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Cozinha Sertaneja expõe a riqueza cultural do sertão pernambucano

Com curadoria de Bruno Albertim e Lucio Omena, mostra abre na quinta (16/7), no Centro Cultural Mercado Eufrásio Barbosa, integrando a programação do Território Expandido da Fenearte

15 de Julho de 2026

Foto Lucio Omena & Bidu Alves/Cozinha Sertaneja /Divulgação

Muito além de um conjunto de receitas ou ingredientes, a cozinha sertaneja constitui um sofisticado sistema de conhecimentos construído ao longo de séculos para responder a uma pergunta fundamental: como permanecer? É a partir dessa perspectiva que a exposição Cozinha Sertaneja – Comer para resistir será inaugurada na uinta-feira (16 de julho), às 18h, no Centro Cultural Mercado Eufrásio Barbosa, em Olinda.

Realizada como uma ação do projeto Fenearte – Cozinha de Território, dentro da programação do Território Expandido da Fenearte, a mostra permanece aberta à visitação até 23 de agosto, reunindo objetos, utensílios, instalações cenográficas, fotografias e textos curatoriais que apresentam a culinária sertaneja como um patrimônio cultural construído pela convivência entre natureza, técnica, memória e religiosidade. 

A exposição parte da compreensão de que cozinhar, no semiárido, sempre significou muito mais do que preparar alimentos. Diante da irregularidade das chuvas, das longas distâncias e da escassez de recursos, povos indígenas, africanos, sertanejos e colonizadores desenvolveram técnicas capazes de conservar, transportar e transformar os alimentos, criando um repertório de conhecimentos que atravessa gerações.

Organizada em diferentes núcleos temáticos, a mostra percorre temas como a mandioca — o "pão da terra" que sustenta o Brasil desde antes da colonização —, a criação de animais, a importância do porco e da banha na conservação dos alimentos, a cozinha como espaço de convivência familiar e de transmissão de saberes e a religiosidade popular, representada pelos oratórios domésticos e pela devoção a São José, santo associado às chuvas e à boa colheita no sertão.

Além dos núcleos expositivos, a mostra apresenta um extrato do ensaio fotográfico Vaqueiros de Gibão (2025), resultado de mais de uma década de pesquisa do fotógrafo e antropólogo Pablo Pinheiro no Seridó, entre o Rio Grande do Norte e a Paraíba. Construídas a partir da convivência e da escuta dos homens e mulheres que mantêm viva a tradição da vaqueirama sertaneja, as imagens revelam o profundo vínculo entre o vaqueiro, a caatinga e os saberes transmitidos entre gerações. Mais do que documentar um ofício, o ensaio reafirma o vaqueiro de gibão como protagonista de uma cultura viva e como expressão da memória, da identidade e do patrimônio cultural do sertão nordestino.

Mais do que apresentar objetos do cotidiano, a exposição procura revelar as tecnologias da sobrevivência desenvolvidas no semiárido, demonstrando como utensílios, ingredientes e modos de fazer constituem um patrimônio material e imaterial profundamente ligado à identidade pernambucana.

Para o curador Bruno Albertim, a cozinha sertaneja revela uma inteligência cultural construída ao longo de séculos. "Mais do que um repertório de receitas, o cozinhar sertanejo constitui um sofisticado sistema de tecnologias populares. Cada objeto, cada ingrediente e cada modo de preparo respondem a uma pergunta fundamental: como permanecer?", afirma.

O curador Lúcio Omena destaca que a exposição amplia a compreensão da culinária para além dos alimentos. "Mais do que mostrar alimentos, a exposição dialoga sobre as tecnologias da sobrevivência, os objetos do cotidiano, os materiais da cozinha e os modos de viver que fizeram do sertão um dos mais ricos territórios culinários do Brasil."

Ao longo do percurso expositivo, o visitante encontra desde casas de farinha, pilões, peneiras e gamelas até instalações cenográficas e ambientes que recriam a cozinha sertaneja como espaço de memória, encontro e afeto. A proposta é mostrar que, no Sertão, alimento, cultura material e religiosidade formam um mesmo universo de permanência.

Como sintetiza o conceito da mostra, "no Sertão, cozinhar nunca foi apenas preparar a comida. Foi sempre temperar o permanecer."

SERVIÇO
Cozinha Sertaneja – Comer para resistir, do projeto Fenearte – Cozinha de Território | Território Expandido da Fenearte
Onde: Centro Cultural Mercado Eufrásio Barbosa – Olinda (PE)
Quando: Abertura: 16 de julho de 2026 (quinta-feira), às 18h. Período de visitação: de 16 de julho a 23 de agosto de 2026

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