Do cais ao metal: o circuito que traz Roy Khan ao Recife
Ex-vocalista do Kamelot se apresenta no Armazém 14, no Cais do Porto, no domingo (18), em show que também passa pela história do rock e do metal na cidade
TEXTO Humberto Santos
13 de Outubro de 2026
Foto Roy Khan Official/Divulgação
O cantor norueguês Roy Khan, ex-vocalista do Kamelot, chega ao Recife no domingo (18) para apresentar a turnê The Black Halo and Beyond. O show será no Armazém 14, no Cais do Porto, região que guarda uma relação curiosa com a história do rock na cidade: décadas atrás, era por ali que também chegavam discos estrangeiros procurados pelos roqueiros recifenses.
Antes da internet, do streaming e da facilidade de encontrar praticamente qualquer disco em poucos cliques, conseguir música estrangeira no Recife exigia alguma procura. Havia as lojas, os colecionadores, as fitas cassete e também os navios que chegavam ao porto. Músicos e aficionados pelo rock contam que era possível recorrer aos marinheiros para conseguir discos trazidos da Europa. Pesquisas sobre a cena recifense registram essa circulação e a importância do Porto do Recife para a chegada de novidades musicais à cidade.
O heavy metal ainda estava começando a ganhar forma quando esses discos circulavam por aqui. Os Herdeiros de Lúcifer fizeram seu primeiro show em 1983 e são considerados a primeira banda pernambucana de heavy metal. Mas não começaram do zero. Phetus e Aratanha Azul já haviam experimentado sonoridades pesadas nos anos 1970. Depois vieram bandas como Cruor e Realidade Encoberta, enquanto lojas, fanzines, fitas e pequenos shows ajudavam a juntar músicos e público.
A circulação desses discos ajudou a formar um público que, mais tarde, também passou a receber e procurar shows de bandas estrangeiras. Morbid Angel esteve no Recife em 1991. Mais tarde, Kreator e Destruction tocaram juntos na cidade. A Blackout Discos, na Boa Vista, tornou-se um dos endereços ligados a essa história e hoje participa da realização do show de Roy Khan, em parceria com a Infinity Concerts e o Recife Ordinário.
Roy Khan esteve à frente do Kamelot entre 1998 e 2011 e gravou discos como The Fourth Legacy, Karma, Epica e The Black Halo, período que consolidou sua projeção internacional. É justamente essa fase que serve de base para a atual turnê.
No Recife, o Maestrick abre a noite e depois volta ao palco para acompanhar Khan como banda de apoio. A turnê sul-americana conta ainda com Zoë Marie Federoff, vocalista, compositora e tecladista do Catalyst Crime e ex-integrante do Cradle of Filth. O repertório da turnê passa por músicas como When the Lights Are Down, Center of the Universe, The Haunting, Karma e March of Mephisto.
Recife é a única cidade do Nordeste incluída nesta passagem da turnê pelo Brasil. Para quem acompanha a cena local, a escolha faz sentido. A cidade construiu ao longo de décadas um público fiel ao metal, que se acostumou a buscar discos, fitas, fanzines e shows quando quase nada disso tinha espaço na mídia comercial.
Hoje, um disco está a um clique. Naquela época, era preciso saber onde procurar. E a imagem é curiosa: o disco que um dia chegava ao Recife na bagagem de um marinheiro agora dá lugar ao próprio músico, vindo de longe para tocar no mesmo cais.
SERVIÇO
Roy Khan – The Black Halo and Beyond
Quando: domingo, 18 de outubro, às 17h
Onde: Armazém 14 – Av. Alfredo Lisboa, s/n, Recife Antigo
Atrações: Roy Khan, Maestrick e Zoë Marie Federoff
Ingressos físicos: Blackout Discos – Rua do Riachuelo, 189, Boa Vista
Ingressos online: Articket