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Curtas

Saudade

Documentário de Paulo Caldas, com 87 minutos, traz a abordagem do tema a partir do depoimento de artistas amigos

TEXTO Marcelo Abreu

12 de Janeiro de 2018

O cineasta Paulo Caldas com claquete de seu novo filme

O cineasta Paulo Caldas com claquete de seu novo filme

Foto Divulgação

O novo trabalho do cineasta Paulo Caldas é o longa-metragem Saudade, um documentário que explora o tema a partir de entrevistas realizadas com 42 pessoas ligadas ao meio artístico. O filme, cuja estreia está prevista para o dia 18 deste mês, teve três exibições até agora: na Mostra Internacional de São Paulo, no recente Fest Aruanda, de João Pessoa, e, no dia 9 de dezembro, na mostra Retrospectiva/Expectativa, do Cinema do Museu, da Fundação Joaquim Nabuco.

O documentário de 87 minutos é o resultado de um trabalho de três anos envolvendo gravações em Portugal, Angola, Alemanha e em várias cidades do Brasil. Teorizam ou improvisam sobre o tema nomes como os pernambucanos Antônio Marinho, Jomard Muniz de Brito, Adriana Falcão, João Câmara e Johnny Hooker. E artistas de outras partes, como Milton Hatoum, Arrigo Barnabé, Zé Celso Martinez, Karim Ainouz, Deborah Colker, Bráulio Tavares e Arnaldo Antunes, entre outros. Há também várias entrevistas com portugueses e angolanos.

As respostas dos entrevistados sobre um dos temas mais subjetivos que existe são compreensivelmente subjetivas. Isso faz com que fiquem no ar algumas ideias apressadas e bastante discutíveis, como a noção de que a saudade é um sentimento essencialmente da cultura lusófona, intensificada a partir da era das explorações marítimas. E também a ideia de que a palavra não existe em outras línguas. Como não há entrevistas com antropólogos, psicólogos ou linguistas que possam discutir conceitos de forma mais embasada, as ideias dos artistas não são contestadas no filme.

Perguntado sobre isso, Paulo Caldas afirma que evitou entrevistar especialistas para não dar ao filme um tom professoral, preferindo manter mesmo um “clima mais emocional”.

O filme Saudade faz parte de um projeto mais amplo que envolve uma série de televisão no Canal Arte 1. Serão oito episódios de uma hora cada um, que começarão a ser exibidos a partir do meio de 2018. Na série, serão exibidas cerca de 100 entrevistas, também somente com artistas de língua portuguesa. As gravações na Alemanha foram com artistas brasileiros que moram lá, como é o caso do cineasta cearense Karim Ainouz. Ao contrário do filme, os episódios da série televisiva serão temáticos, ligando a saudade a temas como música, amor e imagem.

As oito horas a serem exibidas foram selecionadas a partir de 300 horas de gravação. “Estamos conservando esse arquivo de forma inteligente, para que seja útil no futuro também. Esse registro de 100 artistas de língua portuguesa mostra como eles interpretam a saudade na obra deles. Como é um sentimento tão múltiplo, cada um acaba tendo uma relação diferente”, afirma Paulo Caldas, paraibano radicado no Recife desde 1978 e que tem no currículo trabalhos como os longas Baile perfumado, Deserto feliz e País do desejo.

Todo o material do filme e da série Saudade é original, sem imagens de arquivo. Segundo o diretor, um dos critérios para selecionar os entrevistados foi dar preferência a artistas amigos ou com quem tinha amigos em comum.

Na parte musical, o filme liga a saudade a gêneros como frevo-canção, fado português e bolero. “Com o fado, a gente tentou ser econômico. Artistas jovens em Portugal hoje querem se livrar do sentimento da saudade”, diz o diretor.

*Atualização em 5 de abril de 2018:
No Recife, o filme está em cartaz no Cinema da Fundação.

MARCELO ABREU é jornalista e autor do livro Viva o Grande Líder – Um repórter brasileiro na Coreia do Norte.


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