Matéria, memória e transformação na mostra Desvelando o Tempo
A partir da sexta-feira (17/7), a artista visual Suzana Azevedo ocupa a Casa de Câmara e Cadeia (Brejo da Madre de Deus) com obras que resgatam 15 anos de pesquisa artística
15 de Julho de 2026
Foto Divulgação
Uma investigação sobre o tempo em que cada obra guarda uma história própria: eis uma síntese possível da exposição Desvelando o Tempo, em que a artista visual Suzana Azevedo revisita uma trajetória de 15 anos de investigação em torno de um suporte material criado por ela, o L-Mais. A mostra será aberta na sexta-feira (17/7) na Casa de Câmara e Cadeia de Brejo da Madre de Deus, equipamento público gerido pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe). Com curadoria de Maria Eduarda Belém, a mostra segue aberta até 31 de agosto e contará com programação educativa para artesãos e estudantes, tudo com entrada gratuita.
A mostra Desvelando o Tempo reúne cerca de 40 obras e permite acompanhar a evolução da pesquisa de Suzana Azevedo com o L-Mais, suporte originado de um processo artesanal que envolve coleta, seleção e recomposição de fragmentos descartados, a fim de criar uma base material para desenhos, pinturas ou gravuras. Ao longo de sua trajetória, Suzana transformou o processo de criação do L-Mais em um campo de pesquisa artística, pois cada suporte nasce carregando uma história própria, fazendo da matéria uma linguagem e não apenas um meio.
Para criar o L-Mais, ela utiliza materiais como papéis industriais, fibras e pigmentos, que são incorporados a uma massa moldada manualmente, preservando marcas, texturas e vestígios de suas existências anteriores. Em vez de ocultar a origem dos materiais, as obras de Suzana Azevedo evidenciam as cicatrizes, relevos e irregularidades da superfície, revelando uma poética construída sobre a permanência das memórias inscritas na matéria. Como a própria artista afirma em seus escritos, a obra de arte participa do mesmo movimento da natureza: “renovar-se sempre para seu fim, re-voltar-se para o início, re-encontrar-se com o novo”.
“Nas superfícies criadas pela artista, o tempo não é apagado — ele se deposita. As camadas da matéria revelam rastros e fissuras de diferentes existências, fazendo do suporte mais do que um receptáculo para a imagem: ele próprio é um campo vivo de narrativas”, pontua Maria Eduarda Belém no texto curatorial. A escolha da Casa de Câmara e Cadeia como espaço expositivo reforça esse diálogo, pois, assim como o edifício histórico preserva as marcas de diferentes épocas e usos, as superfícies criadas por Suzana acumulam camadas, registros e transformações, estabelecendo uma relação entre arquitetura, memória e matéria.
SUZANA AZEVEDO
Artista visual, pesquisadora e professora, Suzana Azevedo é doutora em Pintura pela Universidade de Lisboa, mestre em Poéticas Visuais pela Faculdade Santa Marcelina (SP) e licenciada em Educação Artística – Artes Plásticas pela UFPE. Desenvolve uma produção que articula pintura, gravura e investigações sobre a materialidade do papel e os processos da imagem. Com trajetória consolidada em exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior, sua pesquisa transita entre a experimentação técnica e uma poética marcada pela memória, pela paisagem e pelas relações entre matéria e gesto.
SERVIÇO
Desvelando o Tempo, de Suzana Azevedo
Onde: Casa de Câmara e Cadeia de Brejo da Madre de Deus (Rua Maestro Tomás de Aquino Maciel, 60, Centro)
Quando: Abertura: 17 de julho, às 10h. Visitação: 17 de julho a 31 de agosto
Oficina para artesãos: 2 de agosto, das 9h às 11h
Oficina para estudantes: 3 de agosto, das 9h às 11h
Entrada gratuita