Ana Lisboa e Cacá Mousinho inauguram exposições na Arte Plural Galeria
Âmago – o íntimo das formas e Avesso da Palavra serão inauguradas na terça-feira (11/8), às 18h, no Bairro do Recife
10 de Agosto de 2026
Ana Lisboa
Foto Divulgação
A Arte Plural Galeria inicia sua programação de agosto com a abertura de duas exposições individuais que apresentam diferentes investigações sobre matéria, memória, linguagem e forma. As mostras Âmago – o íntimo das formas, de Ana Lisboa , com curadoria de Carlos Newton Júnior, e Avesso da Palavra, de Cacá Mousinho, com curadoria de Bruna Rafaella Ferrer, serão inauguradas na terça-feira (11/8), às 18h, na sede da galeria, no Bairro do Recife.
Abrindo a programação, Âmago – o íntimo das formas reúne obras que revelam a maturidade da pesquisa artística de Ana Lisboa. Reconhecida por sua trajetória de décadas como pintora, gravadora e professora do Departamento de Artes da Universidade Federal de Pernambuco, Ana apresenta uma produção em que desenho, pintura, gravura, instalações e diferentes procedimentos técnicos dialogam em uma investigação sensível sobre paisagem, natureza e permanência.
Com domínio refinado do ofício e uma linguagem construída ao longo de anos de pesquisa, a artista convida o público a ultrapassar a superfície das imagens para perceber aquilo que está em seu interior — o “âmago” das formas. Texturas, volumes, linhas e movimentos conduzem o olhar para uma experiência contemplativa, em que a paisagem figurativa se transforma em uma quase abstração, revelando sua estrutura íntima e sua energia interna.
“São linguagens distintas, mas que carregam um conteúdo simbólico, poético, muito próprio. O fio condutor desses trabalhos seria a experiência vivida e transformada em linguagem visual. E o meu percurso permeia por uma inquietação, uma pesquisa sobre o urbano, a arquitetura, e como esse urbano é essa arquitetura são transformados em memória, em poética, em meu processo criativo”, descreve a artista.
Segundo o curador Carlos Newton Júnior, a obra de Ana Lisboa desperta um olhar poético capaz de “auscultar o íntimo das formas”. Em seus trabalhos, a observação da natureza vai além da representação, propondo uma relação de profunda integração entre artista e paisagem. Razão e emoção se equilibram em uma produção marcada pelo rigor técnico e pela delicadeza formal, conferindo à sua obra um caráter contemporâneo e, ao mesmo tempo, clássico.

Um dos destaques da programação é também o retorno da artista visual, educadora e ativista Cacá Mousinho ao circuito expositivo recifense. Depois de viver durante dez anos entre Recife e São Paulo, onde desenvolveu uma intensa atuação artística e social, a artista voltou definitivamente à capital pernambucana em dezembro do ano passado. Desde então, participou de duas exposições coletivas, mas Avesso da Palavra marca sua primeira exposição individual desde esse retorno, transformando a mostra em um momento simbólico de reencontro com a cidade e com o público pernambucano.
"Entre moradias e ruas de São Paulo e Recife, Cacá Mousinho encontra nos achados da cidade um campo de experimentação poética e, no encontro, um princípio fundamental de sua investigação. Em uma expansão da casa-ateliê, que é também retração da rua no espaço íntimo, observa, coleta, cataloga e desmembra fragmentos, enfim, implode cuidadosamente vestígios que são então reprogramados em novos circuitos de sentido. Uma prática de 'escuta com os olhos', que aproxima o fazer artístico dos saberes das manufaturas industriais", adianta a curadora Bruna Ferrer.
Em “Avesso da Palavra”, Cacá Mousinho investiga os limites entre escrita, memória e materialidade. A artista desloca a palavra de sua função convencional para revelar aquilo que permanece oculto em sua estrutura: os silêncios, as marcas do tempo e as camadas invisíveis que constituem a comunicação. A curadoria de Bruna Rafaella Ferrer conduz o visitante por uma experiência em que bordados, tecidos, desenhos, objetos e superfícies tornam-se suporte para um diálogo entre linguagem, memória e afeto.
A mostra nasce da maneira como a artista constrói sua própria relação com o mundo. O encontro é o eixo central de sua pesquisa artística. Objetos encontrados nas ruas, materiais marcados pelo tempo, filtros de café, saquinhos de chá, tacos de madeira e palavras ouvidas em conversas cotidianas são incorporados à obra por meio de um processo de escuta, observação e transformação.
“Meu trabalho se dá na relação com o outro e com os objetos. O encontro é uma chave da minha poética. É nele que acontece o deslocamento. O objeto deixa de cumprir sua função original para adquirir outro sentido, outra existência. Esse movimento também acontece comigo, porque ao encontrar esse objeto eu também me transformo”, explica a artista.
Na exposição, esse processo aparece em obras construídas a partir de acervos afetivos reunidos ao longo dos anos. Um conjunto de antigos tacos de madeira, que já foram chão de uma casa, transforma-se em uma instalação que assume a forma de uma janela. Em outra série, palavras coletadas em conversas com amigos são escritas com linha sobre saquinhos de chá, criando um arquivo poético de memórias e encontros.
Para Cacá, caminhar pela cidade, encontrar as pessoas e cultivar a escuta fazem parte do próprio fazer artístico. “A arte é uma forma de resolver essas relações, essas memórias e as saudades. Carrego comigo tudo o que ouvi, tudo o que vi e todas as pessoas que passaram pela minha vida e também as que vão chegar. O desenho e o encontro são fundamentais no meu processo artístico. Desenhar é uma forma de escrever a própria vida”, afirma.
SERVIÇO
Abertura das exposições: Âmago – o íntimo das formas, de Ana Lisboa, e Avesso da Palavra, de Cacá Mousinho
Onde: Arte Plural Galeria – Rua da Moeda, 140, Bairro do Recife
Quando: Terça-feira (11/8), às 18h. Visitação: segunda a sexta, das 9h às 18h; sábados, das 14h às 18h
Quanto: Entrada gratuita