do Sul, sem excluir possibilidades em outros continentes. Precisamos também intensificar o diálogo com a ampla comunidade musical do Brasil em eventos seriados, indo além dos “Encontros ABM”. Por exemplo, pretendemos fazer uma aliança com a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), especialmente com a Rádio MEC e a TVE, no sentido de realizarmos produções conjuntas, como séries de podcasts com personalidades da música em todo o Brasil e programas educativos televisivos, e ampliarmos significativamente a audiência dos concertos promovidos anualmente pela ABM (como a Série Brasilianas), através da TVE.
CONTINENTE E quais são os projetos para a sua gestão à frente da ABM?
ILZA NOGUEIRA Metas chamam projetos; temos duas metas importantes para os anos de 2027 e 2029. A primeira é a celebração dos 140 anos do nascimento de Villa-Lobos, em março de 2027; a outra são os 70 anos da sua morte, em novembro de 2029. Pretendemos realizar essas comemorações envolvendo outras instituições parceiras, como o Museu Villa-Lobos, importantes orquestras e grupos de câmara em todo o Brasil, instituições de ensino e pesquisa brasileiras e estrangeiras (às quais nossos membros correspondentes são afiliados profissionalmente), secretarias estaduais de Educação e Cultura.
São projetos para essas duas metas, por exemplo: a instituição de concursos nacionais que envolvam atividades artísticas e pedagógicas (um concurso de coros e outro de monografias para a rede de ensino médio), publicações específicas e simpósios ou eventos congêneres a respeito do legado artístico e educacional de Villa-Lobos. Ainda é preciso conduzi-lo aos devidos lugares de um compositor de grande inteligência criativa, muitas vezes percebido como um produto brasileiro exótico (principalmente no exterior) e de uma personalidade que significou muito mais que uma excêntrica personagem de utilidade pública ao Governo Vargas.
Um projeto de outra dimensão que pretendo implementar é instituir um novo modelo de gestão administrativa na Academia, mais adequado aos propósitos que necessitam estar operativos a partir de 2030: rentabilidade financeira, com organização independente de setores produtivos, cooperativos, administrativos e comerciais. Nossa gestão tem a responsabilidade e o desafio de instituir mudanças na forma de pensar a administração da instituição. No entanto, destituir um modelo vigente há 80 anos, que serviu bem ao passado, mas não se adequa tão bem ao presente e o futuro ambicioso que pensamos para a ABM – por ser muito centralizador e, por isso menos ágil do que necessita ser –, este será, certamente, meu maior desafio na presidência da ABM.
CONTINENTE Com a queda da obra de Villa-Lobos em domínio público, como a ABM está se preparando para manter sua sustentabilidade? A ABM tem outra fonte de recursos fora a arrecadação de direitos autorais do compositor?
ILZA NOGUEIRA Desde que a pandemia requereu o desenvolvimento tecnológico para as presenças virtuais, nossa despesa com passagens e hospedagens para assembleias e reuniões comemorativas anuais diminuiu consideravelmente. Isso é um fato positivo. No entanto, a preparação para esse futuro próximo tem sido a preocupação principal da atual gestão, do maestro André Cardoso. Neste sentido, temos feito investimentos financeiros e adquirimos, recentemente, um andar no prédio da nossa sede, para reformá-lo e comercializá-lo em aluguéis. Não se pode esperar muito do Banco de Partituras (setor de venda e aluguel de partituras da ABM), mas obviamente temos que pensar em alternativas de explorá-lo mais, o que requer sempre sua ampliação. Pensamos, inclusive, em contratar uma assessoria administrativa, para nos orientar em como melhor equilibrar receitas e despesas. Ideias terão que vir, e apostamos que iremos subsistir.
CONTINENTE Atualmente, há um movimento natural de intensificação da presença feminina na ABM, com 25% de seu quadro atual composto por mulheres e com você se tornando a primeira presidente da instituição. Podemos esperar também uma maior inclusão geográfica na entidade (que atualmente concentra mais membros residentes no Rio, com uma menor porcentagem em São Paulo e na Bahia)?
ILZA NOGUEIRA Penso que o interesse pela ABM depende muito de uma interlocução inter-regional. E creio que o desenvolvimento de uma política de expansão das nossas atividades para fora da região Sudeste, mesmo acontecendo em eventos virtuais, como são os “Encontros ABM”, vai aos poucos promovendo o diálogo da Academia com músicos e intelectuais de outras regiões e fazendo a ABM ser reconhecida como instituição nacional, que se importa com a inclusão da diversidade regional. O fato de a presidência sair do Rio de Janeiro deverá também ser um fator de percepção dessa vontade institucional de se fazer conhecer mais e atuar mais fora do seu nicho tradicional. Está nos planos buscar parcerias nas cinco regiões do Brasil e assim podermos realizar ações conjuntas, que reafirmem a ABM como uma instituição brasileira, tal como certamente desejou Villa-Lobos ao criá-la.
