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Severina Branca ganha audiolivro com sua poesia

Poeta do Sertão do Pajeú, que completou 80 anos em 2025, tem sua obra reunida em audiolivro, disponível no YouTube, aproximando sua criação de novos ouvintes

14 de Setembro de 2026

Foto Gabriel Çarungaua/Divulgação

Antes de se tornar autora de um livro, Severina Branca foi ouvinte. Nas tardes da infância em Serrote Pintado, no município de São José do Egito, a irmã lia folhetos de cordel. As cantorias também faziam parte dessa educação pela escuta, em uma região onde o verso participa das conversas, dos encontros e da maneira de narrar a vida. Ao completar 80 anos, em 2025, a poeta reunia uma trajetória construída nessa intimidade com a palavra falada em Enquanto render a vida, não se acaba a esperança, disponível em audiolivro gratuito no YouTube. Seus poemas, em grande parte autobiográficos, tratam de amores, saudades e dificuldades materiais. A experiência cotidiana fornece a matéria de uma criação formada na tradição oral do Sertão do Pajeú.

Nascida em 1945, Severina Gomes da Silva não foi alfabetizada. O contato com a literatura aconteceu pela voz de outras pessoas e pela convivência com cantadores e poetas. A escuta dos cordéis lidos pela irmã integra, assim, sua história como autora: o ritmo e a construção das imagens chegaram antes do registro impresso de seus próprios versos.

Conhecida como Severina Branca e ligada ao povoado de Mundo Novo, também em São José do Egito, ela construiu seu espaço em um ambiente de cantorias e rodas de poesia predominantemente masculino. Um de seus motes tornou-se conhecido entre os apreciadores da poesia do Pajeú: “O silêncio da noite é que tem sido testemunha das minhas amarguras”, que intitula o documentário de Petrônio Lorena lançado em 2018. A imagem condensa uma dimensão recorrente de sua obra, na qual a intimidade encontra expressão em formas compartilhadas pela tradição popular.

O livro foi publicado com recursos da própria poeta, em uma tiragem inicial de 100 exemplares. Sua passagem ao áudio amplia essa circulação e estabelece outra relação com a origem oral dos poemas. Nesta edição, a palavra de Severina é interpretada por cinco mulheres: Ana Luiza Passos, Dayane Rocha, Francisca Araújo, Isabelly Moreira e Thyelle Dias.

Com cerca de 30 minutos, o audiolivro tem produção e pesquisa de Isabelly Moreira e Juliana Coutinho e direção de áudio de Petrônio Lorena. A proposta contempla o acesso de pessoas cegas, com baixa visão ou que não foram alfabetizadas, com consultoria de acessibilidade de Danielle França. Essa dimensão se aproxima da experiência da autora, que enfrenta a perda progressiva da visão.

O projeto foi aprovado no edital Funcultura Geral 2022–2023, com recursos do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura, por meio da Fundarpe e da Secretaria de Cultura de Pernambuco.

Ouça Enquanto render a vida, não se acaba a esperança, de Severina Branca:

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