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Curtas

As promessas de Doutor Estranho

Novo filme da Marvel aposta no gênero do horror e, apesar de frustrar por isso, já é consagrado a maior bilheteria nacional do ano 

TEXTO Julia Faeirstein

27 de Maio de 2022

Foto Marvel Studios/Reprodução

[conteúdo exclusivo Continente Online | contém spoilers]

Após o sucesso de Homem-Aranha: sem volta para casa, o filme Doutor Estranho no multiverso da loucura, da Marvel Studios, chega para aumentar e, de certa forma, também suprir as expectativas que estavam sendo alimentadas nos fãs em torno da e seus próximos passos. O filme sucede, principalmente, os acontecimentos envolvendo o jovem Peter Parker (Tom Holland) e o na última produção do Homem-Aranha, exibida em dezembro de 2021, e os eventos cercados por Wanda (Elizabeth Olsen) na série WandaVision, introduzida ao público no mês de janeiro do mesmo ano. 

Nesta sequência de Dr. Estranho, que estreou no dia 5 de maio nos cinemas do país e, desde então, mantém a liderança na bilheteria nacional, o personagem interpretado pelo britânico Benedict Cumberbatch (Sherlock e Ataque dos cães) precisa encarar as consequências por “quebrar as regras” – visto que sua conduta em Vingadores: guerra infinita e Homem-Aranha: sem volta para casa, com relação ao multiverso, acarretou nos mais diversos problemas. Ou, pelo menos, é isso que, inicialmente, a Marvel dá a entender ao telespectador.

Ao contrário do que é exibido no trailer, não se trata de “pagar os pecados”. A narrativa de Doutor Estranho no multiverso da loucura começa quando Stephen Strange toma conhecimento de uma super-heroína, America Chavez (Xochitl Gomez), que possui o poder de viajar e atravessar os universos e as suas múltiplas realidades e, por este motivo, está sendo perseguida por um novo vilão. Como um bom entendedor do assunto e também para cumprir o papel de herói, o Vingador, junto ao seu parceiro Wong (Benedict Wong) e, claro, à nova personagem, embarca nessa jornada atrás do antagonista até então desconhecido. A partir desse momento, a história se desenrola de acordo com o próprio nome: uma loucura.

Foto: Marvel Studios/Reprodução

Muito desse sentimento parte da própria temática central do longa – o multiverso em si e tudo que o engloba, com ênfase nas várias versões das mesmas pessoas –; logo, não é de se estranhar essa singela “confusão”. No entanto, os elementos de terror prometidos pela Marvel Studios e concretizados através das mãos do cineasta e diretor Sam Raimi (Homem-Aranha, Homem-Aranha 2, Homem-Aranha 3 e A morte do demônio) podem, para alguns, não ter atendido à ansiosa espera, mas causado uma certa estranheza. 

Considerado o primeiro filme do MCU com o “pé” no gênero terror, Doutor Estranho no multiverso da loucura frustra ao trazer essa característica ao campo de super-heróis – pelo menos, para todos aqueles fãs que almejavam um determinado tipo de horror. Na obra, é perceptível os componentes do trash dentro das mais diversas cenas: desde a dominação onírica de Wanda, em que ela se assemelha a uma morta-viva, passando pela chacina do grupo que seria uma variante dos Vingadores, até a parte em que Dr. Estranho precisa da ajuda de espíritos do inferno para realizar uma possessão. 


Foto: Marvel Studios/Reprodução

Ler tudo isso pode indicar uma grande brincadeira, mas é, de fato, a sensação que transpassa o longa-metragem durante vários momentos, o que acaba retirando a seriedade de uma narrativa que, até então, era dada como séria por indicar as problemáticas de se interferir no multiverso e as consequências para quem cogitava “manuseá-lo”. 

Além da junção, de certa forma inadequada, do terror com a temática de super-herói e ação – especialmente quando falamos de produções como as da Marvel Studios, reconhecidas pelas suas pegadas de humor –, Doutor Estranho no multiverso da loucura também deixa lacunas no seu plot twist (se é que pode ser chamado dessa forma). É perceptível que as reviravoltas na história de cada personagem, em especial America Chavez e Wanda, foram feitas de maneira rasa; a primeira, por não ter uma aprofundação maior de seus poderes – como um dom tão desejado, excepcional e grande pode ser aprendido a manusear de forma tão simples? – e a segunda, por uma motivação intensa que perdura ao longo do filme, mas se perde em um minuto instantâneo. 

JULIA FAEIRSTEIN é jornalista em formação pela Unicap e repórter estagiária da Continente.

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