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Relato

Laboratório sonoro de guerrilha

Durante a pandemia, músicos independentes precisaram adaptar suas casas para transformá-las também em estúdios

TEXTO Zeca Viana

23 de Setembro de 2021

Nascida em Arcoverde, a cantora e compositora Mayara Pera atua há anos na cena musical do Recife

Nascida em Arcoverde, a cantora e compositora Mayara Pera atua há anos na cena musical do Recife

FOTO Reprodução/ Instagram

[conteúdo exclusivo Continente Online]

Durante a pandemia passei várias noites em claro; é difícil desligar. Não sou muito diurno, mas essas madrugadas pandêmicas se alternam entre a distopia, o excesso de informação e a incerteza econômica: qual música ouvir? Qual livro ler? Como pagar as contas no fim do mês? As referências parecem fugir do controle. Estamos em constante vertigem. Então, conversamos com amigos através de mensagens, postamos fotos “de como a vida era antes”; shows, carnaval, encontros... Precisamos dessas memórias afetivas; a vida cultural parece ter se transformado em um futuro de muitos passados. Presos nessa onda invisível – onde o caos sanitário flerta com uma política das sombras – artistas continuam produzindo nos limites da necessidade. Nesse quadro distópico, só uma pergunta ainda consegue me ancorar e me fazer ter – de novo – esperança em dias melhores: o que seria de nós sem a possibilidade real de produzir arte? 

Enquanto vagamos pela terra arrasada da produção musical é importante assumir o presente: só assim vamos construir trilhas sobre os escombros. Sejam eles novos editais, novas organizações, coletivos, formatos, etc. É preciso pensar sobre tudo isso. A grande maioria dos artistas independentes estão lidando – mais uma vez – com novas formas de sobrevivência: como produzir, como difundir e como consumir música no meio – e depois – desse caos sanitário? Antes já era difícil; mas, especificamente em Pernambuco, são essas sonoridades que nos fazem agentes da nossa própria história cultural. Estamos diante de mais um desafio: recomeçar todos os dias... Nesse contexto, o espaço íntimo dos quartos, das casas, das salas, se misturou ao que deveria ser um espaço diferente de produção: o estúdio de ensaio e gravação; e como uma ferramenta de necessidade criativa acionamos uma espécie de “laboratório sonoro de guerrilha”: o estúdio caseiro. 

De fato, não temos que romantizar a necessidade, a falta, a precarização...  Não é meu objetivo aqui. O ideal seria pensarmos na criação e manutenção de uma cadeia de produção sonora ramificada, diversificada, com bases cada vez mais colaborativas; como rizomas de significados que pudessem florescer através da profissionalização, da informação, da gravação e do consumo horizontais dessa produção musical. Mas, o agora é urgente.

É inegável que o estúdio caseiro se tornou um campo de sobrevivência que possibilita, até certo ponto, alguma autonomia produtiva diante da atual distopia política, social e econômica. Mas, até que ponto é saudável essa mistura entre a vida íntima e o ofício? Entre as tarefas do dia-a-dia e o fazer musical? Vivemos, assim, entre a cama e o celular, como piratas sônicos numa deriva ontológica e tecnológica, no meio de uma guerrilha cultural, sem saber ao certo qual rumo seguir, já que, aparentemente, o futuro está encoberto por essa espessa neblina de desesperança política entre fakenews, lives e stories.

Estava finalizando as gravações da segunda temporada do Recife Lo-Fi – programa de rádio que mantenho na Frei Caneca FM desde 2018 –, quando, subitamente, fui tomado por uma epifania: já tinha produzido mais de trinta programas e a quantidade de novos lançamentos pernambucanos entre os anos de 2020 e 2021 estava além do que eu podia veicular em um programa semanal. Recebemos muitas gravações, enviadas, na maioria das vezes, pelos próprios artistas. Estranhamente – e talvez de forma trágica – continuamos produzindo música como quem grita contra o silêncio; no limite da escassez de recursos. Artistas que se espalham pelo subúrbio do Recife e região metropolitana – de onde vem a maior parte do material – registram suas trajetórias de vida nessas gravações autoproduzidas.

A função estética, econômica e política do estúdio caseiro ficou evidente durante a pandemia: com os estúdios profissionais fechados, registrar essas músicas com o que se tem à mão se tornou uma necessidade de resistência, não só cultural, mas existencial: gravar para viver.

Assim, durante a pandemia, muitos trabalhos foram gravados e lançados. Fazem parte de um panorama mais amplo que caracteriza a música independente produzida em Pernambuco. E, através desses estúdios caseiros, diversos trabalhos chegaram ao e-mail do Recife Lo-Fi, e gostaria de compartilhar alguns deles; mas, não sem antes pensar nesses trabalhos através de uma pergunta fundamental: qual o papel do estúdio caseiro para esses artistas atualmente? Conversei com Sam Silva, Dani Carmesim, Mayara Pera, Matheus de Bezerra, Jonatas Onofre e D Mingus para pensarmos juntos nos limites e processos de autonomia dessa forma de produção. O resultado dessas conversas compartilho aqui.

