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Morre Luiz Carlos Barreto aos 98 anos

Produtor, cineasta e fotógrafo que marcou a história do cinema brasileiro produziu clássicos como Dona Flor e seus dois maridos, Bye Bye Brasil e O Quatrilho

22 de Julho de 2026

Foto Divulgação

Morreu, na madrugada desta quarta-feira (22), o cineasta e produtor Luiz Carlos Barreto, aos 98 anos. Um dos nomes mais relevantes da história do cinema brasileiro, Barretão, como era conhecido, estava, desde a última terça-feira (21), internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, tratando uma infecção pulmonar decorrente de uma pneumonia. O velório será realizado nesta quinta-feira (23), às 11h, no Palácio da Cidade, em Botafogo. Após a cerimônia, o corpo será cremado no Memorial do Caju.

Luiz Carlos Barreto construiu uma trajetória de mais de 60 anos dedicada ao cinema. Dentre os de 100 títulos que dirigiu ou produziu estão clássicos do cinema brasileiro que se tornaram sucessos de bilheteria como Dona Flor e Seus Dois Maridos, O Quatrilho e O Que É Isso, Companheiro? Barreto era casado há 71 anos com a também produtora de cinema Lucy Barreto. Ele teve três filhos — Bruno, Fábio (1957-2019) e Paula  —, 9 netos e 8 bisnetos.

HISTÓRIA
Luiz Carlos Barreto nasceu em Sobral, no Ceará, em 20 de maio de 1928. O primeiro contato com o cinema foi através de Orson Welles, que viajou ao Ceará para filmar um documentário sobre jangadeiros que iriam até Getúlio Vargas pedir a regulamentação da profissão. “Eu nem sonhava, tinha 12 anos de idade. Eu ia tomar meu banho de mar e, daqui a pouco, chega aquela equipe de gringos e se instala ali. Eu fiquei olhando, encantado”, disse Barreto em entrevista ao programa Conversa com Bial.

Mas, antes de se tornar um dos maiores produtores do país, trabalhou como fotógrafo da revista O Cruzeiro. Como repórter-fotográfico, chegou a ser correspondente na Europa, onde fotografou celebridades como Frank Sinatra, o presidente cubano Fidel Castro e a atriz Marylin Monroe.

Numa viagem à Bahia, conheceu Glauber Rocha. O diretor baiano, então, convidou o fotógrafo para trabalhar no cinema. “O Glauber estava montando o ‘Barravento’ com o Nelson Pereira e chegou para mim: “Você tem que fotografar o ‘Vidas Secas’, não é, Nelson?’ ‘Vocês estão malucos, eu não sei fotografar a não ser com a minha Leica”, contou. Glauber insistiu. “‘Você vai fazer uma fotografia que ainda não foi feita no Nordeste. Todo filme, o Nordeste parece um jardim.’ Concordei com ele. ‘Eu quero mostrar a intensidade da luz, a luz como um personagem que destrói a plantação, que incomoda o homem’”, lembrou.

CARREIRA
Dirigiu a fotografia de Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos, e Terra em Transe, de Glauber Rocha. No entanto, acabou enveredando pela produção. Ao longo da carreira, produziu clássicos como Garrincha, Alegria do Povo, de Joaquim Pedro de Andrade; Bye Bye Brasil, de Cacá Diegues; e Memórias do Cárcere, adaptação da obra de Graciliano Ramos, sendo o seu maior sucesso comercial “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, estrelado por Sônia Braga, produzido por Lucy Barreto e dirigido por Bruno Barreto. Durante mais de três décadas, foi a produção brasileira mais assistida nos cinemas do país.

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