A arte gráfica popular dos pintores letristas de Itamaracá
Exposição “Letras da Ilha”, na Embaixada da Ciranda Lia de Itamaracá, revela a arte dos pintores letristas e celebra a memória gráfica da ilha, em fotografias, vídeos, obras e letreiros
03 de Julho de 2026
Fotos Ytalo Barreto/Divulgação
A tradição dos pintores letristas da Ilha de Itamaracá ganha novo espaço de valorização na exposição Letras da Ilha, que será inaugurada no dia 4 de julho, às 18h, na Embaixada da Ciranda Lia de Itamaracá. A mostra, aberta ao público e com entrada gratuita, reúne fotografias, vídeos, obras e letreiros que revelam a memória gráfica da ilha e a importância dessa prática artesanal na construção da identidade local.
O projeto é resultado da pesquisa iniciada em 2020 pela designer gráfica, pesquisadora e produtora cultural Lili Nascimento. Com apoio da Lei Aldir Blanc de Pernambuco, ela percorreu a Colônia de Pescadores Z-11 e diversas praias registrando embarcações, fachadas, placas e sinalizações que compõem a tipografia popular da região. Entre 2022 e 2023, o trabalho foi aprofundado como conclusão de curso em Design pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), sob orientação da professora Solange Coutinho, ampliando o acervo fotográfico e audiovisual.
A pesquisa também deu origem ao livro Letras da Ilha, em produção via Funcultura, com lançamento previsto para o fim do ano, em parceria com Solange Coutinho e o fotógrafo Ytallo Barreto.
Segundo Lili Nascimento, o objetivo é reconhecer uma arte presente no cotidiano, mas muitas vezes invisibilizada. “Os letreiros da Ilha de Itamaracá carregam histórias, memórias e modos de fazer. São parte da identidade da comunidade. A exposição nasce do desejo de valorizar esses artistas e aproximar novas gerações desse conhecimento”, afirma.
A mostra destaca mestres que mantêm viva essa tradição. Entre eles, Natanael Pires, o Tuca Pintor, referência na pintura de embarcações, fachadas, placas e nos tradicionais bandeirões da Buscada de Nossa Senhora do Pilar. Autodidata, atua desde os 16 anos e soma mais de quatro décadas de trabalho. Outro nome é o de Dilza Fernanda, única mulher pintora letrista identificada na pesquisa. Autodidata, iniciou sua trajetória em campanhas eleitorais e hoje produz letreiros, paisagens e pinturas infantis, ocupando um espaço historicamente masculino.
Também integram a exposição o paulista John Alex, radicado na ilha há oito anos e atuante na pintura de fachadas e murais, e Edilson Catanha, de Feira Nova, que desde 2019 contribui com sua arte em embarcações e estabelecimentos comerciais.
A mostra contextualiza ainda a relevância dos letreiros na cultura local, especialmente durante os preparativos da Buscada de Nossa Senhora do Pilar, celebração com mais de 230 anos. Nesse período, embarcações são retiradas da água para manutenção e renovação das pinturas, reforçando o trabalho dos mestres e revitalizando símbolos visuais da ilha.
Como etapa final da programação, será realizada uma oficina de pintura de letreiros para jovens da região, conduzida por Lili Nascimento e Solange Coutinho em parceria com os artistas participantes.
Com curadoria de Lili Nascimento e Ytallo Barreto, fotografia e vídeo de Ytallo Barreto e produção de Mauro Lira, a exposição conta com apoio da Embaixada da Ciranda Lia de Itamaracá e é realizada com recursos da Política Nacional Aldir Blanc.
Serviço
Exposição Letras da Ilha
Abertura: sábado, 4/7, às 18h. Até setembro
Local: Embaixada da Ciranda Lia de Itamaracá
Endereço: Avenida Benigno Cordeiro Galvão, 559, Jaguaribe, Ilha de Itamaracá (PE)
Entrada gratuita