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Entremez

18 desejos para 2018

TEXTO Ronaldo Correia de Brito

03 de Janeiro de 2018

Que as reservas indígenas continuem propriedade dos seus mais verdadeiros proprietários

Que as reservas indígenas continuem propriedade dos seus mais verdadeiros proprietários

FOTO Cláudia Andujar

Não custa nada desejar. Nossos desejos movem o mundo e transformam a realidade. Segue a minha lista para 2018. Você, já fez a sua?

- Que cesse a violência contra as mulheres nas ruas, escolas, no trabalho, em casa, nas músicas e publicidades machistas. Que os homens possam se reconhecer nas mulheres, reconhecendo as diferenças, e nunca deixem de respeitá-las e amá-las.

- Finalmente seja aprovada a lei que proíbe campanhas publicitárias de bebidas alcoólicas. Em nome da liberdade de expressão, as empresas de publicidade, jornais, revistas, televisão e os fabricantes venceram todos os rounds da luta contra o incentivo ao consumo de álcool.

- O silêncio seja reconhecido como um direito do cidadão e os poluidores sonoros punidos. Que se controlem as armas de poder destrutivo: sons domésticos, sons de automóveis, barulho de motos, bicicletas e carros fazendo propaganda nas ruas.

- As prefeituras das cidades controlem a poluição visual, o uso abusivo de placas, faixas, anúncios e outdoors. Coíbam as construções desordenadas de casas e prédios, que fazem de nossas cidades verdadeiros amontoados urbanos, sem nenhum controle estético.

- Os cidadãos assumam junto com os órgãos públicos a responsabilidade pelo lixo que produzem. Organizem coletas seletivas e ponham lixo apenas em lixeiras.

- Haja investimentos de todos os poderes públicos para a educação de nossas crianças, jovens e adultos e consigamos sair da vergonhosa posição que ocupamos no ranking mundial. E as famílias – a exemplo das nações asiáticas – também se sintam responsáveis por educar os seus membros.

- Que os acidentes com motocicletas deixem de ser um problema de saúde pública e uma sangria para os cofres da Previdência Social. Façam valer as medidas para normatizar o uso das motos, o controle e a fiscalização das mesmas.

- Passado o Império, de fato se vendam as joias que Dom Pedro II prometeu vender e se solucione a escassez de água no Nordeste. Milhões de nordestinos vivem em condições sub-humanas, num quase genocídio.

- Desejo um país que leia boa literatura, escute boa música e veja bons filmes. Que as livrarias e cinemas proliferem como os bares e as farmácias, os livros custem barato e sejam acessíveis a todas as pessoas.

- Que em 2018 saiamos da rota do turismo sexual de rapazes, moças e crianças. Que nossa imagem seja a de um país livre, alegre, sem preconceitos, nunca a de um país que oferece o corpo e a alma de seus filhos a troco de alguns reais ou de um prato de comida.

- Que as ruas sejam novamente ocupadas por milhões de brasileiros exigindo respeito aos direitos constitucionais.

- Que diminua o abismo entre pobres e ricos e nos aproximemos dos ideais de igualdade de toda verdadeira república.

- A extrema direita seja banida e os que sonham com a volta de um regime militar de exceção possam enxergar o equívoco desse sonho, o dano que ele significou num passado recente.

- Que as nossas universidades públicas permaneçam gratuitas, com incentivos para a pesquisa e o desenvolvimento, melhorem os salários dos professores, aumentem o número de bolsas de mestrado, doutorado, e sejam recuperados espaços físicos, laboratórios, bibliotecas, imprensa etc., pondo fim a um onda de abandono, perseguição e sucateamento.

- Que a Amazônia brasileira continue sendo território brasileiro e as reservas indígenas sejam demarcadas e continuem propriedade dos seus mais verdadeiros proprietários: os índios.

- Que a minoria branca reconheça a mestiçagem do povo brasileiro, pondo fim à crescente onda de preconceitos e discriminações aos afrodescendentes.

- Que 2018 seja o reinado da inteligência, sensibilidade e poesia.

Amém!

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*As opiniões expressas pelos autores não representam
necessariamente a opinião da revista Continente.



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