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Curtas

30º Simpósio Nacional de História

Historiadores se reúnem em torno da Educação

TEXTO LUCIANA VERAS

03 de Julho de 2019

Imagem Divulgação

[conteúdo na íntegra | ed. 223 | julho de 2019]

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Em 2017, quando a Associação Nacional de História/Anpuh definiu o tema do seu próximo simpósio bienal, nem os videntes, tampouco os historiadores, poderiam prever o rumo dos acontecimentos políticos do Brasil. Uma controversa eleição presidencial, muitos retrocessos e incontáveis polêmicas depois, eis que chega o momento do Recife sediar, pela segunda vez, o Simpósio Nacional de História. Sob o tema História e o futuro da Educação no Brasil, o 30º SHN ocupará o campus da UFPE entre os dias 15 e 19 deste mês.

Navegar na programação do evento, é ter a certeza de que falar de História e do futuro da educação é discutir o Brasil de agora. No material de divulgação, o convite para graduandos, estudantes da pós-graduação, professores e pesquisadores é para uma reflexão mais ampla: “O evento também propõe o debate sobre outros temas complexos da atualidade, como as questões relativas ao passado escravocrata e suas permanências nas relações sociais, nas formas de trabalho do presente e nos golpes políticos no Brasil e América Latina. Entre os desafios atuais, podemos destacar as questões do avanço da ‘onda conservadora’ sobre a América Latina e os usos do passado autoritário no momento presente”.

“Além do tema candente, precisamos discutir necessariamente o papel da História na formação político-cultural das pessoas, sobretudo no espaço escolar”, situa a professora da URFPE Juliana de Andrade, atual presidenta da Anpuh/PE e coordenadora local do SNH 2019. Junto ao professor Marcio Vilela, do Colégio de Aplicação da UFPE, vice-presidente da Anpuh Brasil e coordenador-geral do simpósio, ela vem trabalhando há dois anos para formular um evento que receba cinco mil participantes e faça jus à temática proposta.

“Teremos a participação internacional de professores como Joan Pagès, da Universidade de Barcelona, e James Naylor Green, da Brown University. A reflexão sobre o papel da educação histórica estará presente também na conferência de Cristina Meneguello, da Unicamp. Ela é presidente da Olimpíada Brasileira de História, que congrega estudantes de todo o país. Não é verdade que as crianças e os estudantes não gostam de História. Flavia Caimi, da UPF, vem falar sobre o papel político do ensino de História e a presidente nacional da Anpuh, Joana Maria Pedro, é quem faz a conferência de abertura sobre o papel do debate de gênero e sobre a importância da educação histórica na formação crítica e política dos sujeitos”, detalha a professora.

Entre as novidades do 30º Simpósio Nacional de História, ela sublinha o Anpuh Educação, um espaço que antecede as reflexões do seminário, voltado para professores da educação básica: “Três dias antes, vamos abrir para conversar apenas com os educadores que estão na ponta, sobre currículo e os desafios na sala de aula”. É inegável que o encontro será um importante intercâmbio cultural e científico, porém, sem perder o foco na promoção dos direitos humanos, como ressalta a sua coordenadora local. “Precisamos pensar uma maneira coletiva para combater os ataques ao ensino de História e a violência contra mulheres, indígenas, negros, crianças, adolescentes e LGBTs”, defende a professora Juliana de Andrade.

LUCIANA VERAS é repórter especial e crítica da Continente.

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