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Curtas

16ª Mostra Brasileira de Dança

Neste sábado, dia 11, acaba a saudade dos palcos presenciais. As apresentações seguem até 19 de dezembro, em três teatros do Recife

TEXTO Taynã Olimpia

10 de Dezembro de 2021

'As canções que você dançou pra mim' abre a programação

'As canções que você dançou pra mim' abre a programação

Foto Manu Tasca/Divulgação

[conteúdo exclusivo Continente Online]

“Dançar, nesse momento é, para mim, uma espécie de oração.” Não poderia começar com outras palavras senão essas, de Mônica Lira, coreógrafa e diretora do Grupo Experimental. A companhia recifense é uma das presentes na 16ª Mostra Brasileira de Dança (MBD), com o espetáculo Conceição em nós. O trabalho é um reflexo dos tempos vigentes da cultura no Brasil, que passa por sérios desmontes, em especial durante a pandemia e o atual governo federal.

Por referenciar a festa do Morro da Conceição, tão familiar e emblemática do Recife, a apresentação é também uma prece, oração de quem clama por cenários mais esperançosos. É simbólico tal enredo estar presente na programação desta edição da MBD, que inicia neste dia 11 e segue até 19 de dezembro, ocupando três teatros da capital pernambucana.

 
Conceição em nós, do Experimental, é encenada no dia 15. Fotos: Rogério Alves/Divulgação

O retorno da mostra aos palcos presenciais, após dois anos tragada pela pandemia, vem com a fluminense Focus Cia. de Dança, que apresenta As canções que você dançou pra mim, uma interpretação delicada de 72 músicas de Roberto Carlos, abrindo o evento na noite do sábado (11), no recém-inaugurado Teatro do Parque. Ao acompanhar quatro casais em performance de dança contemporânea, a plateia é transportada para o universo de irreverência e romantismo das músicas lançadas pelo rei, entre as décadas de 1960 e 1990.

“Trouxemos obras leves, bonitas e descontraídas porque entendemos que, nesse momento, o público precisa voltar a sonhar com dias melhores”, informa a diretora da MBD, Iris Macedo; sua fala é indicativo das emoções almejadas pela mostra. Tal suavidade pretendida contempla também o público infantil, que, logo no segundo dia de programação, tem a oportunidade de conferir duas sessões do espetáculo Bichos dançantes. A história lúdica acompanha um grupo de animais da floresta em jornada para celebrar o aniversário da jabuti centenária Elisa.

As companhias pernambucanas são maioria na programação. Para marcar ainda mais essa presença local, o DNA do Passo vem para narrar a origem do frevo, discutindo ainda as possibilidades futuras do ritmo. A montagem é realizada na noite do dia 16, no Teatro Luiz Mendonça, pelo grupo recifense Destramelar.

Também há viajantes nessa edição da mostra, como Marcos Katu Buiati e Edson Beserra, que vêm de Brasília para dançar o Velejando desertos remotos, cujo enredo é livremente adaptado do livro As cidades invisíveis, de Ítalo Calvino, publicado em 1972.


A obra Velejando desertos remotos é performada pelos brasilienses Marcos Katu Buiati e Edson Beserra. Foto: Nityama Macrini/Divulgação

Saindo da dança contemporânea, a 16ª MBD finda as apresentações numa Noite de gala, realizada no teatro-monumento de Santa Isabel. Em sessão única, uma sequência de três montagens: Suíte do Ballet Coppélia (Ballet Cláudia São Bento), Suíte ao ar (Grupo Endança) e O quebra nozes II Ato (Cia. Fátima Freitas).

O ingresso para cada apresentação custa R$ 30 (inteira) ou R$ 15 (meia), já à venda pelo Sympla. Nos teatros, as bilheterias abrem duas horas antes para disponibilizar também a venda presencial. A mostra conta ainda com três workshops gratuitos e têm inscrições abertas – acesse o site oficial: www.mostrabrasileiradedanca.com.br/2021/

TAYNÃ OLIMPIA é jornalista em formação pela UFPE e estagiária da Continente.

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