Sam Silva é natural de Goiana, Mata Norte de Pernambuco, município com uma efervescente movimentação cultural. Cantora, compositora e produtora musical, participa do Projeto Tertúlia com artistas da cidade, e começou suas pesquisas no campo do áudio em 2019 após receber a doação de uma interface de áudio de um amigo próximo. Não queria mais esperar por editais: “Estava num momento meio desiludida com tudo e o que me importava era apenas gravar e ficar trancada na caverninha do meu quarto. Lembro que estava num processo obsessivo-depressivo quando comecei e hoje em dia eu tento buscar um equilíbrio entre o home studio e minha vida fora dele”. Mas, Sam pontua que esse processo também pode passar pelo sofrimento; o apagamento entre a esfera íntima e a de trabalho: “Criar arte e música é minha vida, mas não pode ser unicamente a minha vida, pois isso estava me destruindo também. Não digo que o home studio é uma terapia, porque terapia é terapia e, depois de um certo tempo, você começa a ver e entender que ter um estúdio em casa é um laboratório, assim como um pesquisador/cientista”. 

Durante a pandemia, Sam Silva desenvolveu várias práticas colaborativas à distância com outros artistas e pesquisas sonoras em seu estúdio caseiro, resultando em uma série de trabalhos inéditos: “Lancei um EP intitulado Iso.lados com composições que vieram desse período difícil que estamos passando... Todo gravado em casa, remotamente recebendo arquivos de áudios e instrumentos dos artistas que participaram e de amigos que me ajudaram no processo. Além de espaços colaborativos com outros produtores do município em que nos encontrávamos para ouvir o que estava fazendo em um par de monitores, que não tenho em casa.  Além do meu próprio trabalho, fiz a direção musical e coprodução do EP Corpóreo de Lucas Torres, além de produzir o single Vídeo-chamada de Renata Torres e a direção de som e sound design do Gruvilina Sessions, que está no Youtube... Foram experiências enriquecedoras”.

Outra artista que vem empurrando as barreiras do estúdio caseiro é Dani Carmesim. Natural de Olinda, viveu parte da infância em Exu, no interior de Pernambuco, e aos quatro anos de idade veio para Recife. Cantora e compositora, já tem uma boa trajetória na cena musical da cidade. Com dez anos de carreira solo, Dani vem fazendo da música um espaço de representatividade e valorização da mulher negra no segmento do rock. A produção em estúdio caseiro é parte integral da sua carreira: “Quando resolvi assumir o meu projeto solo e encarar ele como profissão em meados de 2010, umas das prioridades iniciais era saber como e onde eu iria conseguir bancar e fazer a gravação do meu primeiro registro fonográfico. Foi então que, por intermédio de André Insurgente, conheci Fernando S. que felizmente já tinha o home studio Área 51, em Paratibe, na cidade de Paulista, e que já vinha gravando o seu próprio disco além de outros artistas”.

Apesar de editais públicos estarem cada vez mais acessíveis, com inscrições facilitadas através de processos online, muitos artistas ainda não conseguem acessar os recursos: “Nesses anos de produção caseira, em paralelo, tentei várias vezes aprovar projetos em editais públicos, contudo, nunca fui contemplada até o exato momento, então eu não podia ficar parada esperando”. Durante a pandemia a parceria com o home studio Área 51, de Fernando S., foi fundamental para a produção de trabalhos inéditos, além de lançamentos em parceria com outros artistas: “O primeiro deles, Éden versão remix feita em parceria com Voltímetro Bass. Logo em seguida, lancei O amor tem dessas coisas tortas em parceria com o cantor e compositor Allan Falcão. Também fui convidada pela cantora e compositora Flaavy para participar da faixa Bem mais que você, que faz parte do EP recém-lançado dela e recentemente lancei em todas as minhas plataformas o single For sales, em parceria com Dj Ramdon”. 

Outra artista que vem explorando as possibilidades estéticas do estúdio caseiro é Mayara Pera. Cantora e compositora, cresceu em Arcoverde, no interior de Pernambuco. Já bem conhecida na cena musical da cidade, Mayara é uma genuína artista de palco; com uma presença marcante, figurinos e shows enérgicos, Mayara prende a atenção do público onde quer que vá. Durante a pandemia teve que lidar com a ausência repentina de shows, passando a produzir em casa: “É algo que nos tira da zona de conforto enquanto artista; inclusive em compreender o trabalho de quem está na pós-produção. Antes do home studio a gente ia lá, gravava e depois pegava o trabalho pronto... Fazendo em casa a gente tem a chance de observar e absorver aquela parte do trabalho que é fundamental para o resultado de um material de qualidade”. 

