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Entrevista

“Utilizo muito a palavra como feitiço”

Ao lançar seu mais recente disco, Trava Línguas, Linn da Quebrada discute a linguagem como ferramenta para inserir representações sociais divergentes em lugares de exclusão

TEXTO GG ALBUQUERQUE

01 de Outubro de 2021

FOTO Wallace Domingues/Divulgação

[conteúdo disponível na íntegra na Continente impressa e digital | ed.250 | outubro de 2021]

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Linn da Quebrada costumava dizer que a arte havia salvado a sua vida. Afinal, foi através da música que a artista nascida e criada na Fazenda da Juta, periferia do extremo leste da cidade de São Paulo, pôde acessar lugares aos quais jamais imaginava que teria acesso. Pajubá, seu álbum de estreia lançado em 2017, a levou aos palcos de renomados festivais de música do Brasil e do mundo, somando apresentações em mais de 15 países. No ano seguinte, o documentário Bixa travesty (2018), um retrato da sua vida e obra, foi premiado nos festivais de cinema de Toronto, Barcelona e Brasília, fazendo seu nome circular ainda mais. E, em 2019, ela estreou na televisão atuando na série da Globo Segunda chamada e como apresentadora do talk show TransMissão, no Canal Brasil, ao lado de Jup do Bairro.

Hoje, porém, aos 31 anos, a visão de Linn sobre o mundo da arte não possui nenhum vestígio de romantismo ou idealização. “Esse ano eu entendi que a arte é uma desgraça”, diz ela, em entrevista por videochamada direto de sua casa. “A arte é uma indústria. E, agora, estando dentro dessa indústria, eu percebo o quanto a arte, na verdade, é mais uma ferramenta de captura. Ela é mais uma dessas formas de manutenção do sistema. Não foi a arte, mas sim o meu fazer artístico que salvou minha vida. A arte tirou muito de mim. A arte enquanto indústria me adoeceu.”

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