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Reportagem

O caminho ainda é a guerra contra as drogas?

O Brasil segue negando-se a discutir, de forma séria, sem hipocrisia e de modo não proibicionista, o uso dessas substâncias

TEXTO LUCIANA VERAS
ILUSTRAÇÕES GREG

01 de Abril de 2021

ILUSTRAÇÃO Greg

[conteúdo na íntegra ed. 244| abril de 2021]

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“O problema das drogas é uma coisa que foi discutida em níveis profundos no mundo inteiro. Por que não no Brasil? Por que manter esse obscurantismo, esse medo da modernidade, esse medo da atualidade, esse medo de estar hoje no mundo?”
(Gilberto Gil, em 1976)

Não é errado escrever que, em março de 2021, maconha era uma das palavras mais lidas, googladas, tuitadas e instagramadas no Brasil. No primeiro dia do terceiro mês do ano, ganhou as redes sociais a notícia de que o desembargador Cid Marconi, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5), havia suspendido a liminar que possibilitava à Associação Brasileira de Apoio Cannabis Esperança – Abrace, sediada em João Pessoa, na Paraíba, o cultivo de cannabis com propósitos medicinais. Horas mais tarde, já na madrugada de 2/3, um diálogo entre participantes do reality show Big Brother Brasil, exibido pela TV Globo, trazia o economista pernambucano Gilberto Nogueira desvelando o seu doutorado para Fiuk e Thaís. “A minha área de pesquisa é a parte teórica, eu crio modelos matemáticos. Sou de fazer uma conta que explica alguma coisa. E meus modelos são para explicar o mercado de drogas”, detalhava Gil, em uma conversa que viralizou tão logo apareceu no seu perfil no Twitter – @gilnogueiraofc.

“Meu Q é a efetividade da ação da política, aí eu pego um VA como a violência que o traficante vai utilizar para impedir que a polícia tenha sucesso na repressão, e um VR como a violência que a polícia vai colocar para conseguir ser mais eficaz e mais eficiente na ação do que o próprio traficante. Pego uma variável, várias variáveis, e faço as contas: qual o preço que o traficante vai cobrar pela droga? Como o traficante responde quando o Estado decide aumentar a quantidade de investimento em repressão? É teoria dos jogos que chama isso”, prosseguia Gil, aluno do Programa de Pós-Graduação em Economia da Universidade Federal de Pernambuco, o PIMES. “Aí divido em dois, atacado e varejo, e pego o traficante que usa para manter seu consumo e o traficante de atacado, aquele grandão, que normalmente não é preso, mas, quando é preso, tá em casa, sentado, bebendo champanhe e a polícia chega e leva ele numa boa”.

Embora Gil não tenha usado a palavra para a qual o dicionário Houaiss traz verbete como “droga de efeito entorpecente preparada com os ramos, folhas e flores do cânhamo, cortados e secos, curtidos em substâncias com o mel, conhaque etc., consumida como o tabaco, e cujo componente ativo é o tetraidrocanabinol”, seus fãs se ligaram. “Entendi que ele quer demonstrar matematicamente que o aumento da repressão ao mercado de drogas tem como consequência direta o aumento da violência dos traficantes. Então a diminuição da repressão (ex: liberação da maconha), poderia diminuir os índices de violência do tráfico”, compreendeu @nickbrooman no Twitter.

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