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Entrevista

“O que estamos fazendo agora já é vida lá na frente”

Durante a pandemia, Chico César compôs mais de 100 músicas, de frevos a canções de protesto, que se tornarão dois discos em 2022; parou de beber, de comer carne e virou hit no BBB

TEXTO Mariana Filgueiras

03 de Novembro de 2021

Chico César escolheu potencializar sua arte na pandemia

Chico César escolheu potencializar sua arte na pandemia

Foto José de Holanda

[conteúdo disponível na íntegra nas versões impressa e digital | ed. 251 | novembro de 2021]

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Em janeiro deste ano, quando mal curávamos a ressaca de um réveillon sem festas, contando quase 200 mil mortes, o cantor e compositor Chico César repetiu uma das coisas que mais fez durante a pandemia: publicou uma música nova nas suas redes sociais. Era uma canção de amor, Pisadinha. Aliviado com o tema, um fã deu uma sugestão: que ele evitasse as canções de cunho político. Chico puxou a pedra de afiar faca: “Não me peça um absurdo desse. Não tente controlar o vento. Não sou seu entretenimento. Sou o fio da espada da história feito música no pescoço dos fascistas. E dos neutros. Não conte comigo para niná-lo. Não vim botar você para dormir, aqui estou para acordar os dormentes”. 

De tão cortante, a resposta virou meme, notícia de jornal e até outras canções, musicadas por outros fãs. “Já recebi umas 15 versões diferentes”, diverte-se ele, na sala de casa, em São Paulo.

Francisco César Gonçalves está amolado. O “fio da espada da história” se faz música no pescoço dos fascistas diariamente. Desde o início da pandemia, Chico compôs mais de 100 canções, de frevos a canções de protesto, que já renderam dois discos para o ano que vem, um a ser lançado no Uruguai e outro na França. Foi gravado por Maria Bethânia e por Clayton Barros, do Cordel do Fogo Encantado; fez parceria com Zeca Baleiro (que vai virar mais um disco), Fausto Nilo e, por que não, até com a escritora nigeriana Chimamanda Adichie. Cantou com Cátia de França, Mônica Salmaso, The Baggios e está montando um show novo com Geraldo Azevedo. Pela primeira vez na vida, parou de comer carne, parou de beber, tomou ayahuasca e compôs em espanhol e inglês – mesmo sem falar inglês. Chico nutre esperanças por dias melhores. “Eu tenho certeza de que Bolsonaro será punido como o genocida que é”, diz ele, lembrando que todo poeta é um profeta.

Num dos momentos mais comoventes da pandemia, soube que o padre Fábio de Melo escolheu uma música sua para velar a mãe, morta por Covid-19, Onde estará o meu amor. Num dos mais curiosos, viu sua popularidade explodir depois que a campeã do Big Brother Brasil, Juliette, cantarolou uma canção sua no programa, Deus me proteja. Num dos mais angustiados, foi tranquilizado por um gesto espontâneo de Caetano Veloso, o que o baiano nem imaginava – história que conta pela primeira vez nesta entrevista à Continente

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