Vitor Araújo lança "Toró"
Disco do pianista pernambucano gravado ao vivo no Holland Festival, com a Metropole Orkest, está disponível nas plataformas digitais
14 de Abril de 2026
Foto Divulgação
Em 12 de junho de 2024, o pianista e compositor pernambucano Vitor Araújo se apresentou no Holland Festival, em Amsterdam, com a Metropole Orkest, sinfônica holandesa regida pelo maestro norte-americano Jacomo Bairos a partir de orquestrações criadas por Mateus Alves e Felipe Pacheco Ventura com o instrumentista. Quase dois anos depois, neste mês de abril, o artista lançou o resultado desse encontro, o álbum Toró, sob o selo Risco.
No seu quinto disco, o pianista amplia sua música para que percussão, eletrônica e cordas. O disco faz a conexão das cordas com a percussão de acento nordestino tocada pela banda integrada por Aduni Guedes, Amendoim, Charles Tixier, Felipe Pacheco Ventura e Mauro Refosco. No repertório, os temas são apresentados como “Canto” ou “Toque” e numerados, assim como o álbum “Levaguiã Terê” (2016). O espetáculo foi captado para gerar o que Araújo conceitua como “filme-concerto”.
Foram 20 músicos no palco; dois dias de ensaio. "A gravação carrega consigo o risco e o ar do concerto, o grão do som que não teme permanecer humano. Há até um detalhe que parece uma lenda: uma infecção súbita no dedo da mão direita do artista, na véspera da apresentação. Os médicos sugerem ao festival o cancelamento da noite de espetáculo; Araújo nega, reescreve suas próprias digitações em uma tarde e toca com nove dedos. A ferida vira gesto, como um toró que passa e, ao passar, muda a qualidade da luz", descreve o jornalista italiano Pietro Scaramuzzo sobre os bastidores da gravação.
Nascido no Recife, revelação precoce (prêmio APCA de “Artista Revelação” e apontado pela revista Galileu entre “as dez mentes mais brilhantes” do Brasil ainda no início de sua carreira), Araújo atravessou palcos e linguagens: duos com Caetano Veloso, João Donato, Naná Vasconcelos; um álbum com Arnaldo Antunes, “Lágrimas no Mar”, que lhe permitiu rodar o mundo nos últimos anos, e outro, “Levaguiã Terê”, disco solo que o consagrou como autor sinfônico; o cinema internacional (‘Que Horas Ela Volta’ ou indicado ao Oscar ‘Democracia em Vertigem’ são alguns dos exemplos); e, mais recentemente, um intenso trabalho teatral na Europa (Odéon–Théâtre de l’Europe, Comédie de Genève, Avignon, Biennale di Venezia).