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Resenha

Sobre a morte dos filhos

Três romances publicados recentemente no Brasil se destacam esteticamente por não permitirem nenhum tipo de criação, reflexão ou ato positivo diante da morte de crianças

TEXTO RICARDO LISÍAS

01 de Setembro de 2018

O escritor Ricardo Lisías analisa três romances sobre a morte de crianças

O escritor Ricardo Lisías analisa três romances sobre a morte de crianças

Ilustração Arte sobre foto de divulgação

[conteúdo exclusivo para assinantes | ed. 213 | setembro 2018]

Os três romances
mais interessantes publicados nos últimos meses no Brasil tratam do mesmo tema: a morte dos filhos. Não estou sugerindo que haja alguma tendência literária ou um possível movimento estético. Deve ter sido coincidência. Como Lincoln no limbo, Canção de ninar e O pai da menina morta têm semelhanças intrigantes, para além do tema candente e delicado, acho que o esforço comparativo pode revelar algo de interessante para o nosso tempo. Se não isso, ao menos uma reflexão produtiva sobre o estatuto da literatura contemporânea é possível tirar do confronto entre eles. Na pior das hipóteses, algumas ideias sobre leitura devem aparecer.

Os três narradores são bastante diferentes. Canção de ninar, da escritora franco-marroquina Leïla Slimani, é o único em terceira pessoa, com o narrador praticamente colado aos acontecimentos. As descrições são minuciosas, as personagens acabam psicologicamente esmiuçadas e muitas vezes o texto lembra uma investigação policial, que aliás não está fora da trama.

Lincoln no limbo, romance de estreia do excelente contista norte-americano George Saunders, é uma exaustiva colagem de fragmentos de notícia de jornal, trechos de livros e vozes de um amplo painel de personagens que vão compondo um plano narrativo multifacetado e bastante dinâmico, indo da ironia à discussão metafísica.


O norte-americano George Saunders, autor do livro Lincoln no limbo. Foto: Reprodução

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EXTRAS:

Leia o trecho do livro O pai da menina morta, de Tiago Ferro.

Leia o trecho do livro Canção de ninar, de Leïla Slimani.

Leia trecho do livro Lincoln no limbo, de George Saunders.

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