Degas é apresentado em mostra no Instituto Ricardo Brennand
A exposição fica em cartaz de 25 de setembro de 2026 até 10 de janeiro de 2027
24 de Setembro de 2026
Mostra reúne 40 peças, entre esculturas de Degas e imagens de Sofia Borges
Foto Pedro Melo/Divulgação
O Instituto Ricardo Brennand abre a exposição Degas/Borges, nesta sexta-feira (25/9), no Recife, com 31 esculturas em bronze do artista francês - incluindo Bailarina de Catorze Anos - e nove fotografias da artista visual Sofia Borges. As peças originais de Edgar Degas (1834-1917) reunidas na mostra pertencem ao acervo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) e estão sendo apresentadas ao público pernambucano e nordestino pela primeira vez. Produzidas em 2020, a convite do MASP, as fotos de Sofia Borges dialogam com os trabalhos feitos por Degas no século XIX.
Degas/Borges ocupa um salão na pinacoteca do Instituto Ricardo Brennand, com esculturas de bailarinas e mulheres tomando banho. “O conjunto de obras de Degas no MASP é maior, são 76 peças, fizemos o recorte com a temática das bailarinas, é uma forma de exibir ao público o corpo em movimento que o artista tanto observou”, declara Beth da Matta, responsável pela apresentação local da exposição. De acordo com ela, Degas não expõe as mulheres na sensualidade, mas na crueza. “São corpos que trabalham, que sofrem, que sustentam famílias, as mulheres são representadas em seus ofícios”, afirma.

Mesmo a escultura de uma mulher deitada em uma banheira, diz ela, não tem apelo sexual. “Está mais para deleite”, avalia. A exposição congrega dois tempos históricos no mesmo ambiente - a obra de Degas do século XIX e as fotografias de Sofia Borges do século XXI -, dando ao visitante a oportunidade de olhar o passado e refletir sobre a sociedade atual, ressalta Beth da Matta. “Ainda hoje, há muitas Maries no mundo”, diz ela, referindo-se à obra Bailarina de Catorze Anos (foto acima, Pedro Melo/Divulgação), criada em 1880 e que tem como modelo a adolescente Marie van Goethem, aluna do corpo de balé da Ópera de Paris.
Quando levam ao público a jovem bailarina, o MASP e o Instituto Ricardo Brennand estão contribuindo para uma reparação histórica da escultura, observa Sofia Borges. “Nos anos atuais, Degas seria visto como um misógino, mas é preciso olhar o tempo em que a peça foi construída e o que mudou na sociedade até agora”, declara Sofia. Na época em que o artista viveu, observa a fotógrafa, as bailarinas eram confundidas com prostitutas e quem dançava em óperas eram meninas pobres que precisavam se prostituir para sobreviver.

“A escultura fala muito de uma condição das mulheres no passado, e de muitas mulheres de hoje”, diz Sofia Borges. “A peça não mudou, o que mudou radicalmente foi o olhar sobre ela, a mudança do tempo para uma peça serve para legitimar toda uma transformação da sociedade”, diz Sofia Borges. As fotos que ela fez da bailarina (foto acima, Pedro Melo/Divulgação) mostram a adolecente em ângulos variados. “Ela aparece mais velha, mais nova, corajosa, é possível fazer muitas revisões no diálogo entre as fotos e a escultura”, comenta a artista visual.
Reproduzidas em grandes dimensões, as fotos estão expostas em cavaletes de cristal criados pela arquiteta Lina Bo Bardi (1914-1992) para a inauguração do MASP, na Avenida Paulista, em 1947. A bailarina pode ser vista em imagens de 150x98 cm, 190x137 cm e 150x215 cm e também faz sua estreia em Pernambuco e na região nordestina. “O visitante vai ganhar muito se entender a parte histórica da bailarina, é preciso ler o texto para compreender a exposição”, avisa Sofia Borges, que atua em São Paulo.
Edgar Degas, mais conhecido pela pintura impressionista, expôs a peça, pela primeira vez, num salão. “Ela foi rejeitada pelo público, recebida como ofensa, por mostrar uma menina pobre - a bailarina adolescente era filha de uma lavadeira e de um alfaiate - e sem traços europeus”, diz Sofia Borges. A original, de cera, encontra-se na National Gallery of Art, em Washington. “Em vida, Degas não mostrou mais nenhuma escultura que fez”, acrescenta e informa que as obras em cera só foram fundidas em bronze depois da morte do artista.

A exposição em Pernambuco é uma parceria do Instituto Ricardo Brennand com o MASP e integra a proposta das duas entidades de circulação de acervos, diz Nara Galvão, diretora do Instituto Ricardo Brennand. “Faz parte do nosso projeto de trazer artistas contemporâneos e não só os tradicionais, com Degas/Borges, temos o acervo histórico de Edgar Degas e o olhar contemporâneo de Sofia Borges (foto acima, Pedro Melo/Divulgação)”, declara Nara Galvão. Degas/Borges é um recorte da mostra Degas, realizada no MASP, em 2020-21.
Ela informa que o setor educativo do instituto vai promover visitas mediadas à exposição, nos fins de semana, além de oficinas de arte. As atividades serão iniciadas em 8 de outubro e os agendamentos podem ser feitos pelo site oficial (www.institutoricardobrennand.org.br). Até o fim da manhã desta quinta-feira (24/9), 126 escolas públicas e 46 particulares, além de sete ongs já estavam com visitas marcadas. A mostra tem patrocínio do Bradesco e Cimento Nacional, com apresentação do Bradesco, por meio da Lei Rouanet, e ficará em cartaz até 10 de janeiro de 2027. A curadoria do MASP é de Adriano Pedrosa, diretor artístico do museu, e Fernando Oliva.
Serviço
Degas/Borges no Instituto Ricardo Brennand
Período: 25 de setembro de 2026 a 10 de janeiro de 2027
Local: Pinacoteca do Instituto Ricardo Brennand (Rua Mário Campelo, 700, Várzea, Recife-PE)
Visitação: terça e quarta, das 13h às 17h / quinta a domingo, das 10h às 17h
Ingressos: a partir de R$30 (meia-entrada) diretamente na bilheteria do instituto ou antecipadamente pelo link https://shre.ink/GgqD