Segundo Mayara, o estúdio caseiro – como espaço de criatividade – funciona para ela como uma ferramenta de compreensão mais ampla do seu próprio fazer musical: “O home studio vem com um leque a mais de possibilidades de aprendizado; não só na parte da gravação, mas no processo inteiro de produção, no trabalho como um todo”. E, mesmo com todas as dificuldades inerentes ao processo de tentativa e erro que um artista encontra nas suas primeiras aventuras durante o processo de aprendizagem no campo da produção de áudio, Mayara vem produzindo e lançando diversos trabalhos inéditos produzidos por ela:

“No final de 2020, realizei meu primeiro trabalho como produtora, o meu primeiro EP Lado Bê!. Apesar de produzir ser um lugar novo para mim, tive a oportunidade de aprender e abrir possibilidades sonoras para os próximos trabalhos. Em janeiro de 2021, lancei o single Como quem rrasta tubarões, composição de Juliano Holanda, produzido em parceria com Danillo Campelo. Em maio, mais uma vez produzindo em casa, saiu o single Genocida, em parceria com Tonho Nolasco, juntamente com o clipe também produzido, roteirizado e gravado em casa...”. E conclui: “Apesar da saudade e da vontade de voltar a pisar num palco, esse processo lo-fi tem sido enriquecedor não só para mim, mas para todos os artistas que têm a oportunidade de criar dentro da sua própria casa, antes e durante esse período”.

Outro nome que vem chamando atenção com lançamentos gravados de forma caseira é Matheus de Bezerra. De berço musical recifense, vem produzindo suas gravações de forma bastante intimista, passeando pelo conceito de afeto sonoro e cura através da canção; transparecem em suas faixas uma aura de calma recheada de elementos etéreos, imagens e timbres: “Minha primeira música foi gravada com um celular, eu tinha uma peneira pra filtrar os “puffs”, um fone de ouvido e um quarto por algumas horas quando minha mãe saia de casa. Olho para trás e penso quantos artistas nós perdemos pela falta de acessibilidade? São “cartolas”, “jorges bens”, “sabotages”, perder um artista é perder a mensagem e a transformação social que ele carrega consigo...”.

Mesmo inicialmente com poucos recursos, durante a pandemia, Matheus produziu vários trabalhos inéditos: “Lancei meu primeiro disco em formato longo, se chama Tropikal, 100% produzido por mim, desde a parte musical até a parte visual. Nesse período eu tinha apenas um computador com a bateria viciada, produzia os instrumentais durante o dia e pela madrugada. Também fui convidado para fazer parte do grupo Condor onde lançamos o EP Respire produzido por Gabriel Cordeiro (chant), por mim, por José de Sá, Raí Lira e Luiz de Aquino. Ainda fiz parte da seleção da revista virtual Coquetel Molotov.EXE 2ª Edição, onde tive três videoclipes produzidos pelo Móbile Studio, e o meu último projeto lançado com Iyson, três músicas Descansar, Qualquer lugar e Outra reza, também com produção do Móbile Studio”. 

Outro nome que já vem produzindo em casa desde os seus primeiros lançamentos é Jonatas Onofre. Natural da cidade de Paulista, Pernambuco, Jonatas é poeta, compositor, cantor, instrumentista e vem desenvolvendo um trabalho bastante rico com passeios entre raízes afro-brasileiras, jazz fusion, psicodelia e sonoridades latino-americanas. O papel do estúdio caseiro se tornou fundamental na formação do seu trabalho solo:

“Minhas primeiras gravações aconteceram em 2015 por influência de um parceiro de canção, o poeta Zizo, que me incentivou a começar gravando com celular mesmo. Só consegui um gravador portátil no final de 2016 quando gravei meu primeiro disco de canções chamado Aparícion. Hoje o trabalho de produção em home studio continua no centro das minhas intenções artísticas: seja nas realizações em torno da canção popular ou das trilhas sonoras que componho”.

Apesar de todos os impedimentos, algumas parcerias foram possíveis, e trabalhos inéditos surgiram e foram aprimorados através da sua prática e experiência de produção em seu estúdio caseiro durante a pandemia: “Nesse período de isolamento eu tive a satisfação de produzir a trilha sonora original do filme Para roubar o céu, curta-metragem dirigido por Durval Cristóvão e realizado pela parceria entre o canal Tapacurá e o grupo teatral Círculo Mágico da Cabriola, artistas da cidade de Vitória de Santo Antão, através da Lei Aldir Blanc. Foi um desafio e mais um aprendizado. Agora com um pouco mais de experiência nos processos de captação e mixagem que eu também assumi para contornar os problemas de mobilidade. O filme foi lançado em março, mas ainda pretendo lançar o disco da trilha com os temas instrumentais e a canção especialmente composta para encerrar o trabalho”.