CONTINENTE Quais são os critérios para ser admitido na ABM?
ILZA NOGUEIRA Nosso quadro de membros efetivos compõe-se de músicos brasileiros, natos ou naturalizados, atuantes na criação musical, na interpretação ou na musicologia. São condições de elegibilidade a autoria de obras musicais ou musicológicas de reconhecido mérito, editadas ou divulgadas por qualquer meio, ou a condição de intérprete de reconhecimento notório e de méritos excepcionais na difusão da música brasileira. A candidatura para as vagas declaradas abertas dá-se por iniciativa do candidato, através de carta dirigida ao presidente da ABM acompanhada do currículo do candidato. Temos também um quadro de membros correspondentes, estrangeiros ou brasileiros domiciliados no exterior, cuja exigência, além da óbvia notoriedade, é a vinculação à música brasileira, como compositor, intérprete ou musicólogo. Atualmente, temos sete membros correspondentes na Europa.
CONTINENTE Como funcionam a Biblioteca e o Banco de Partituras da ABM? Que obras ou coleções você poderia destacar nesses dois setores?
ILZA NOGUEIRA Pode-se dizer que a Biblioteca Mercedes Reis Pequeno e o Banco de Partituras são dois preciosos equipamentos da memória da música brasileira. Os respectivos acervos constam não somente da produção dos acadêmicos e sobre eles (patronos, fundadores e sucessores), como também da produção do compositor e do musicólogo brasileiro, daqueles que têm interesse em disponibilizar sua produção na ABM, para sua memória. O desafio da Biblioteca, já há alguns anos, é transformar o acervo impresso em digital, para ampliar sua utilidade pública. Isso requer trabalho de formiguinha; tempo, portanto. No entanto, apesar de este banco de dados estar em construção, ele já atende a muitos pesquisadores, por demanda. Vale salientar que o acervo de Villa-Lobos em nossa biblioteca é expressivo em documentos, cartas e fotos. Outros acervos importantes são o das musicólogas Mercedes Reis Pequeno (1921-2015) e Cleofe Person de Mattos (1913-2002), como também dos musicólogos Vasco Mariz (1921-2017) e José Maria Neves (1943-2002).
O Banco de Partituras, cujo acervo mais precioso é o de Villa-Lobos, é aberto a todos os compositores brasileiros e tem hoje cerca de 4 mil títulos, com grande concentração de música orquestral. Grande parte desse acervo ainda implica digitalização e tratamento de manuscritos, quando não edição digital (o que requer recursos financeiros, evidentemente). O compositor brasileiro ou o detentor de seus direitos autorais que deseja depositar sua obra no Banco, disponibiliza-a para comercialização (venda ou aluguel), tendo direito a um percentual do valor comercializado. O Banco está aberto não somente à produção dos acadêmicos, mas também de todo o compositor brasileiro que deseje que a ABM cuide de seus interesses comerciais e de sua memória. Temos também contado com parcerias institucionais significativas, como a da Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo), editando partituras para nós e, assim, adquirindo o direito de uso privado para a orquestra.
CONTINENTE Qual a atuação da ABM no cenário musical brasileiro hoje?
ILZA NOGUEIRA Eu vou me deter em um exemplo atual, que é 26ª edição da Bienal de Música Brasileira Contemporânea, cujo cinquentenário está sendo celebrado neste mês, no Rio de Janeiro, pela proatividade da Academia. A realização cabe à Funarte, mas toda a organização coube ao presidente da ABM, o maestro André Cardoso, coordenador artístico da Bienal. A programação foi decidida e montada em equipe, por acadêmicos e pela nossa diretora executiva, Valéria Peixoto. A organização dos oito concertos, com 50 obras – entre orquestrais, de câmera e eletroacústicas –, coube ao maestro Cardoso. Isso envolveu a decisão dos compositores participantes e das obras que serão executadas, a designação e convite de intérpretes, a captação e impressão das partituras e partes, e até mesmo o que nem sei, mas imagino que pode acontecer, como urgências de última hora. A Escola de Música da UFRJ é outra instituição tradicionalmente parceira da Bienal e que, em grande parte, tem a responsabilidade de fazer o evento acontecer da melhor forma possível. Os concertos estão sendo transmitidos ao vivo e disponibilizados no YouTube. Acho que este é um bom exemplo de como a ABM atua adiante dos seus limites institucionais, como órgão ativo na difusão da música brasileira – neste caso, via Bienal, um dos mais importantes espaços de criação e difusão da música de concerto no país.
CONTINENTE Você organizou os catálogos de obras de cinco compositores conterrâneos (Ernst Widmer, Lindembergue Cardoso, Jamary Oliveira, Fernando Cerqueira e Agnaldo Ribeiro). Como é o processo de elaboração de um catálogo dessa espécie?
