“O Irôko, a Pedra e o Sol” é encenado em Paulista, Salgueiro e no Recife
Espetáculo teatral e musical é composto por trilha sonora ao vivo e pautas como racismo religioso, LGBTfobia, sorofobia e violência contra a mulher
10 de Abril de 2026
Elenco da peça O Irôko, a Pedra e o Sol existe desde 2022
Foto Duda Gomes/Divulgação
“O Irôko, a Pedra e o Sol” volta aos palcos pernambucanos. As apresentações da peça assinada pelo grupo e espaço “O Poste Soluções Luminosas”, do Recife, entram em circulação pelo projeto “Luz negra: o negro em estado de representação”, com a realização de cinco sessões em abril. A classificação indicativa é de 16 anos de idade.
A estreia da nova temporada ocorre gratuitamente no dia 11/04 (sábado), no terreiro Ilê Àse Òrìsànlá Tàlábí, no município de Paulista (Região Metropolitana do Recife), às 19h. As apresentações seguintes acontecem no Teatro Hermilo Borba Filho, nos dias 17/04 (sexta-feira) e 18/04 (sábado), ambas às 19h, e no dia 19/04 (domingo), às 17h, no centro do Recife, com os ingressos à venda na internet e custando R$ 15 (meia-entrada) e R$ 30 (inteira). Já a conclusão é em Salgueiro (município no Sertão do estado), no dia 25/04 (sábado), no Quilombo Conceição das Crioulas, com entrada gratuita, às 19h.
O espetáculo, que une canto, corpo, dança, música, memória e atualidade, amplia sua existência com continuidade e reforça pautas como LGBTfobia, racismo, violência contra a mulher, evangelização nos quilombos e sorofobia.
O projeto Luz negra: o negro em estado de representação compõe a rede de ações artísticas brasileiras fomentada pelo Programa Funarte de Apoio a Ações Continuadas, executado pela Fundação Nacional de Artes, do Ministério da Cultura. Por meio desse incentivo público, é possível realizar a nova temporada da peça teatral, que existe desde 2022 com direção do pernambucano Samuel Santos, morador do Alto José Bonifácio, comunidade na Zona Norte do Recife.
“O que as pessoas precisam saber antes de assistir ao espetáculo: Irôko fala sobre amor, mas não é qualquer amor. É um amor que enfrenta o preconceito; fala sobre fé, mas não a fé que impõem, e sim a que nasce da ancestralidade; fala sobre violência, mas não só a física, como também a simbólica e cultural; fala sobre apagamento da história, da identidade e da cultura afro-indígena; e fala principalmente sobre resistência. Diante desses fatos, surgiu a necessidade de levar aos palcos um projeto que agregasse valores sociais, históricos e poéticos ao tema”, declara Samuel Santos, responsável também pelo texto, cenário e iluminação.
Destaque-se o elenco, com uma formação toda da negritude, periférica e popular, trazendo para as artes cênicas o recorte de raça, além das pautas de gênero e classe. São 12 pessoas entre mulheres pretas e negras, assim como homens, que atuam, cantam e dançam coletivamente durante duas horas (tempo de duração do espetáculo): Agrinez Melo, Ariel Sobral, Ester Soares, Fernanda Spíndola, Itioko, Jully, Lucas Ferr, Naná Sodré, Pedro Félix, Talles Ribeiro, Thallis Ítalo e Vanise Souza. É importante informar que Ester Soares divide a atuação com Larissa Lira.
“O projeto ‘Luz Negra’, do grupo O Poste Soluções Luminosas, fortalece em Pernambuco essa representatividade da atriz negra e do ator negro no campo do teatro, reforçando o contexto histórico, social e cultural”, afirma Samuel Santos.
Também tem destaque a trilha sonora tocada ao vivo, reunindo 15 músicas autorais. Todas as letras têm a autoria do próprio diretor Samuel Santos. Já a criação e a produção da composição musical da trilha (melodia e harmonia) levam a assinatura dos artistas locais Beto Xambá e Thulio Xambá, ambos do grupo pernambucano Bongar, composto juntamente com Meme Bongar, PH Xambá e Yngrid da Xambá, que são de Pernambuco e são musicistas do espetáculo. A Xambá é uma comunidade que fica no bairro de São Benedito, em Olinda/PE. Nessa nova temporada da peça teatral, o percussionista pernambucano Ninho Brow entra como convidado.
“O Irôko, a Pedra e o Sol“ é baseado na história de uma paciente com HIV, de Itapipoca/CE, sertão do Ceará, em 1990, que foi abandonada pela família no hospital público durante um mês, porém antes de interná-la a vizinhança e os pais em conjunto derrubaram o banheiro que a jovem tinha utilizado, separaram copos e outros objetos e ela foi isolada dentro de um quarto devido ao medo extremo e à desinformação que cercavam a doença na época. O caso ocorreu no período em que o sertão do Ceará ainda tinha pouco acesso às informações sobre as formas de contágio, o que gerava um "terror" social para os pacientes.
Toda a narrativa se passa numa comunidade quilombola evangelizada do sertão pernambucano. “Essa comunidade sofreu um processo danoso de apagamento das suas raízes ancestrais e age conforme os preceitos ensinados e dentro desses preceitos há a culpa, o inferno para quem comete o pecado e ‘atenta contra as palavras do grande livro’. Dentro desse contexto, surge o amor de dois jovens, onde Exu, no espetáculo, avisa: “Dos ancestrais ventres de duas negras, nasceram dois meninos que fugiram às regras”, explica Samuel Santos.
Em 2023, "O Irôko, a Pedra e o Sol" foi um dos espetáculos teatrais mais aclamados em Pernambuco. No ano de 2022, conquistou inclusive o Prêmio Sesc Nacional de Artes Cênicas.
Acessibilidade
O Espaço O Poste realiza uma ação afirmativa para as três sessões de “O Irôko, a Pedra e o Sol” no Teatro Hermilo Borba Filho. Uma parte do arrecadado na bilheteria será doada para uma entidade que acolhe pessoas travestis, trans e soropositivas, com gratuidade dos ingressos.
“O Irôko, a Pedra e o Sol”
(classificação indicativa: 16 anos de idade)
11/04 (sábado): terreiro Ilê Àse Òrìsànlá Tàlábí (Paulista/PE - rua Orobó, nº 257 - bairro Paratibe)
Horário: 19h
Gratuito
17/04 (sexta-feira), 18/04 (sábado): Teatro Hermilo Borba Filho (Recife/PE - Cais do Apolo, nº 142 - centro)
Horário: 19h
Ingressos: R$ 15 (meia-entrada) e R$ 30 (inteira)
Gratuidade para pessoas travestis, trans e soropositivas
19/04 (domingo): Teatro Hermilo Borba Filho (Recife/PE - Cais do Apolo, nº 142 - centro)
Horário: 17h
Ingressos: R$ 15 (meia-entrada) e R$ 30 (inteira)
Gratuidade para pessoas travestis, trans e soropositivas
25/04 (sábado): Quilombo Conceição das Crioulas (Salgueiro/PE)
Horário: 19h
Gratuito