Música

Revoredo lança “Fino Fio”, novela musical sobre o risco de amar

Artista pernambucano celebra 30 anos de carreira com obra conceitual que une canção e poesia, disponível nas plataformas digitais nesta quinta-feira (30)

28 de Abril de 2026

Foto José de Holanda/Divulgação

Apresentada pelo artista como “novela musical”, Fino Fio, novo lançamento de Revoredo, chega em todas as plataformas digitais, nesta quinta-feira (30), expandindo as possibilidades da canção, unindo música, poesia, performance e dramaturgia sonora em uma única experiência narrativa.

O lançamento acontece em um momento simbólico para Revoredo, que completa 30 anos de trajetória artística em 2026, marco celebrado em show especial no Centro Cultural Sesc Garanhuns, onde fez o pré-lançamento ao vivo do disco, revelando a travessia sensível de seu novo trabalho artístico.

“Fino Fio é uma obra sobre equilíbrio — ou sobre a impossibilidade dele. Trazendo reflexões sobre o amor e a paixão enquanto contrapontos ou complementos. Eu quis criar uma narrativa onde o ouvinte caminha junto, sente junto, e tente se equilibrar junto comigo”, descreve o artista.

NOVELA MUSICAL
Fino Fio nasce como um gesto artístico que desloca o formato tradicional de álbum para um território narrativo. “Cada faixa não é apenas uma canção, mas um capítulo de uma história maior, onde amor e paixão são investigados como forças simultâneas, instáveis e profundamente humanas. Entre a escuta, existe a reflexão, a beleza, o desconforto. Uma narrativa que propõe riscos”, explica Revoredo.

O roteiro dessa novela propõe ao ouvinte um caminhar sobre esse “fio” simbólico — delicado, tensionado - onde qualquer movimento pode ser decisivo. Amor e paixão não são tratados como opostos, mas como estados que se atravessam, se confundem, se constroem e, por vezes, se destroem.

“Não é apenas um álbum. É uma obra que exige escuta atenta, disponibilidade e entrega. Uma narrativa que não se resolve facilmente, mas que permanece reverberando — como toda experiência que atravessa”, adverte o artista.

O disco é resultado de um processo contínuo iniciado ainda em novembro de 2025, quando Revoredo começou a revelar, mês a mês, os primeiros fragmentos dessa narrativa, com o lançamento de três singles.

Foram ao ar, nesta ordem, “Poema Ingênuo” (novembro/2025) - em parceria com Kleber Albuquerque, inaugura a obra com delicadeza e abertura emocional -, “Romance Épico” (dezembro/2025) - que amplia a escala dramática da narrativa - e, por fim, “A Paixão” (janeiro/2026), parceria com Zé Manoel, que mergulha no excesso, na vertigem e na intensidade do sentir.

“Esse movimento gradual não apenas construiu expectativa, mas também permitiu ao público acompanhar a formação da obra como quem acompanha capítulos de uma história em curso”, detalha o artista.

Revoredo entrega ao público uma obra que não busca respostas, mas propõe uma pergunta essencial: até onde é possível caminhar entre o amor e a paixão sem cair?

Na versão integral, Fino Fio se revela como uma peça híbrida, onde a música se entrelaça com a palavra falada. Entre as canções, surgem recitações poéticas inéditas, interpretadas por vozes femininas da cena musical e literária contemporânea: Babi Jaques, Eliza Morenno, Luna Vitrolira e Mariana Guimarães.

“Breve Prelúdio”, com participação de Babi Jaques, abre o universo sonoro da obra e “Fino Fio”, faixa-título em parceria com Zeh Lucas, sintetiza o conceito central do trabalho. O resultado é uma obra que não se organiza apenas por faixas, mas por fluxos — uma escuta contínua, quase cinematográfica.



O lançamento de Fino Fio marca não apenas uma nova obra, mas um momento de síntese na carreira de Revoredo. Além desse disco, o artista apresenta, ao longo do ano, diferentes desdobramentos de sua pesquisa, entre eles, o show em torno dos 30 anos de carreira, e os projetos “Encruzilhada Agreste”, ao lado de Gabi da Pele Preta”, “Te Canto a Canção”, com o Mestre Zezinho da Sanfona, além do show “Fino Fio”, concebido como experiência intimista e imersiva.

ARTISTA
Natural de Garanhuns, no Agreste pernambucano, Revoredo constrói sua obra a partir dessa interseção entre música, literatura, artes cênicas e formação artística, consolidando-se como um dos nomes mais consistentes da cena contemporânea de Pernambuco .

Sua produção carrega a força do território agrestino e uma relação íntima com a palavra — não apenas como letra, mas como matéria poética, rítmica e narrativa. Fino Fio não surge como ruptura, mas como aprofundamento de uma trajetória marcada pela fusão entre palavra e melodia.

Essa abordagem já estava presente em seus trabalhos anteriores: o álbum Revoredo (2020), com 11 faixas autorais, elogiado pela crítica; a Trilogia Trancada (2021), criada durante o isolamento social e os singles “Agreste” (2024) e “Vida Inteira” (2026), este último em parceria com Rogéria Dera, onde o artista divide a interpretação com Gabi da Pele Preta.

Em Fino Fio, essa pesquisa alcança um novo grau de maturidade: a palavra deixa de ser apenas cantada e passa também a ser dita, performada, encenada.

RECONHECIMENTO
Ao longo de sua trajetória, Revoredo vem acumulando prêmios por sua potência artística e presença cênica, entre eles o Prêmio da Música de Pernambuco (2021) como Melhor Cantor e Melhor Show e o Prêmio Copergás 2026, no Janeiro de Grandes Espetáculos, destacando-se como Melhor Cantor e Melhor Show por “Encruzilhada Agreste” 

Sua atuação vai além da carreira solo: é fundador do Coletivo Tear, gestor de espaços e iniciativas culturais e um importante articulador da música autoral no Agreste pernambucano. Também atua como produtor musical, educador e diretor artístico, mantendo uma relação ativa com processos formativos e com a cena independente.

SERVIÇO
“Fino Fio”, de Revorêdo
Formato: EP / Novela Musical
Lançamento: 30 de abril de 2026 (em todas as plataformas digitais)

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