ILZA NOGUEIRA Esses compositores compuseram o conhecido Grupo de Compositores da Bahia, fundado em 1964 e ativo durante uma década na promoção da música contemporânea em Salvador. Foi um movimento de vanguarda que instituiu a realização anual de festivais, cursos e concursos de composição, a princípio regionais, depois nacionais e até mesmo internacionais. Esse grupo, do qual também participei entre 1968 e 1971, enquanto estudante na UFBA, mobilizou a vida cultural da cidade e atraiu muitos jovens de outros estados para participarem. A realização dos catálogos foi fruto de um longo projeto de pesquisa meu no CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) que incluiu, além dos catálogos, edições críticas de partituras consideradas marcos históricos daquele movimento, com comentários analíticos. Esse projeto, Marcos Históricos da Composição Contemporânea na UFBA, tem site próprio, onde toda a produção está disponibilizada, incluindo os catálogos.
Catalogar é um processo laborioso, requer consulta aos manuscritos e edições, e um estreito contato com o compositor, que se torna “parceiro”. No caso de compositores falecidos, na época em que me dediquei à catalogação, como Widmer (1927-1990) e Cardoso (1939-1989), o acesso a suas obras foi através dos herdeiros dos direitos autorais. No caso de Widmer, a Sociedade Ernst Widmer, em Aarau, sua cidade natal. Estive na Suíça, em 2009, para fotografar esses documentos, manuscritos ou editados, e caracterizá-los da forma mais minuciosa possível. A Sociedade me hospedou durante 12 dias e o CNPq bancou a passagem. O catálogo foi também publicado de forma impressa pela ABM, de forma bilíngue (em inglês e português), tendo em vista a dupla nacionalidade de Widmer. No caso de Cardoso, a viúva do compositor foi muito acessível, recebendo-me em sua residência algumas vezes, outras vezes no Memorial Lindembergue Cardoso, onde parte do acervo se encontra.
Consegui, inclusive, uma bolsa de apoio técnico do CNPq para um dos filhos de Lindembergue, que trabalhou comigo durante uns dois anos, não só no catálogo como na elaboração do site. Já os catálogos de Agnaldo, Jamary (1944-2020) e Fernando contaram com a colaboração deles mesmos, mas nunca dispensando minhas estadas em Salvador para o trabalho metódico. Isso era até prazeroso, porque eu trabalhava e estava em família, hospedada com minha mãe. Fernando Cerqueira continuou compondo após a primeira edição; neste ano, atualizei e publiquei o catálogo pelo selo ABM, estando disponibilizado no site da Academia.
CONTINENTE As partituras desses compositores estão editoradas? Como se pode alugá-las ou comprá-las?
ILZA NOGUEIRA Muitas partituras foram editadas em séries, pela Editora da UFBA, nos anos 1980 e 1990, mas em edições impressas e esgotadas. No próximo ano, a EDUFBA lançará álbuns de Fernando Cerqueira (músicas orquestrais e de câmara). “Resumo da ópera”: o acesso é sempre difícil. Por isso vimos estimulando os compositores a depositarem obras no Banco de Partituras da ABM, pois esse é um acesso seguro e ágil. Widmer, Lindembergue e Jamary, que foram membros da ABM, têm algumas obras no nosso Banco.
CONTINENTE Você continua a compor? Quais as suas obras estreadas mais recentemente. Há alguma que está por estrear?
ILZA NOGUEIRA Eu diria que sou uma compositora sazonal. Quando tenho encomendas, escrevo sempre alguma coisa; e hoje em dia a “moda” é gravar “mulheres compositoras”. Não tão recentemente (2019), compus, para o duo Rafaell Altino e Ana Lúcia Garcia, Brasil 1959: seresta, choro e frevo para Villa, cuja Seresta foi estreada e gravada por eles em CD em 2023 e está disponibilizada no Spotify . A estreia da peça integral ocorreu em outubro de 2024, por Daphne Gerling (viola) e Tomoko Kashiwagi (piano), no 49° Congresso da International Viola Society, em Campinas, São Paulo.
No ano passado, recebi uma encomenda do Duo Salles-Barrenechea (violino e piano) e compus Seis epitáfios para Arnold, pelos 150 anos de nascimento de Arnold Schoenberg, em 2024. A gravação da estreia (em setembro de 2024, na cidade de Rosário, Argentina) está disponibilizada no YouTube, e o duo tem projeto de uma gravação comercial no próximo ano. Em julho do ano passado, minha versão para cordas da Suíte Caymmiana (originalmente História de Pescadores, para quinteto de cordas) foi estreada no Rio de Janeiro, pela Orquestra de Cordas de Volta Redonda (com gravação disponibilizada no YouTube).
A última encomenda é do Quarteto de Flautas da Bahia, para uma gravação no próximo ano; ainda não iniciei a peça e espero poder me dedicar a ela a partir de janeiro. Coisa rara – mas acontece – é o fato de obras encomendadas nem serem estreadas; é o caso de uma peça para flauta solo (Trajetórias, 2022), dedicada a um flautista que, por motivo de saúde, deixou a flauta.
CARLOS EDUARDO AMARAL, jornalista, crítico musical e autor de biografias musicais