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Anastácia estreia no Santa Isabel com entrada gratuita

Inspirada na obra de Dostoiévski, ópera de Armando Lôbo combina elementos eruditos contemporâneos ópera-rock e teatro contemporâneo, em duas sessões, no sábado (31/1)

27 de Janeiro de 2026

Foto Divulgação

No sábado (31), estreia a ópera Anastácia, um drama musical do compositor pernambucano Armando Lôbo inspirado na obra de Fiódor Dostoiévski. Encenada no Teatro Santa Isabel, em duas sessões (19h e 21h), a ópera é uma tragédia contemporânea inspirada em passagens tocantes de algumas obras de Fiódor Dostoiévski, Recordação da Casa dos Mortos, Os Demônios e Crime e Castigo. O libreto também possui influência de Georg Büchner, Nelson Rodrigues e Erich Neumann, além de citações a Eurípedes, Arthur Rimbaud e William Shakespeare. O espetáculo é uma realização da mesma equipe criativa da Ópera do Claustro, que teve temporada de grande sucesso no Recife em 2025.

Ambientada em uma colônia penal feminina, a ópera mostra uma presidiária, Anastácia, que assassina outra detenta porque esta não lhe devolvera uma bíblia. O projeto propõe uma reflexão catártica sobre questões de patologia, exclusão, vazio, confinamento, culpa e expiação. Com o objetivo de conjugar imaginação poética e dados da realidade social, o projeto realizou entrevistas com ex-detentas, de onde foram extraídos elementos concretos que são poetizados na encenação, que também apresenta situações fantásticas e elementos da cultura popular nordestina, como a presença marcante de Papangus endemoniados. Há também uma inusitada ciranda - dançada e cantada não à "beira-mar", mas ao redor de um cadáver -, e a abordagem de temas cruéis como perversão sexual, canibalismo e auto-imolação.

“Mais do que óperas, eu produzo tragédias contemporâneas, onde não é o herói que sucumbe, mas o cosmo inteiro que desaba”, afirma Armando Lôbo. “O tema de Anastácia aparenta ser um ato violento que acontece dentro de um presídio feminino, mas o crime não pertence apenas à personagem. Todo artista verdadeiro é de certa forma um delinquente ou criminoso. Como o santo ou o filósofo, o crime do artista é tocar em coisas que ninguém quer ver ou está vendo”, completa o compositor pernambucano, destacando que “os artistas estão muito acomodados hoje em dia… A Inteligência Artificial vai dar conta (já está dando) de todos os que não têm espírito, superando-os facilmente”.

Texto

Anastácia combina elementos da ópera erudita contemporânea, ópera-rock e teatro contemporâneo, em uma abordagem dramatúrgica que se aproxima do naturalismo fantástico. Na obra, recitativos operísticos são evitados em favor de diálogos teatrais que facilitam o entendimento da trama. Todo o conteúdo harmônico e melódico da música é derivado da escala do blues e de modos da escala nordestina; este conteúdo recebe um tratamento orquestral que remete a texturas da música contemporânea de concerto. Há também passagens com programações eletrônicas feitas a partir da sonoridade de um berimbau, somado a vozes fantasmagóricas processadas. Um trio de metais (trompete, trompa e trombone) faz a metáfora sonora do meio marcial/policialesco; violoncelo, guitarra elétrica, bateria e berimbau completam a sonoridade agressiva e muito brasileira da música.

A estreia de Anastácia nos palcos também é o pré-lançamento de uma revista que estabelece uma nova forma de fruição para a ópera: a “foto-ópera”. Concebido pelo multiartista pernambucano Armando Lôbo, o trabalho está em fase final de edição, mas uma prensagem experimental já estará à venda na estreia teatral de 31 de janeiro. A “foto-ópera” é uma publicação impressa em papel, e tem estilo assemelhado ao das fotonovelas bastante populares no Brasil nos anos 1970 e 1980 do século XX. As cenas foram fotografadas em um antigo presídio localizado no centro do Recife, e que hoje abriga a Casa da Cultura da cidade. A música da foto-ópera poderá ser acessada facilmente e gratuitamente por smartphone através de QR CODE impresso na revista. Na publicação, além da inspiração em fotonovelas, há elementos de histórias em quadrinhos e a presença de páginas de variedades (horóscopo, receitas culinárias etc.), como em uma publicação comercial popular de décadas atrás, voltada ao entretenimento. Com cerca de 40 páginas, a revista serve também de libreto impresso para a performance do espetáculo em palco.

SERVIÇO
Estreia da ópera Anastásia
Onde: Teatro Santa Isabel, Recife
Quando: Sábado (31/1), às 19h e 21h
Quanto: Acesso gratuito, com doação de 1 kg de alimento e R$30,00 (revista, promoção de pré-lançamento)
Duração: 60 minutos

Ficha artística e técnica
Concepção, Direção, Libreto e Música: Armando Lôbo
Direção de Arte, Design, Cenografia e Figurino: Marcelo Coutinho

Elenco
Anna Carolina Nogueira
Paulo Cesar Freire
Karla Karolla
Virginia Cavalcanti
Aryma Nascimento
Elias Marques
Anastácia Rodrigues
Camila Fernandes
Wanessa Mouta
Gabriela Martinez

Músicos (ILUDENS Ensemble):
Helder Passinho - trompete
Adriano Lima - trompa
Thomas Barros - trombone
Rodrigo Prado - violoncelo
Ítalo Sales - guitarra
Hugo Medeiros - percussão
Regência Musical: Nilson Galvão

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