Artista visual da Muribeca inaugura exposição individual em galeria de Nova York
Lu Ferreira leva a exposição “Estranhas Luzes no Bosque” para a galeria Tara Downs, com 27 obras que percorrem caminhos de abstração, mistério e sincretismo religioso
29 de Abril de 2026
Lu Ferreira faz sua segunda mostra na cidade norte-americana
Foto Mitsy Queiroz/Divulgação
A partir da próxima sexta-feira (1º), o artista visual pernambucano Lu Ferreira inaugura a exposição individual Estranhas Luzes no Bosque na galeria Tara Downs, no distrito da Broadway, em Nova York. Ferreira é um dos nomes proeminentes da cena da arte contemporânea pernambucana, desenvolvendo um trabalho que parte da abstração para percorrer caminhos de mistério, sincretismo religioso, memórias fotográficas, distorções e pesquisa estética por meio de diversos suportes materiais. As 27 obras ficarão em exibição até o dia 6 de junho.
A exposição conta com curadoria da pesquisadora Elizabeth Bandeira e tem como uma das primeiras inspirações o livro homônimo de Stela Carr, que marcou a infância de Lu e que dialoga com seus caminhos artísticos de abstração e mistério, que convergem dentro da pesquisa de Lu que envolve um sincretismo barroco religioso negro, envolvido por um estudo de cores e as andanças do artista por territórios como Assaré, no Sertão cearense do Cariri, e a cidade de Olinda, onde reside.
“Apesar do histórico familiar permeado por condutas evangélicas, o grau de agudeza da experiência sensorial com a religião brasileira tomou forma a partir das visões com figuras emblemáticas do seu imaginário ancestral. Essa intimidade com forças vitais, as quais o conduziram a vocação habitada na sua interioridade, muito além do sentido dogmático desta crença, trouxe a Ferreira, desde a infância, a fluidez de um olho que pode se voltar para várias direções e ver de muitas formas”, explica um trecho do texto curatorial de Elizabeth Bandeira.

O trabalho de Lu Ferreira também é carregado por uma condução rítmica do jazz, chegando a Nova York, onde nasceu o bebop de Dizzy Gillespie e Charlie Parker. Outro elemento de força são os suportes, sejam as lonas de construção ou o papel Fabriano onde os trabalhos se imprimem, mas, sobretudo, as ferramentas que o artista usa, fugindo da convencionalidade e acurácia dos pincéis, e utilizando materiais que se desfazem no processo, que Ferreira também prefere não revelar quais são.
“Eu tenho uma memória de infância de materiais falando comigo e eu sempre os calava, envelopando e guardando em caixas. Em determinado momento, não me interessava mais pelos processos da pintura com o pincel. Resolvi abrir as caixas e esses materiais se revelaram para mim, era meu ofício ressignificá-los. Foi nesse lugar que entendi que meu trabalho não responde questões, ele problematiza. O trabalho com o material convencional problematiza o ato e a consequência da ação, consequência essa que não existe no pincel”, afirma Lu Ferreira.
Estranhas Luzes no Bosque marca a segunda exposição individual do trabalho de Lu Ferreira em Nova York, sucedendo Tropical Nada, que esteve em cartaz em junho de 2025. Contudo, assim como naquele momento, Lu não estará fisicamente presente na galeria. Mesmo com todas as documentações necessárias, incluindo carta convite da galeria e comprovação do tempo de permanência no país, o artista teve seu visto negado.
“Meu trabalho denuncia esses lugares, a abstração também contém camadas sociais e denúncia, a história da arte não se resume ao óleo sobre a tela. É algo estratégico eles não me quererem lá. Queria poder estar, responder e não responder questões, convidar para conhecer a Muribeca, o Brasil. Mas espiritualmente está tudo lá e tudo muito potente”, conclui Ferreira.
SERVIÇO
Exposição “Estranhas Luzes no Bosque”, de Lu Ferreira, com curadoria de Elizabeth Bandeira
Em exibição entre 1º de maio e 6 de junho
Galeria Tara Downs
424 Broadway Floor 3, New York, NY 10013, Estados Unidos