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Celebrando o Recife, sua autenticidade e seu estilo

Exposição coletiva , com curadoria de Aslan Cabral, reúne 15 artistas que têm a capital pernambucana como território


10 de Março de 2026

Imagem do Quiosque do Wilson

Imagem do Quiosque do Wilson

Foto Divulgação

A Galeria Amparo 60 abre a sua programação de 2026 na quinta-feira (12), às 19h, com a exposição coletiva Recife Original Style, que reúne trabalhos de 15 artistas, sob curadoria de Aslan Cabral. A proposta, que chega num momento em que a capital pernambucana está em evidência nas mais diversas linguagens artísticas, está intimamente ligada à noção de território, de espaço, e as diversas formas de ocupá-lo. 

A exposição reúne trabalhos de Agrippina R. Manhattan, Ana Neves, Carolina Drahomiro, Claudio Paschoal, Clara Moreira, Cristiano Lenhardt, Diogum, Guia Comum do Centro do Recife, Marcelo Silveira, Maurício Castro, Ramsés Marçal, Régi José, Stefane Rossiter, Vitória Vatroi e Wilson Carneiro da Cunha. Sua abertura foi pensada exatamente para o dia do aniversário da cidade, que neste ano completa 489 anos. “É um marco poder abrir essa mostra com obras de todos esses artistas que, cada um à sua maneira, compõem essa matéria recifense tão caótica, contraditória e bela. Vamos celebrar o Recife, cantando parabéns para ela”, diz o curador Aslan Cabral. 

Recife Original Style destaca a riqueza dos agentes artísticos da cidade, as mudanças na sua cadeia cultural, a pluralidade de suportes e enxerga o espaço da galeria como um lugar de força, de convívio e fomento das conexões entre o mercado e comunidades artísticas e culturais. “Abrir o nosso calendário de exposições olhando para o nosso lugar, a nossa cidade, entendendo que a galeria é um espaço de troca, diálogo e encontros, representa muito do que acreditamos e do que temos feito aqui na Amparo 60 nesses mais de 25 anos de atuação. Recife Original Style resume bem a forma como enxergamos a cena artística e nosso desejo de fomentá-la cada vez mais”, explica a galerista Lúcia Costa Santos. 

A ideia de falar sobre o Recife já tinha norteado a Amparo 60 na ART.PE 2025, intitulado Que tontos, que loucos?, também com a curadoria de Aslan Cabral. Segundo ele, o olhar que a exposição instiga é amplo, diverso, deixa de lado os clichês que merecem ser afastados e se abre para dinâmicas que não se restringem apenas ao “novo”, mas a uma perspectiva na qual há pluralidade de tempos e modos de produção.

“Recife Original Style é, sobretudo, um panorama onde a diversidade é abordada como um conceito cultural, artístico e consequentemente político. É esse lugar onde a exposição evoca o Recife e não somente um único jeito de habitar esse território, mas muitos”, descreve Aslan, que propõe uma conversa em comunidade, abrindo espaço para o diálogo entre artistas que nasceram no Recife e outros que fizeram sua base por aqui e estão contribuindo para ampliar o panorama artístico da cidade. 

Para fortalecer a proposta, foi aberta uma convocatória em dezembro de 2025 convidando artistas que produzem no Recife a se inscreverem para participar da mostra. Foram 208 inscrições e seis nomes (Agrippina R. Manhattan, Carolina Drahomiro, Claudio Paschoal, Régi José, Stefane Rossiter e Vitória Vatroi, que não fazem parte do casting e que não tinham ainda participado de ações junto à Amparo 60) foram selecionados. 

“A Amparo 60 por sua atuação ao longo desses anos e grande credibilidade na cena é sempre procurada por artistas que buscam oportunidade de entrar no mercado. A convocatória foi pensada como forma de estreitar as relações da instituição com esses agentes e seus trabalhos e também porque era algo que se ajustava e reforçava o premissa que baseia o conceito dessa mostra: o Recife como território, espaço de diálogo e trocas, para além dos clichês, valorizando a diversidade e apostando nela como grande ativo”, explica Aslan. 

O curador conta que o debate em torno do nome da mostra foi longo, mas terminou caminhando para a expressão “original style” que, em esportes como skate e surf,  é usada para relacionar o modo de alguém performar com autenticidade, que está no álbum da banda Eddie (Original Olinda Style) e que também aparece em barquinhos de uma cooperativa que circulam pelo Rio Capibaribe, ação da qual Aslan foi um dos idealizadores. “Em Recife Original Style, estamos mais uma vez, assim como na ART.PE, falando um idioma local capaz de expandir as noções sobre o Recife e sua autenticidade”, resume.

Os artistas que compõem o casting da galeria e que já se relacionavam com ela anteriormente vão apresentar obras inéditas, enquanto os convidados através da convocatória vão mostrar trabalhos de seus acervos pessoais. A diversidade de nomes também se reflete numa órbita vasta de suportes, que passeiam pela pintura, desenho, registros históricos, trabalhos com ferro e madeira, representando toda a contraditoriedade que marca o Recife.

SERVIÇO
Recife Original Style, exposição com obras dos artistas Agrippina R. Manhattan, Ana Neves, Carolina Drahomiro, Claudio Paschoal, Clara Moreira, Cristiano Lenhardt, Diogum, Guia Comum do Centro do Recife, Marcelo Silveira, Maurício Castro, Ramsés Marçal, Régi José, Stefane Rossiter, Vitória Vatroi e Wilson Carneiro da Cunha
Onde: Galeria Amparo 60 - No 3º andar da Dona Santa (Rua Professor Eduardo Wanderley
Quando: Abertura: 12 de março, 19h. Visitação: Até 7 de maio de 2026. Segunda a sexta, das 10h às 19h. Sábados das 10h às 15h.
Galeria Amparo 60 - No 3º andar da Dona Santa (Rua Professor Eduardo Wanderley

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