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Teatro para todas as plateias

Conhecido pela pluralidade nas produções, Palco Giratório anuncia programação nacional, que inclui cinco grupos do Nordeste

TEXTO Gianni Paula de Melo

01 de Abril de 2013

Entre os espetáculos selecionados, está 'O filho eterno', uma adaptação da obra de Cristovão Tezza, feita pela pela Cia. Atores de Laura (RJ)

Entre os espetáculos selecionados, está 'O filho eterno', uma adaptação da obra de Cristovão Tezza, feita pela pela Cia. Atores de Laura (RJ)

Foto Dalton Valério/Divulgação

Dezoito grupos. Vinte e quatro espetáculos. Cento e trinta e três cidades a serem percorridas. R$ 8,5 milhões em gastos diretos – cachês, viagens, hospedagens. Um ano inteiro de planejamento. Estes são os números da nova edição do Palco Giratório, promovido pelo Serviço Social do Comércio (Sesc) e considerado o maior festival de teatro itinerante da América Latina, que só chega ao Recife no mês de maio, mas ainda em abril traz apresentações para o interior de Pernambuco. Conhecido pela vocação de formador de plateia e opinião, o projeto mantém seus critérios norteadores como a pluralidade das produções – adulto, infantil, circense, dança, bonecos – e o interesse em grupos de repertório, aqueles que se dedicam às artes cênicas também como campo de estudo, em detrimento dos espetáculos de apelo popular.

Apesar da proposta fundamental do circuito continuar a mesma, há algumas novidades preparadas para 2013. Este ano, a curadoria ampliou o diálogo com as formas híbridas de arte e destacou um espaço para as intervenções urbanas, ocupado, desta vez, pelo Coletivo Construções Compartilhadas (BA), com a ação {pingos & pigmentos}. Ela consiste em pontilhar o espaço público com guarda-chuvas de cor vibrante, que se somam aos tons da paisagem e geram um impacto plástico e poético. Além disso, o Palco Giratório dá início a um circuito especial de homenagens, reverenciando, nesta edição, o diretor Ilo Krugli e o seu grupo teatral Ventoforte, que percorre o país com o espetáculo infanto-juvenil Histórias de lenços e ventos.

No programa principal do evento, chama a atenção a forte presença dos monólogos, sendo cinco apresentações nesse formato. O fantástico circo-teatro de um homem só, da Cia. Rústica (RS), traz o ator Heinz Limaverde vivendo vários tipos do universo circense; O miolo da estória, da Santa Ignorância Cia.de Atores (MA), conta o drama de João Miolo, encenado por Lauande Aires, um operário da construção civil e brincante de bumba meu boi; La perseguida, estrelado por Gabriela Amado, do Vagamundo (RS), se encaixa na categoria teatro de rua e, apesar da personagem ser um palhaço, tem forte inclinação melancólica; Boi, do SerTão Teatro Infinito Cia. (GO), narra a vida de Zé Argemiro, vivido por Guido Campos Correa, e seu bicho de estimação; e, finalmente, O filho eterno, adaptação da obra de Cristovão Tezza, montada pela Cia. Atores de Laura (RJ), que rendeu o Prêmio Shell de melhor ator para Charles Fricks no ano passado.

O Nordeste marca presença nesse Palco Giratório com cinco companhias, mas é de estranhar a ausência de representantes da região Norte, considerando o discurso de diversidade ostentado pela instituição organizadora. Dos grupos pernambucanos atuais, o Duas Companhias foi o único contemplado e viajará o país com as peças Caetana e Divinas, ambas conhecidas do público do estado. O primeiro aborda a experiência da morte, trabalhando elementos da linguagem poética e da cultura popular, enquanto o segundo traz as personagens Uruba, Bandeira e Zanoia, palhaças contadoras de histórias. Na itinerância, o grupo também vai ministrar a oficina Despertando qualidades, na qual Fabiana Pirro e Lívia Falcão, fundadoras do Duas Companhias, partilharão suas experiências e abordarão a tradição nordestina.

FORMAÇÃO
As atividades formativas continuam sendo um fator importante para o Palco Giratório e, assim como a trupe pernambucana, todas as companhias preparam uma proposta de convivência educativa com estudantes, atores profissionais ou interessados. Jogos teatrais, reflexões sobre linguagens narrativas, trabalhos de composição e interpretação são alguns motes sobre os quais se estruturam as oficinas oferecidas pelos coletivos, que variam entre experiências mais teóricas ou de diálogo até exercícios práticos, como o aprendizado da técnica da perna-de-pau.

Em sua passagem pelo Recife, de 3 a 31 de maio, o Palco Giratório ainda vai ganhar o reforço das parcerias desenvolvidas especificamente pelo Sesc local. Além do programa nacional – todas as peças passarão pelos palcos da capital –, estão previstas a Conexão Rio Grande do Sul e a Conexão Alagoas, que devem trazer companhias extras dos dois estados; a Cena Bacante, voltada para a cultura popular de Pernambuco; e também os grupos convidados.

Antes disso, o espetáculo de dança Objeto gritante, da companhia paulista Maurício de Oliveira & Siameses, apresenta-se no interior do estado, levando suas questões sobre o ofício do artista do campo das artes cênicas e a relação que estabelecem entre corpo e máscaras sociais. O grupo sobe aos palcos de Petrolina (21/04) – onde também ministra oficina sobre improvisação e composição –, Arcoverde (24/04), Garanhuns (26/04) e Caruaru (27/04). 

GIANNI DE PAULA MELO, repórter da Continente Online.

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