E, para finalizar esse panorama, um dos nomes mais prolíficos quando falamos sobre produção em estúdios caseiros é D Mingus. Natural de Arcoverde, interior de Pernambuco, Domingos Porto, ou D Mingus, já produziu diversos discos em casa, além de comandar o selo Pé-de-Cachimbo Records: “Comecei a gravar minhas composições em fitas k7 paralelamente à aprendizagem do violão (em 1993). Não apenas como registro, tocando e gravando ao vivo ideias de composições. Mas, também, como experimentação de arranjos – gravando com um microfone sobreposto a um deck pré-gravado – o que possibilitava a criação de várias camadas num mesmo fonograma. O home studio foi então a consequência evolutiva das práticas de gravação que desde então, me acompanham e que desenvolvi muito intuitivamente. Sempre gostei mais de arranjos e timbres inventivo-psicodélicos (ainda que lo-fi), do que de limpeza hi-fi “mais do mesmo”. O seu papel em meu trabalho é o de possibilitar-me autonomia criativa no meu processo artístico, servindo também como espaço de encontro com outros criadores e também contribuindo para minha manutenção financeira”.

Nesse sentido, o estúdio caseiro ainda é pouco explorado no campo da economia criativa, onde, além da prestação do serviço em si, também pode agregar o capital simbólico do artista como produtor no desenvolvimento de ligações transversais de produção em novos trabalhos. Mesmo durante a pandemia, algumas parcerias foram possíveis: “Como D Mingus solo, lancei oficialmente apenas um single Bicicleta, no final de 2020. Tenho preferido atuar mais contribuindo com outros artistas, num nível de prestação de serviço remunerado, mas ao mesmo tempo, criativo. O principal trabalho nessa seara foi o Ex tudo, disco em parceria com Flaviola no qual compus, arranjei, toquei e produzi quase toda parte instrumental. O trabalho foi finalizado no comecinho da pandemia e o lançamento digital feito em julho de 2020. Esse ano participei de três produções pela Aldir Blanc: o álbum Amanhã é muito longe daqui e Arembepe - mixtape; além da trilha do curta Modelo vídeo. Os processos de produção durante esse período, além de terem sido um extra no orçamento (já que o que mantém meu ganha-pão são minhas aulas de Filosofia para o Ensino Médio), acabaram sendo uma espécie de escape para tantas perdas humanas e institucionais, alguma forma de fortalecer as parcerias superando um pouco os afetos tristes do isolamento”.

Outros trabalhos pernambucanos que foram lançados durante a pandemia e que merecem destaque são Flaavy, com o EP Cura, Petrônio e As Criaturas com o EP Mergulho, Antônio Nolasco com o EP O quarto mágico de nolasco e Luanda Luá com o EP Corpo, entre tantos outros. São muitos lançamentos, não caberia em apenas um texto, mas pudemos ter uma boa noção da amplitude produtiva dos estúdios caseiros, além de canais de divulgação como o Quintal Cast e a Starfleet Music que vêm fazendo lives, transmissões via YouTube e entrevistas com alguns dos artistas citados.

Dessa forma, foi possível entender que, de fato, o estúdio caseiro é uma ferramenta técnica de criatividade fundamental na construção histórica do atual cenário da produção musical em Pernambuco. Porém, é preciso uma articulação desses espaços com políticas públicas, ações coletivas e integradas para a construção de uma transversalidade produtiva, econômica, artística e de legitimação de processos e profissionalização de autores que, também, são produtores dos seus próprios capitais simbólicos. A técnica e a tecnologia, por si, não movimentam a cultura, a política e a história: nós movimentamos. Para o bem e para o mal, os limites entre o espaço íntimo caseiro e o fazer próprio da produção musical parecem seguir uma tendência de desregulação do “espaço de trabalho”.

Ainda que seja possível construir novos espaços de autonomia e círculos colaborativos, é preciso estar atento; estamos vivendo plenamente as contradições desse processo que é, cada vez mais, centralizador de uma certa individualidade aguda. Assim, finalizo com uma frase de Walter Benjamin, célebre pensador alemão, que, entre outras coisas, pensava no papel da música gravada (ou, como ele mesmo categorizava: a música em conserva) e da técnica em obras como O autor como produtor, já em 1934: “A técnica não é uma pura manifestação das ciências da natureza, é também uma manifestação histórica”.

ZECA VIANA é doutorando e mestre em Sociologia (UFPE), bacharel e licenciado em Filosofia (UFPE). Professor, pesquisador, músico, produtor e apresentador do programa Recife Lo-Fi, na Frei Caneca 101.5 FM.

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