Luana Tavares faz show gratuito no Parque da Jaqueira
Apresentação acontece neste sábado (24), no Parque da Jaqueira, a partir das 18h, acompanhada por Vinicius Barros (guitarr), Gilberto Bala (percussão), Ary Eira (baixo) e Jonatas Onofre (teclado)
22 de Outubro de 2026
Foto Beto Figueirôa/Divulgação
A cantora e compositora pernambucana Luana Tavares vai se apresentar neste sábado (24) no Parque da Jaqueira, a partir das 18h, com músicas de álbum batizado com o nome dela e lançado neste mês. Na apresentação, ela será acompanhada por Vinicius Barros (guitarra), Gilberto Bala (percussão), Ary Eira (baixo) e Jonatas Onofre (teclado). O projeto produz um mosaico cultural, afetivo, social e histórico processado artisticamente neste primeiro álbum de estúdio.
Integrante da Mostra Reverbo, Luana reúne nove músicas autorais (seis inéditas) e conta com participações de artistas prestigiados na cena pernambucana tanto pelo ímpeto criativo como pela expressividade artística e a verve representativa. As parcerias enredam a cantora e compositora Isaar (voz), a cantora e atriz Gabi da Pele Preta (voz), o cantor e compositor Jonatas Onofre (piano), o músico Hélio Abulidu (voz) e o compositor e cantor Juliano Holanda (voz, baixo e violão) - também produtor e diretor musical do disco, cuja produção artística é de Mery Lemos. A percussão fica a cargo de Gilú Amaral, o trombone, de Nilsinho Amarante e as vozes do coro, de Mery, Mayara Pêra e Vinícius Barros.
“É um disco em que trago um pouco mais de pulsação, de força. Conto sobre como essa bagagem de ser da Zona da Mata me atravessa e faz ver o mundo. As inquietações permanecem: de ser negra, de fazer minha poesia, do protagonismo negro. A proposta é enxergar outra Luana, construir outra mulher que eu ainda construo sempre a cada dia, com outra tônica, por esse momento da minha vida. Tenho a lua muito presente na minha vida e tenho faces que gostaria de descobrir. Esse disco vem dessa mistura, dessa vontade de dizer outras coisas, juntar pessoas. Eu não estou só, nunca estive - sempre tive presente a minha ancestralidade”, a cantora explica.
Com desenhos melódicos muito marcados pela percussão, dialoga com signos musicais da presença africana, da música de terreiro e da sonoridade da Zona da Mata norte pernambucana, berço de Luana e Juliano. Na contramão de álbuns que compilam singles independentes, Luana Tavares mantém um fio condutor. “É um disco que conta uma história. Eu acho que era importante Luana se firmar como compositora, pois ela tem um trabalho muito complexo de criação”, defende Juliano.
A miscelânea construtiva torna Luana Tavares - disco e artista - a foz de uma pluralidade percebida nas faixas pela variedade de temas, embocaduras, cadências rítmicas, letras e reflexões. A cantora transita entre encorajamentos subjetivos de autoaceitação feminina a partir da força ancestral, elaborações sentimentais com alusões a referências urbanas, cativações maternas adornadas com aspectos da origem afro, exaltação ao poder da territorialidade sob inspirações regionais e desventuras amorosas atravessadas pelo desejo dimensionado por elementos da natureza. Estão presentes a espiritualidade e a cultura afrobrasileira, as raízes da Zona da Mata, a luta antirracista, a feminilidade, os afetos e dilemas humanos - Luana canta o coração e o mundo a partir das próprias dores e delícias.
Luana Tavares tem incentivo do Funcultura (Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura), por meio da Fundarpe e da Secretaria de Cultura do Governo de Pernambuco. Sucede “Boca da Mata” (registro ao vivo de estreia, em 2022, ancorado na ancestralidade e nas referências da Zona da Mata) e “Outro Astral” (EP e álbum visual, de 2025, marcado por uma sonoridade mais diversificada e em expansão). A cantora pinçou para o novo disco, entre os singles já lançados, as músicas “Boca da Mata” e “Tomara” (composições próprias) e “Minha Missão” (coautoria com Gabi da Pele Preta). As inéditas são “Sabença”, “Espelho” e “Onde está meu coração”, de autoria própria, e “O amor vai nos dizer” (com Jonatas Onofre e Revoredo), “Lama” (com Juliano Holanda) e “Flerte” (com Helio Abulidu).
O conjunto colore sonoramente a exuberância artística das canções e dá múltiplos tons a uma mensagem de superação contra marginalizações de gênero, cor e origem embutida no disco. “Isso se reflete na minha criação de uma maneira que eu não deixo que nada me atropele. Tudo é desaguado nas composições. Consigo esbravejar contra tudo que me atravessa. Fazer esse disco faz parte disso, deixar um suspiro pra quem tá fazendo. A gente não pode morrer enquanto está tentando viver”, diz. Luana (e a mata) é para ouvir.