Caso dos Irmãos Naves ganha documentário do Tribunal de Justiça/MG
Filme narra a prisão e tortura de Sebastião José Naves e Joaquim Naves Rosa, um dos maiores erros no Judiciário brasileiro
06 de Maio de 2026
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) apresentou, na segunda-feira (4/5), o documentário Sob o peso da tortura: o Caso dos Irmãos Naves, obra que revisita um dos maiores erros judiciais da história penal brasileira. Produzido pela Diretoria Executiva de Comunicação (Dircom), com o apoio da Memória do Judiciário Mineiro (Mejud), o filme narra a prisão e a tortura de Sebastião José Naves e Joaquim Naves Rosa, condenados injustamente no fim dos anos 1930, em Araguari, no Triângulo Mineiro.
A primeira exibição pública ocorre nesta quarta-feira (6/5), em Araguari, cidade onde se concentraram as filmagens. No dia 12/5, às 17h, o documentário será apresentado no Auditório do Tribunal Pleno do TJMG, em Belo Horizonte, e, posteriormente, disponibilizado no canal oficial da Corte no YouTube.
O lançamento reafirma o compromisso do TJMG em resgatar episódios históricos e refletir sobre os riscos do cerceamento das liberdades individuais em períodos de exceção. O presidente do TJMG, Luiz Carlos Corrêa Júnior, destacou a relevância da produção: “Este caso deve ser divulgado como um exemplo de como a Justiça não deve funcionar”.
Antes da sessão, houve homenagem a Beatriz Alamy, filha do advogado João Alamy Filho, defensor dos irmãos, que ressaltou a importância de transmitir a história às novas gerações. “Tenho a certeza de que meu pai está muito feliz, onde quer que esteja, com este documentário. Na época, ele lutou muito, enfrentando com coragem os que comandaram as investigações e levaram os irmãos injustamente para a cadeia. Cresci ouvindo essa história, que está sendo passada para outras gerações”, afirmou Beatriz Alamy.
Com 55 minutos de duração, o documentário reúne depoimentos de descendentes, historiadores e magistrados, além de encenações teatrais e trechos do clássico O Caso dos Irmãos Naves (1967), dirigido por Luiz Sergio Person. O filme de Person, protagonizado por Raul Cortêz e Juca de Oliveira, chegou a ser indicado como representante brasileiro ao Oscar de 1968 e, em 2015, foi incluído na lista das 100 maiores produções nacionais pela Abraccine.