O centenário da “víbora”
Joel Silveira saiu de Sergipe para trabalhar como jornalista no Rio de Janeiro, tornando-se um dos grandes da profissão, notabilizado por seu olhar arguto e texto elegante e irônico
TEXTO MARCELO ABREU
01 de Agosto de 2018
Ilustração Jarbas
[conteúdo exclusivo para assinantes | ed. 212 | agosto 2018]
Quando chegou ao Rio de Janeiro, aos 18 anos, em fevereiro de 1937, para tentar a vida como jornalista, o sergipano Joel Silveira logo travaria contato com um acontecimento marcante na história do Brasil: a implantação do Estado Novo de Getúlio Vargas, ditadura que dominaria o Brasil pelos próximos oito anos. Jogado no ambiente de redações que tentavam sobreviver pressionadas pela censura política da época, o jovem repórter, nascido na cidade de Lagarto, teve de cara, na então capital federal, um curso intensivo do drama histórico brasileiro, que viria a acompanhar de perto durante décadas.
Sete anos depois, já conhecido como repórter de texto diferenciado e irônico, apelidado de “víbora” pelo magnata da imprensa Assis Chateaubriand, seria enviado pelos Diários Associados para cobrir a participação brasileira na Segunda Guerra Mundial. A partir daí, Silveira consolidaria sua posição – para usar o clichê inevitável – como “testemunha ocular da história”, quase sempre presente nos grandes acontecimentos que marcaram o século XX no Brasil e no mundo.
Com seu texto refinado, pleno de sutis e elegantes ironias, Joel se destacaria e chegaria a ser considerado por muitos como o principal jornalista brasileiro do século. Sua vida longa (nasceu em setembro de 1918, morreu em agosto de 2007) ajudou a elevar sua trajetória a proporções míticas entre seus colegas jornalistas e escritores. O poeta Manoel Bandeira certa vez o qualificou como “o melhor repórter do Brasil”.
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EXTRA:
Joel Silveira foi colunista da Continente entre 2001 e 2007. Confira alguns textos publicados por ele na coluna Diário de uma víbora.
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