Resenha

O horror e a luxúria em “Labirinto dos garotos perdidos”

Novo longa-metragem do cineasta paulista Matheus Marchetti chega aos cinemas de todo o Brasil nesta quinta-feira (4)

TEXTO Laura Machado

04 de Junho de 2026

Foto Sinny/Divulgação

Nesta quinta-feira (4), o longa-metragem nacional Labirinto dos Garotos Perdidos chega aos cinemas de todo o Brasil. Roteirizado e dirigido pelo cineasta paulista Matheus Marchetti, a obra é uma fábula queer claustrofóbica que mistura desejo e terror. 

Depois de estrear na 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e passar também no 22º Fantaspoa (Festival de Cinema Fantástico de Porto Alegre), Labirinto dos Garotos Perdidos foi o filme escolhido como primeiro lançamento nacional distribuído pela plataforma Filmicca.

A trama acompanha Miguel, um jovem retraído que sai do interior onde sempre morou para São Paulo, onde se hospeda na casa de um antigo amigo. Agora na cidade grande, ele quer vivenciar tudo que o cenário queer tem a oferecer e durante a noite, parte em uma série de encontros e desencontros com diferentes homens e lugares da cidade. Enquanto ele busca a maior liberdade que SP costuma oferecer à comunidade gay, recebe avisos sobre uma onda de assassinatos que vêm assustando os moradores. 

Sobre as duas linhas que se conectam, Marchetti deu uma entrevista ao portal Esqueletos no Armário onde afirmou: “Eu queria manter a minha ideia original, que era fazer um filme sobre encontros sexuais, quase uma pornochanchada, ou seja, uma comédia erótica, mas com essa sensação de perigo pairando sobre tudo. Essa impressão de que há alguma coisa acontecendo nas entrelinhas e que, em algum momento, vai invadir a narrativa principal. Que esses dois filmes, de alguma forma, vão se encontrar”.

Assim como o clássico Depois de Horas, do premiado diretor Martin Scorsese, a película se passa inteiramente em uma noite e funciona como uma jornada de autodescoberta para o protagonista. 

Além disso, com atmosfera fantasmagórica e quase sensível ao toque, o longa-metragem utiliza elementos góticos e cores vibrantes que lembram o cinema do italiano Dario Argento (Suspiria). Assim como na sua obra-prima, o vermelho é utilizado em contraste com tons mais claros e as cenas parecem belas composições estruturadas a fim de questionar o que é real.

Labirinto dos Garotos Perdidos traz para o centro da narrativa o desejo sexual de um jovem em autodescoberta e trata com transparência causos de experiências sexuais frustradas. Apesar de cenas até cômicas, Marchetti sabe construí-las sem permitir que o longa perca a aura claustrofóbica e misteriosa. Assistir ao resultado final é estar sempre sentado na borda da cadeira, como se preparado para saltar. 

Utilizando o desejo como fio narrativo, o sombrio está sempre à espreita e as cenas onde o horror se apropria totalmente dos personagens se utiliza dos jogos de luz e sombra para criar cenários oníricos e quase irreais. 

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