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Curtas

III Salão Internacional de Humor Gráfico

Terceira edição do evento, no Recife, traz como tema o universo literário

TEXTO MANU FALCÃO

01 de Outubro de 2018

Ilustração Ares/Reprodução

[conteúdo na íntegra (degustação) | ed. 214 | outubro de 2018]

Chega-se a ser grande por aquilo que se lê, e não por aquilo que se escreve”, disse o escritor argentino Jorge Luis Borges. Partindo desse princípio, o cartunista Samuca Andrade idealizou e organizou o III Salão Internacional de Humor Gráfico (III SIHG), que acontecerá de 30 de outubro a 9 de dezembro na Caixa Cultural, no Recife. O evento, que expõe obras de cartunistas e caricaturistas (entusiastas e profissionais) do mundo todo e as avalia através de júri, trouxe em suas duas edições anteriores enfoques acerca de narrativas que carecem tanto de resgate como de novas abordagens: a mulher e os direitos humanos.

Agora, o Salão sugere um retorno à literatura. O mundo literário é o terceiro mote escolhido, suscitando, também, novas aproximações de histórias que se configuram no imaginário do leitor e do artista. Divide-se em três categorias: os grandes escritores devem conduzir as Caricaturas; as adaptações de domínio público, os Quadrinhos e Tiras; e a leitura, expressão literária da arte, será reverenciada como tema central dos Cartuns.

Para Samuca, esse olhar elucida a aproximação de seu trabalho com a palavra escrita. “O humor gráfico sempre dialogou com a literatura. Alguns dos membros de nosso júri, aliás, têm ligação direta com a linguagem e atuam como autores publicados, bem como ilustradores de suas próprias histórias. Agora, ambas as áreas tentam sobreviver pelas mídias impressas. O SIHG reitera a importância do meio físico para nós, voltando-se a ele completamente, a começar pelo catálogo do festival, que elaboramos com muito cuidado”, contou, em conversa com a Continente. “A temática também apresenta uma oportunidade que vai além de revisitarmos nosso próprio cânone literário. Na mostra de caricaturas, são retratados autores de diferentes etnias e nacionalidades que parte do público pode desconhecer. ”

O cartunista fala, também, da reinserção de Pernambuco no circuito de eventos do gênero em uma conjuntura de apagamentos dessas artes. “Revistas e jornais do mundo todo estão reduzindo o espaço para os cartuns. Em casos mais graves, eles foram cortados de todo. No Recife, havia uma forte tradição das charges nos principais veículos da cidade. Neste ano, pela primeira vez, ocorreu de um deles pôr fim à seção”, conta. “Acabamos responsáveis pela criação de nosso próprio espaço no mercado editorial. Nesse sentido, o SIHG torna-se uma plataforma de resistência e reverberação de nosso trabalho. Selecionamos nomes muito talentosos, alguns mais conhecidos e outros que estão começando agora”, pontuou.

Para esse III Salão Internacional de Humor Gráfico, que terá acesso franqueado ao público, foram selecionados 133 trabalhos de 49 países de todos os continentes. Alguns autores das mostras terão exposições em paralelo ao festival, também no Recife. Eles concorrem a um prêmio de R$ 28 mil e os vencedores serão eleitos por cinco cartunistas de diferentes vieses do humor gráfico. São eles: a francesa Anne Derenne; o cubano Ares (Aristides Hernandez); a ilustradora e quadrinista carioca, radicada em São Paulo, Lorena Kaz; o ilustrador, caricaturista, chargista e escultor Luiz Carlos Fernandes (Avaré, SP); e o também paulista Rafael Coutinho.

MANU FALCÃO é estudante de Jornalismo da Unicap e estagiária da Continente.

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