Música

Projeto mapeia ateliês percussivos de Pernambuco

Ẹbu Lùlù é uma imersão fotográfica e poética de Hassan Santos nos espaços de criação de mestres e mestras dos instrumentos

20 de Maio de 2026

Ateliê Só Instrumentos, de Abílio Sobral

Ateliê Só Instrumentos, de Abílio Sobral

Foto Hassan Santos/Divulgação

O projeto Ẹbu Lùlù mergulha no universo dos ateliês percussivos de Pernambuco para revelar os corpos, os gestos e as sonoridades dos instrumentos que dão vida à cultura popular do estado. Entre cabaças, madeiras, ferragens, miçangas, ferramentas e poeira, o projeto apresenta o cotidiano de artesãs e artesãos que dedicam suas vidas à criação de instrumentos percussivos utilizados em manifestações como maracatu, coco, samba, capoeira, frevo e forró. Mais do que fabricantes de instrumentos, são mestres e mestras que transformam matéria em movimento, som e memória.

A pesquisa fotográfica conduzida por Hassan Santos, percorreu os ateliês de Diane Agbês, Flávia Foguinho, Abílio Sobral, Biano Pajeú, Chico Nunes, Cristiano Castanho, Charles Lemos, Iran Silva, Heverton Lima (Bolinho), Mestre Jó Percussivo, Mano Black e Mestre Mau — Maureliano Ribeiro, homenageado em memória por sua contribuição fundamental à cultura percussiva pernambucana. Em cada espaço visitado, o projeto revela não apenas técnicas de fabricação, mas modos de vida, espiritualidades, invenções e relações profundas entre corpo e instrumento.

“Esta pesquisa é o início de um registro dedicado a pessoas que consagram suas vidas aos sons da percussão”, afirma Hassan Santos. “Foi um privilégio conhecer a intimidade de lugares onde nascem os instrumentos e onde diferentes gerações mantêm vivos saberes raramente escritos”, completa o idealizador do projeto.

Inspirado na língua Yorùbá, o nome do projeto carrega em si a própria essência dessa experiência: “Ẹbu” remete ao espaço de criação, ao ateliê, ao lugar do fazer; “Lù” significa tocar, bater, produzir som; e “Lùlù” intensifica essa ação, evocando ritmo, vibração e musicalidade. “O próprio nome já soa como percussão. É um convite sensorial à escuta e ao encantamento”, explica Marconi Bispo, consultor do projetor e sacerdote do candomblé.

Os retratos e ambientes fotografados mostram oficinas onde o tempo parece obedecer a outro compasso — distante da lógica acelerada dos aplicativos e da produtividade imediata. Em Ẹbu Lùlù, percebemos que fabricar uma alfaia, um agbê ou um pandeiro é também um gesto de resistência: um trabalho artesanal que exige escuta, paciência, precisão e vínculo afetivo com o som. O projeto evidencia também como esses instrumentos são extensões dos próprios corpos de seus criadores — obras de arte vivas que seguem pulsando nas mãos de percussionistas, nas ruas, nos terreiros, nos palcos e nas brincadeiras populares.

Mais do que documentar instrumentos, Ẹbu Lùlù propõe uma travessia poética pelos sons, silêncios e movimentos que sustentam uma tradição coletiva. É um convite para entrar nos ateliês, ouvir suas pulsações e perceber que cada tambor carrega também um mundo inteiro em vibração.

Ação de lançamento
Desde a semana passada, cartazes estão sendo colados como lambe-lambe em vários pontos de cultura, ateliês de artesãs e artesãos visitados. As artes também estão sendo distribuídas para o público no ateliê Só Instrumentos de Abílio Sobral, no Vasco da Gama, zona norte do Recife.

Para conhecer mais sobre o projeto:
IG: @ebu.lulu
atelies.pernambucopercussivo.com.br

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