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Curtas

Além das horas

Escritora Rejane Markman lança primeira ficção e se define como "romancista tardia"

TEXTO Luciana Veras

18 de Agosto de 2021

"Em todos os meus escritos, sempre penso a perspectiva feminina", diz Rejane

FOTO Divulgação

[conteúdo exclusivo Continente Online]

"Rejane Markman é PHd em Jornalismo e Ciências da Comunicação
. Foi professora de Jornalismo e Relações Públicas durante muitos anos da Unicap-PE. Tem livros acadêmicos publicados e agora lança-se na ficção como uma escritora tardia." A descrição sucinta abre o material de divulgação de Além das horas (SGuerra Design, 2021), o primeiro romance desta pernambucana que de fato, por um longo tempo, deu aulas de metodologia científica para centenas de profissionais da comunicação. Porém, nessa descrição, faltam adjetivos que adicionam camadas de significado a essa nova fase da mestra e doutora aposentada que se descobriu ficcionista: Rejane se vê como uma "feliz e empolgada escritora tardia". 

Porque ela, de fato, se empolgou, como revelou à Continente em uma conversa por chamada de vídeo, uma ligação a conectar o Recife, onde reside um dos seus quatro filhos, e Vancouver, cidade canadense onde vive desde 2010. "Tive experiências com coletâneas de contos, depois escrevi esse primeiro livro solo e já produzi, também, um outro volume de contos, chamado Mulheres atrevidas, que sairá ainda esse ano pela editora Astrolábio, de Lisboa. Em todos os meus escritos, sempre penso a perspectiva feminina, mas marcada por um olhar para questões sociais, políticas, e com um conteúdo surrealista", situa Rejane. 

Além das horas se ambienta em uma pequena cidade da Columbia Britânica, região que a autora estudou para dar um "background real" à trama. Jenny, a protagonista, é filha de um casal de imigrantes ingleses que finca raízes em uma antiga fazenda. Um episódio de violência sexual na infância molda a atitude da menina. Anos depois, casa-se com um boêmio que chafurda no álcool e a trata mal. Na tentativa de salvar o matrimônio, Jenny se muda com o marido para a propriedade familiar, onde conhece uma figura misteriosa chamada Comendador. Seria ele real, a reencarnação de um personagem histórico ou imaginação da sua mente frágil? Qualquer que seja a resposta, estabelece-se uma relação entre os dois, o que fortalece a confiança de Jenny para agir de forma outrora impensável e "escapar de qualquer culpa", nas palavras da escritora.

Se ela é didática e disciplinada nos vídeos que posta em seu canal no YouTube, defendendo uma "metodologia amigável" para dar dicas de como elaborar uma bibliografia ou como estruturar os trabalhos de conclusão de curso, em seu processo criativo ela se deixa conduzir pela intuição. "Não tenho um horário fixo para escrever. É tudo intuitivo, quando a ideia vem, eu começo a anotar e depois já vou pensando na história. Realmente, não tem tanto método ou ordem", revela, entre um sorriso e outro. 

Uma década morando no Canadá, após um longo processo de imigração, pode ter sido o catalisador para a sua entrada na ficção. Entretanto, Rejane Markman sabe que a literatura não se aparta da vida, muito menos dos problemas estruturais do seu país de origem. "O que está acontecendo no Brasil é uma tragédia, que começou quando tiraram a presidenta Dilma Rousseff e segue na pandemia. Um dos contos do meu próximo livro fala sobre um feminicídio, que é uma triste realidade no país. Acredito que a literatura tem que falar da violência contra a mulher e da opressão do machismo", adianta.

O romance está à venda em livrarias virtuais como a Amazon.

LUCIANA VERAS, repórter especial da Continente.

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