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Curtas

Bell Puã

Jovem poeta pernambucana vence o 'Slam BR – Campeonato Brasileiro de Poesia Falada', destacando-se nacionalmente entre meninas e meninos de vários estados

TEXTO Eduardo Montenegro

19 de Dezembro de 2017

A poeta Bell Puã, 24 anos, arrasou com seus versos no 'Slam BR 2017'

A poeta Bell Puã, 24 anos, arrasou com seus versos no 'Slam BR 2017'

Foto Sérgio Silva/Divulgação

[conteúdo exclusivo Continente Online | dez 2017]

É que pra vocês nós é caricatura

Não importa de onde eu venha,
Me chamam 'paraíba'
me respeita, boy!
Sou da terra de Capiba,
Mestre Vitalino,
Paulo Freire,
Manoel Bandeira,
brega,
frevo,
coco de roda,
maracatu,
cultura popular pulsante,
Lia de Itamaracá,
Luiz Gonzaga lá do Exu,
Pernambuco, só dá tu!

Foi assim que Bell Puã bradou e recitou sua poesia no último dia do Slam BR – Campeonato Brasileiro de Poesia Falada, no domingo (17/12). Do evento nacional realizado em São Paulo, ela saiu vencedora com destino a Paris, onde irá competir mundialmente em maio de 2018. Seu poema, aclamado pela plateia e pelo júri, não somente enaltecia Pernambuco, mas – como é característica do slam – o afrontava. “O slam não é qualquer poema, é poema combativo, afrontando a ordem, os bons costumes”, comenta Bell, em entrevista à Continente Online.

Na sua recitação no Slam BR, dava veemência a certos versos, tais como “respeita a capitania de Zumbi dos Palmares,/ símbolo da negra luta”, através do uso do corpo. Dessa forma, mesclava à condução poética não somente a linguagem falada, mas corporal, em potência contemporânea. “No geral, poesia é uma manifestação artística, sensível do ser humano. Poesia eu acho que tem várias, não só a palavra”, define a poeta de 24 anos, moradora hoje do bairro de Boa Viagem. 

A cultura dos slams, na verdade, começou em Chicago, nos Estados Unidos, por volta dos anos 1980, em ressonância à expansão da cultura hip-hop. No Brasil, no entanto, esta cultura só chegou em 2000, via São Paulo. Atualmente, milhares de slams se espalham pelo país, como o Slam Resistência (SP) e o Slam das Minas PE, de onde, aliás, Bell Puã saiu.

Geralmente, o participante tem três minutos para apresentar sua poesia falada, e – como é o caso do Slam das Minas de Pernambuco – a poesia não pode conter versos homofóbicos, machistas e racistas, reforçando a ideia, por meio da poesia e das batalhas entre poetas, de que não há outra saída senão pela arte. "Me sinto feliz por ter ganhado esse prêmio, além da experiência de ter conhecido muita gente massa de outros estados do Brasil", diz Bell, que competiu meninas e meninos. 


Bell Puã ao saber que era a campeã do Slam BR 2017. Foto: Sérgio Silva/Divulgação

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